Região vive expectativa de reconectar cidades

PONTE DE FERRO

Região vive expectativa de reconectar cidades

Pouco mais de um mês depois ser parcialmente destruída pela enchente do Rio Forqueta, estrutura histórica está na reta final da reforma, após içamento do novo vão, e pode ser liberada para o tráfego de veículos neste domingo. Trabalhos duraram duas semanas

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Região vive expectativa de reconectar cidades
Içamento do novo vão da Ponte de Ferro foi concluído na tarde dessa sexta-feira, 7. (FOTOS: FÁBIO KUHN)
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Trinta e nove dias separam o 2 de maio do 9 de junho de 2024. Da destruição causada pela fúria do Rio Forqueta à retomada de uma das mais importantes rotas da região. Patrimônio histórico do Vale do Taquari, a Ponte de Ferro deve ter sua reforma finalizada neste domingo, 9, e há possibilidade da liberação do fluxo de veículos ocorrer na mesma data.

A obra, capitaneada e custeada pela Lyall Construtora e Incorporadora, contou com apoio de empresas parceiras e ganhou o suporte da comunidade. Foram 15 dias de trabalhos ininterruptos, tanto nas imediações do rio quanto na sede da Altari, em Estrela, onde foram soldadas as peças que compõem a travessia reestruturada.

Estimada em R$ 2 milhões, a reconstrução do monumento histórico restabelece a tão aguardada ligação por terra entre Lajeado e Arroio do Meio. Desde a enchente histórica de maio, ir de uma cidade para outra se tornou um desafio para motoristas, que precisam utilizar rotas alternativas. Para pedestres, as passadeiras do Exército minimizaram os transtornos.

A instalação do novo vão da ponte foi concluída na tarde dessa sexta-feira, 7, em uma mobilização histórica. O içamento foi feito pela Guinchos Sansão, uma das parceiras na reforma. Também ocorreu o reposicionamento da estrutura no Forqueta, com aterro feito pelo governo de Lajeado.

Todo o trabalho teve acompanhamento de equipes do Corpo de Bombeiros Militar. A finalização da travessia ainda depende da colocação de 42 toneladas de madeira. Depois, a liberação ainda passa por testes de carga e de autorização dos órgãos competentes.

Rapidez

O resultado da execução da reconstrução da Ponte de Ferro é fruto de uma equipe preparada para enfrentar os desafios, destaca o diretor da Lyall, Roberto Lucchese. “Todos os envolvidos nessa obra estão preparados para isso, não estão aqui sem querer. São as pessoas ideais para estarem aqui”, frisa.

Lucchese ressaltou a rapidez como um fator crucial para salvar vidas e voltou a afirmar que não se trata de uma obra pública ou privada. Citou, ainda, a complexidade da reconstrução e expressou confiança na conclusão bem sucedida, com destaque para testes de carga rigorosos e a colocação segura das madeiras, garantindo a segurança dos usuários da ponte.

A liberação será feita após a certeza da segurança de travessia, mesmo que estenda o prazo de entrega. “Para nós não importa levar mais uma semana, mas garantir a segurança e não perder nenhuma vida nessa obra. Estamos em um local de risco e fazendo uma obra muito grandiosa. Estamos aqui para fazer o que tem que ser feito”.

Já o diretor da Altari, Fernando Lanius, expressou confiança no progresso do cronograma de execução da obra e destacou o papel da Guinchos Sansão, com ampla expertise em obras pelo país. “A população pode se orgulhar em saber que esta obra está sendo realizada por talentos locais”.

Diretora administrativa da Tintas Nobre – também parceira na obra – , Michele Gonçalves lembra que a sua empresa foi atingida pela enchente e sentiu a necessidade de se solidarizar à iniciativa. “Não pensamos muito e acreditamos no projeto. Primeiro você acredita e depois faz acontecer”, destaca.

Reconexão

Créditos: ALDO LOPES

O prefeito de Arroio do Meio, Danilo Bruxel aguarda com ansiedade pela liberação do tráfego de veículos na estrutura. Nessa sexta, ele esteve acompanhando a movimentação de içamento da estrutura e comemorou a mobilização encampada pela iniciativa privada, conectando novamente as duas cidades.

“Após mais de um mês, estamos visualizando uma solução momentânea. Não é uma solução definitiva para os municípios, pois precisamos de uma ponte que também garanta receber matéria prima e escoar a produção. Mas tendo uma para carros pequenos já teremos uma grande solução para deslocamento das pessoas”, celebra.

Já o prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, se referiu à reconstrução da ponte como um “símbolo marcante” e que enche a região de emoção e otimismo. “Em menos de 40 dias, a comunidade uniu esforços para desenvolver várias alternativas e processos, visando restabelecer a conexão vital entre as regiões baixa e alta do Vale”, salientou.

Caumo atribuiu o mérito da iniciativa ao setor privado, destacando o engajamento e a determinação das empresas envolvidas. Ele reforça que o poder público atuou apenas como suporte e reconheceu o papel crucial dos indivíduos e organizações que buscaram soluções.

Quase cem anos de história

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