Alberto Kappel, sócio da Kappel Imóveis, integra uma família com tradição no setor imobiliário no Vale do Rio Pardo, especialmente em Venâncio Aires. Em Lajeado, a atuação foi impulsionada pelo potencial econômico da cidade. Nesta coluna, ele analisa as oportunidades e os desafios do mercado imobiliário na região.
Como Lajeado sustenta o crescimento regional atual?
Alberto Kappel – Lajeado vem registrando crescimento econômico e populacional consistente, impulsionado por sua localização estratégica. Em um raio de 30 quilômetros, cerca de 27 municípios utilizam a cidade como polo regional de saúde, educação, comércio e serviços, favorecida pela BR-386. A economia diversificada, com presença de setores como alimentação, tecnologia e indústria, garante maior solidez e resiliência diante de oscilações. No Vale do Taquari, as enchentes provocaram perdas significativas em municípios como Cruzeiro do Sul, com impacto na população. Por outro lado, Lajeado e Teutônia registraram aumento populacional ao receber moradores de cidades atingidas, além da migração de empresas para áreas menos afetadas, impulsionando a atividade econômica local.
A economia e as questões demográficas impactam no setor imobiliário?
Kappel – O mercado imobiliário está diretamente ligado ao desenvolvimento econômico e ao crescimento populacional, pilares que sustentam a demanda por imóveis. Sem esses fatores, a expansão do setor perde força, com risco de baixa ocupação. Para um crescimento saudável, é essencial que a região mantenha dinamismo econômico e aumento da população, garantindo equilíbrio entre oferta e demanda.
Como as mudanças familiares redefinem a demanda imobiliária?
Kappel – Mudanças na estrutura familiar têm alterado o comportamento do consumidor no mercado imobiliário. Casamentos e filhos mais tardios, além de novos arranjos familiares, reduzem o tamanho médio das famílias e impactam a demanda. Entre jovens da geração Y, cerca de 30% não pretendem ter filhos e a maioria planeja ter apenas um. Com isso, cresce a procura por imóveis compactos, de um ou dois dormitórios, e aumenta a rotatividade. Também ganha força a exigência por infraestrutura, como academia, salão de festas e áreas de lazer. A localização se torna decisiva, priorizando proximidade de serviços e qualidade de vida com menor dependência de carro.
A locação cresce com juros altos e novos hábitos?
Kappel – O mercado de locação segue aquecido, impulsionado pelas altas taxas de juros, que levam muitos consumidores a adiar a compra do imóvel. Apesar disso, a espera nem sempre representa economia, já que a queda da Selic tende a elevar os preços. Também pesa a mudança de comportamento das novas gerações, que valorizam mobilidade e flexibilidade, optando pela locação em vez da aquisição. Embora o sonho da casa própria persista, ele perdeu força entre os mais jovens. Em Lajeado, o setor é altamente competitivo, com cerca de 150 imobiliárias e mais de 800 corretores, além de profissionais de cidades vizinhas. O principal desafio está no equilíbrio de custos operacionais e na dificuldade de contratação de mão de obra.
Juros altos afetam compra, crédito e negociação?
Kappel – A taxa de juros é um fator decisivo para o mercado imobiliário, pois influencia tanto investidores quanto compradores. Com juros elevados, aplicações financeiras tornam-se mais atrativas que imóveis, reduzindo o interesse por investimentos no setor. Ao mesmo tempo, o crédito imobiliário encarece e diminui o poder de compra, já que o valor financiado cai para uma mesma parcela. Nesse cenário, aumenta o poder de barganha dos compradores, com negociações mais flexíveis. Programas subsidiados, como o Minha Casa Minha Vida, ganham relevância, especialmente com a ampliação do teto para até R$ 600 mil. Em imóveis de maior valor, cresce o parcelamento direto entre compradores e vendedores, como alternativa ao crédito tradicional.
É o momento para investimentos imobiliários?
Kappel – O cenário atual é visto como oportuno para entrar no mercado imobiliário, diante da expectativa de queda da Selic para 12,5% até o fim do ano. O momento ainda permite preços mais atrativos, maior poder de negociação e tende a estimular investimentos e o crédito.
Indicadores
- Dólar: R$ 5,15
- Ibovespa: 188.052,02