Instabilidade persiste até quarta. Defesa Civil descarta inundações

TEMPO NO VALE

Instabilidade persiste até quarta. Defesa Civil descarta inundações

Localidades na região registraram prejuízos com os temporais no fim de semana. Projeção de chuvas afasta possibilidade de cheias ou transtornos mais significativos

Instabilidade persiste até quarta. Defesa Civil descarta inundações
Vale Vivo | Apesar do volume de chuva, Defesa Civil descarta inundações no Taquari
Vale do Taquari

Os estragos causados pelos temporais do domingo, 19, voltam as atenções da região para eventuais episódios ao longo da semana. A previsão do tempo aponta para a sequência da chuva até a quarta-feira, 22, com a possibilidade de novos vendavais, e acumulados que podem alcançar os 100mm nas últimas 48 horas.

Parte dos transtornos foram registrados em Marques de Souza, onde um produtor na Alto Linha Tigrinho teve perdas calculadas em R$ 20 mil. Conforme a Defesa Civil Regional, também houve relatos de danos em Venâncio Aires e Forquetinha, principalmente em decorrência das fortes rajadas de vento.

A Defesa Civil estadual atualizou as projeções meteorológicas e hidrológicas, e a condição para chuvas mais intensas está concentrada na metade norte do RS, o que faz as possibilidades de inundações na região estarem descartadas neste momento.

De acordo com o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Daniel Caetano, ainda há condição para chuvas ao longo da terça-feira, 21, com temperaturas na casa dos 21ºC, consideradas elevadas pelo especialista. “As chuvas devem durar pelo menos até o início da quarta-feira. Projetamos um volume de chuva na casa de 40mm a 50mm”, calcula.

Sobre os vendavais, Caetano aponta que a condição mais instável ficou no fim de semana, mas não descarta novas ocorrências, em função do calor e da umidade. “A gente não descarta ainda temporais isolados, mas, de maneira geral, o pior já passou. Mas podemos ter ainda alguns acumulados de chuva elevados e, em alguns pontos, até ventos mais intensos”, acrescenta.

Modelos meteorológicos mostram chuva até o fim da noite de hoje e temporais localizados (Foto: divulgação)

Atenção às cabeceiras

Os pontos de observação recorrentes são as regiões de cabeceira, na origem do Rio Taquari. Em Cotiporã, por exemplo, foram registrados 56,6mm ao longo da segunda-feira, 20. Já na região do Rio Guaporé, o volume de chuvas foi semelhante. Para hoje, as precipitações podem alcançar os 30mm.

A quantidade de chuvas gera a necessidade de uma observação mais cuidadosa ao comportamento dos rios. “Mesmo volumes considerados médios ou moderados, como 60mm a 70mm, podem ter um impacto bem diferente agora. Como a dinâmica dos rios e do solo mudou bastante após os eventos de 2024, a capacidade de escoamento e absorção ainda é uma incógnita em muitos pontos”, explica o meteorologista.

“Agora é reconstruir”

Em Marques de Souza, um produtor teve prejuízo de cerca de R$ 20 mil após o temporal. Parte da cobertura de um galpão de suínos que pertence a Fernando Eduardo Heid, 37 anos, foi arrancada pela força do vento, na Alto Linha Tigrinho. De acordo com o produtor, entre 20 e 30 telhas foram removidas pelo vento, deixando parte da estrutura exposta.

Outro ponto da região que registrou estragos foi Marques de Souza, onde um produtor em Alto Linha Tigrinho teve o galpão danificado (Foto: Gabriel Santos)

No local estavam alojados cerca de mil suínos em fase de terminação. Apesar dos estragos na cobertura, nenhum dos animais ficou ferido e não houve registro de vítimas. Heid relata que a comunidade, localizada em uma área mais alta do município, foi atingida por fortes rajadas de vento, que assustaram os moradores durante a madrugada.

Segundo ele, somente com o amanhecer foi possível dimensionar os estragos causados pelo temporal. “O vento foi muito forte e assustou bastante quem mora aqui. Depois, durante o dia, conseguimos ver os danos que ele causou no galpão. Agora não tem outra alternativa, é trabalhar para reconstruir essa parte da estrutura e seguir em frente”, afirma.

Ainda no município, uma forte rajada de vento registrada pouco antes do meio-dia do domingo provocou o destelhamento parcial da Escola Municipal de Ensino Fundamental Carlos Gomes. Conforme a administração, entre 20 e 25 metros quadrados da cobertura foram arrancados pela força do vento.

Receba notícias
em primeira mão

Acompanhe
nossas
redes sociais