Parceria garante retomada integral no frigorífico da Languiru

ECONOMIA

Parceria garante retomada integral no frigorífico da Languiru

Até o fim do mês serão abatidos 150 mil frangos por dia na unidade de Westfália. Município comemora geração de emprego e renda, enquanto cooperativa organiza contas para renegociar dívidas

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Parceria garante retomada integral no frigorífico da Languiru
Para funcionamento integral dos abates, serão contratados mais 240 funcionários. Até o fim do mês, serão 600 trabalhadores. (Foto: Ezequiel Neitzke)
Vale do Taquari
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Operação nos turnos da manhã e noite, mais de 600 trabalhadores formais em atividade, volta da marca Languiru ao mercado e prestação de serviços para a JBS. Esses são os objetivos da cooperativa até o fim do mês na unidade de Westfália.

A primeira etapa começou ontem, com contratações de funcionários. Conforme o presidente liquidante, Paulo Birck, a data é significativa pois representa o trabalho com toda a capacidade de produção da indústria. “Até o fim do mês, estaremos 100%, com 150 mil abates de aves por dia.”

De acordo com ele, as contratações de 240 operários visam chegar a essa marca. Em um primeiro momento, é exigido treinamento. “Temos um processo a cumprir por força de lei. É um momento importante, pois vamos sair de uma etapa de despesa para termos resultados.”

Para alcançar a capacidade máxima no frigorífico, foi estabelecida uma parceria com a JBS. “Por meio da prestação de serviço, a planta terá 125 mil abates por dia com o rótulo da JBS. Pela Languiru, serão 25mil\dia”, diz Birck.

Outro fator positivo é a certificação internacional, tanto para a Languiru quanto para a JBS. Toda a produção da planta de Westfália pode embarcar para mercados internacionais, como para o Chile, Filipinas e para a China.

Recuperação da cidade

Por muitos anos a Languiru foi a principal geradora de emprego, renda e produção de Westfália. Com a crise financeira na cooperativa, toda a economia do município foi atingida, diz o prefeito, Jacir Docena.

“Perdemos em três escalas. Foi na arrecadação de ICMS pela interrupção da indústria de aves. Em seguida no alojamento de animais com os nossos produtores rurais. Por fim, no comércio e nos serviços no centro. Os associados da Languiru, que faziam a economia girar, tiveram perdas e pararam de gastar na cidade.”

De acordo com ele, foram no mínimo seis meses de penúria. Na busca por um novo arranjo produtivo e de empreendimentos, a população de Westfália precisou se adaptar. “Acredito que agora o pior já passou”, diz.

A retomada integral da produção no frigorífico é mais uma etapa dessa nova realidade local. “Aos poucos vamos superar. Ainda não sabemos o quanto perdemos, pois o retorno do ICMS do ano passado ainda não veio. Mas já para 2025 vamos conseguir reaver parte do rombo”, acredita Docena.

O otimismo também aparece na população, em especial devido a abertura dos postos de trabalho. Nas contratações de ontem, estava Simone Maria Klein, 33. Natural de Westfália, se inscreveu para a vaga no Serviço de Inspeção (SIF), e começa já na quinta-feira. “Eu tinha pedido as contas no serviço anterior justo para vir para cá. Pois a volta da Languiru representa oportunidade de trabalho e de crescimento”, destaca.

Renegociação das dívidas

No dia 11 de julho está marcada assembleia geral de credores da Languiru. Conforme o presidente liquidante, será apresentada a lista final e o plano de pagamento. “Vamos mostrar para todos, de maneira muito transparente, o total da dívida e como a cooperativa pretende pagar.”

Em reunião com associados no início do ano, o valor dos juros assustou. Pelos cálculos, seriam mais de R$ 410 mil por dia. A liquidação autorizada pela Justiça possibilitou uma reorganização das atividades produtivas e congelamento das dívidas, diz Birck.

“Nosso foco agora é baixar os juros. Não tem como assumir nestas condições. É o nosso grande desafio. O que adianta mantermos produção, elevarmos nossa atividade produtiva e ter despesa de R$ 10 milhões por mês. Seria inviável. Não há fluxo de caixa que aguente um juros deste tamanho.”

Segundo Birck, com o trabalho integral em Westfália, o retorno do incubatório a partir de parceria com a Carrer, e a futura retomada da suinocultura no frigorífico de Poço das Antas, a tendência é fechar o ano com saldo operacional positivo.

Abate de suínos

Em outra frente, corre na Justiça a venda da unidade de suínos em Poço das Antas. Por se tratar de um processo complexo, a expectativa é que o negócio demore para se confirmar, algo de 18 até 24 meses.

“Não podemos deixar o frigorífico parado neste tempo. Isso degradaria demais a planta”, ressalta Birck. Em cima disso, a Languiru e a JBS (interessada na compra da unidade), tratam da expansão da parceria para prestação de serviços.

Funcionaria no mesmo molde de Westfália, em que a cooperativa assume como prestadora do serviço. A planta de suínos é uma das mais completas da Região Sul do país, com local para abate, desossa, cortes especiais, embutidos e estoque, com capacidade de processar 1,7 mil suínos por dia.

Outra possibilidade é o arrendamento da planta pelo tempo em que corre o processo para venda do patrimônio.

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