Um estudo feito pela OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, em parceria com a Universidade da Pensilvânia, aponta que mais de 90% das tarefas executadas por trabalhadores podem ser aceleradas em pelo menos 10% com o uso da inteligência artificial (IA). Em cerca de um terço dos casos analisados, o ganho de produtividade pode chegar a 50%.
Apesar do potencial identificado pela pesquisa, o especialista em processos e inteligência artificial da Wallerius Seguros, Armando Tafarel Neto, alerta que a adoção da tecnologia não é um processo simples nem de baixo custo. Segundo ele, a implementação eficiente da IA requer conhecimento técnico e profissionais capacitados para orientar a aplicação.
“Do ponto de vista teórico, já é possível alcançar esses ganhos. Porém, é preciso diferenciar o trabalho manual do intelectual. Em atividades que dependem principalmente de esforço físico, a inteligência artificial ainda não consegue contribuir de forma tão significativa. Já nas tarefas intelectuais, o potencial de otimização é muito grande”, explica.
Dados do setor indicam que 72% das empresas ainda não utilizam inteligência artificial ou fazem uso apenas básico da tecnologia. Apenas uma em cada quatro organizações possui uma aplicação mais estruturada, embora cerca de 70% reconheçam que a IA pode trazer benefícios para os negócios.
Tafarel também chama a atenção para os riscos de uma adoção inadequada da tecnologia, especialmente no relacionamento com os clientes. Segundo ele, algumas empresas que substituíram parte do atendimento humano por sistemas automatizados já começam a rever essa estratégia diante da insatisfação dos consumidores.
“Entendo que as empresas não devem terceirizar para a inteligência artificial o relacionamento com o cliente, que é uma das partes mais importantes do negócio. Em muitos casos, estão cometendo esse erro”, afirma.
