O que cidades como Camaquã, São Gabriel, Venâncio Aires e Santa Rosa tem em comum? Há 25 anos, todas tinham uma população superior a de Lajeado. Estavam numa mesma faixa populacional, a de municípios entre 55 e 65 mil habitantes, considerados de porte médio no cenário do Rio Grande do Sul.
Se, no começo dos anos 2000, Lajeado figurava neste grupo, o cenário de 2026 é bem diferente. O total de moradores deu um salto de quase 62% no período. E se aproximou de uma outra faixa populacional: a dos 100 mil habitantes. Hoje, são 96,8 mil, conforme a mais recente estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025.
O crescimento acima da média não é fruto de um único fator, mas de uma combinação de características econômicas, sociais e territoriais que colocaram o município em um novo patamar de desenvolvimento. A avaliação é da economista, mestre em Desenvolvimento Regional e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini.
Segundo ela, Lajeado se enquadra hoje no conceito de “cidade média”. Deixou de ser um município pequeno, sem alcançar a complexidade de uma capital, mas reunindo vantagens dos dois modelos. “É uma cidade com características do interior, como segurança e facilidade de acesso aos serviços públicos, mas que também oferece produtos, serviços e opções de lazer típicos de grandes centros”, analisa.
Polo de atração populacional
Essa combinação, aliada à diversidade produtiva e à centralidade regional construída ao longo da história, fez de Lajeado um polo de atração populacional. Pessoas de diferentes regiões chegam em busca de trabalho, estudo ou qualidade de vida e acabam permanecendo. “As pessoas vêm para estudar e ficam, vêm para trabalhar e ficam. Constroem carreira, família e vida aqui”, destaca.
Cíntia observa que o valor adicionado da economia local está fortemente concentrado no setor de serviços, impulsionado por uma indústria forte e por uma relação direta com o entorno agropecuário. Essa integração regional, somada à proximidade com outros grandes centros urbanos, facilita a circulação de pessoas e reforça o papel estratégico de Lajeado no Vale do Taquari.
A presidente do Codevat também chama atenção para o perfil acolhedor do município. “Lajeado se abriu para as pessoas mais do que outros municípios. Isso gerou um senso de pertencimento e diversidade muito presente hoje”, afirma, citando a presença de universidade, grandes empresas e indústrias como vetores desse movimento.
Há espaço?
Para o futuro, a perspectiva segue positiva. Há espaço para crescimento populacional e econômico, impulsionado por novos investimentos públicos e privados. No entanto, Cíntia ressalta que esse novo ciclo exigirá atenção redobrada da gestão pública. “Será fundamental investir em planejamento urbano e territorial, garantindo crescimento ordenado e qualidade de vida para todos”, pontua.
Ao celebrar os 135 anos de Lajeado, ela destaca o desafio de construir uma cidade mais sustentável, resiliente e inclusiva. “Lajeado já demonstrou capacidade de se recuperar e se reinventar. Tenho certeza de que reúne as condições para enfrentar os próximos desafios e seguir como referência regional”, conclui.

