Busca por músculos e desempenho físico têm levado cada vez mais pessoas a recorrer aos anabolizantes. O que muitas vezes começa como uma tentativa de acelerar resultados pode, porém, trazer consequências que vão além da estética.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) alerta para os riscos do uso à saúde dos rins. Entre os possíveis problemas está a glomeruloesclerose, alteração que provoca a cicatrização dos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtragem do sangue, e pode levar à perda de proteínas pela urina. Em determinados casos, também pode ocorrer rabdomiólise, principalmente diante de esforço muscular extremo, com risco de lesão renal aguda.
A hipertensão é outro ponto de atenção. “Alterações persistentes da pressão podem aumentar a agressão aos vasos e às estruturas responsáveis pela filtragem do sangue, contribuindo para a perda progressiva da função renal”, ressalta o órgão.
O risco pode ser ampliado quando os hormônios são associados a outras estratégias comuns entre frequentadores de academias. Desidratação, consumo excessivo de proteínas, suplementos e vitaminas, além do uso de determinados medicamentos, como anti-inflamatórios, podem acrescentar novas demandas ao organismo e dificultar a identificação da causa de uma eventual alteração.
Prevenção chega ao consultório
Durante anos, o nefrologista esteve associado a uma imagem específica: a do médico que acompanha pacientes em hemodiálise. Esse cenário, porém, começa a mudar. Pessoas sem diagnóstico conhecido de doença renal também têm procurado avaliação para entender como os hábitos podem interferir no funcionamento dos rins.
Os rins filtram o sangue, eliminam resíduos do metabolismo e ajudam a controlar o equilíbrio de líquidos, sais minerais e pressão arterial. Como as alterações nesse sistema podem evoluir de forma silenciosa, a avaliação ganha importância para quem adota estratégias de ganho de massa muscular e recorre a suplementos ou hormônios.
A nefrologista Patrícia Feldens (CRM 32683 | RQE 26751) percebe essa mudança. “A prevenção começa a ganhar espaço. Temos recebido no consultório pessoas que praticam musculação e usam suplementos ou hormônios justamente para avaliar se os rins estão preservados e se o consumo dessas substâncias é adequado”, afirma.
Preocupação não se restringe a quem busca prevenção. A especialista também já recebeu no consultório pacientes que chegaram após identificar alterações na função renal e precisavam avaliar os possíveis efeitos das substâncias que utilizavam.
Para Patrícia, a procura também evidencia a importância de uma atuação mais integrada entre diferentes especialidades. O acompanhamento com um nefrologista não precisa começar apenas quando existe uma doença renal instalada. A avaliação pode ajudar a identificar fatores de risco e verificar se determinada estratégia é compatível com as condições individuais.
Isso não significa que qualquer pessoa que utilize uma dessas substâncias desenvolverá uma doença renal. O risco varia conforme o produto utilizado, a dose, a duração do uso, as condições de saúde e a associação com outras substâncias. Por isso, a avaliação individual é fundamental antes de transformar hormônios ou suplementos em parte permanente da rotina.
Fique atento
- Urina: mudanças na cor, quantidade ou presença de espuma merecem investigação.
- Pressão: níveis elevados podem afetar progressivamente a função dos rins.
- Exames: avaliação da função renal ajuda a detectar alterações precocemente.
- Acompanhamento: quem utiliza essas substâncias deve conversar com um profissional de saúde antes de iniciar ou manter o consumo.
