Empresas atingidas projetam recomeço

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Empresas atingidas projetam recomeço

Quase um mês após o início da crise provocada pelas enchentes, empresários restabelecem negócios

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Empresas atingidas projetam recomeço
Cheia do Rio Taquari atingiu a Rhodoss. Indústria prepara retomada da produção. (Foto: DIVULGAÇÃO)
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Com parte do estado ainda sofrendo com as inundações, as empresas no Vale do Taquari restabelecem seus negócios e projetam o futuro. As organizações atingidas se dividem entre reestruturar as sedes afetadas com novas medidas de prevenção ou mudar de endereço para fugir das cotas de inundação.

As estimativas da Fecomércio-RS apontam uma perda de R$ 10 bilhões em ativos em razão das cheias no Rio Grande do Sul. Os prejuízos patrimoniais calculados contemplam estoque, maquinário, mobiliário e instalações. Feito com base em imagens de satélite, o estudo aponta 33 mil estabelecimentos diretamente afetados pelos alagamentos nos setores de comércio, serviços e indústria.

O levantamento não inclui micro e pequenas empresas que funcionam em domicílios residenciais, nem municípios que sofreram maior impacto de enxurrada do que de alagamentos. Conforme a Fecomércio-RS, mesmo empresas que não tenham sido atingidas diretamente pela enchente enfrentam impactos da crise – devido a ausência de insumos, água, energia elétrica, mão obra e infraestrutura logística. Por isso, a entidade estima uma perda de R$40 bilhões no PIB gaúcho.

Diante desse cenário, a Federação e demais entidades representativas do setor empresarial pleiteiam ações governamentais que ajudem no restabelecimento dos negócios. Enquanto as iniciativas do poder público ainda não se concretizam, as empresas se restabelecem como podem para garantir a manutenção do emprego e da renda no Estado.

Nova sede marca retomada das Lojas Dullius

Lojas Dullius abriu novo centro de distribuição e sede administrativa após danos pelas cheias. (Foto: Pedro Rodrigues)

Um dos símbolos do recomeço do setor empresarial foi a inauguração do Centro de Distribuição das Lojas Dullius. O antigo CD da empresa, em Cruzeiro do Sul, sofreu com quatro enchentes nos últimos oito meses. Na mais grave, no início de maio, a água ocupou totalmente o local, que foi sede da empresa por 40 anos.

O novo espaço foi inaugurado na sexta-feira, dia 17. Localizado no bairro Cascata, em pavilhão onde funcionava a antiga Incapel, a estrutura de 3,2 mil metros quadrados representa a continuidade da empresa em uma das cidades gaúchas mais prejudicadas pela crise climática.

CEO da Lojas Dullius, Claudir Dullius afirma que a mudança simboliza o início de um novo ciclo de crescimento para a empresa, que continua apostando nos potenciais do Vale do Taquari. “O que vivemos foi doloroso, mas é preciso continuar.”

Reinício com planos de mudança

Diretor das empresas Rhodoss Implementos Rodoviários e Dinna Explosivos e Desmonte de Rochas, Nilto Scapin viu as duas empresas serem alcançadas pelas águas do rio Taquari. Localizada na barranca do Rio Taquari, a fábrica de implementos sofreu os maiores estragos, mas tão logo as águas baixaram foram iniciados os trabalhos de recuperação.

Conforme Scapin, a produção na Dinna não foi diretamente afetada e a expectativa é de reativar os trabalhos da Rhodoss a partir da próxima semana. “Estamos limpando, lavando e arrumando o que é possível com o objetivo de retomar totalmente as atividades em junho.”

Segundo ele, mesmo sem acreditar em uma nova enchente de grandes proporções nos próximos períodos, a fábrica de implementos será realocada. “Vamos operar no mesmo local por um período, mas pretendo tirar a fábrica de perto do rio.”

Novo endereço após 26 anos

Pioneira no segmento em Lajeado, a Free Viagens e Turismo atuou por 26 anos no mesmo endereço, na avenida Benjamin Constant. Duramente afetada pelas enchentes de maio, a empresa já prepara mudança para nova sede, na sala 906 do edifício Hickman Select.

CEO da agência de viagens, Vera Riediger afirma que a mudança representa oportunidade de crescimento, apesar dos prejuízos sofridos na antiga sede. “Estamos muito empolgados e acreditamos que esta nova casa vai nos dar muitas alegrias e ótimos negócios.”

Conforme Vera, a sala ainda não tem data para ser inaugurada e a empresa pretende utilizar a estrutura do prédio para realizar eventos para clientes, parceiros e entusiastas do setor do turismo. “Estamos muito empolgados. A Free vai seguir em frente, como fez nos momentos de maior dificuldade.”

Legado para um novo restaurante

Após danos pelas cheias, proprietários abrem novo restaurante às margens da BR-386

Após ver um dos pontos mais tradicionais de Lajeado ser invadido pela água do Rio Taquari, os gestores do restaurante iniciaram nova operação na cidade. O restaurante Vovô Garoto abriu as portas na quarta-feira, 22, às margens da BR-386, no bairro Altos do Parque.

Gerente do estabelecimento, Adriano Alberton afirma que a enchente inviabilizou o ponto em frente a praça da Matriz. O restaurante funcionou no local por 14 anos, com buffet ao meio dia, lanches e choperia no horário noturno.

Conforme Alberton, o Vovô Garoto utiliza boa parte da equipe e mantém o padrão elevado que tornou o restaurante uma das referências gastronômicas da cidade. O novo estabelecimento serve café da manhã e almoço, além de viandas. “Tanto na pandemia quanto nessa última enchente, fizemos viandas para manter as nossas atividades. É uma tendência que ficará ainda mais forte.”

Operações realocadas e investimentos mantidos

Referência em automação elétrica e energia solar fotovoltaica, a Disim, de Arroio do Meio, viu as águas do rio Taquari invadirem a antiga matriz da empresa, localizada no bairro Navegantes. De acordo com o CEO da Disim, Diego Simonetti, a antiga sede teve que ser desativada e as operações foram deslocadas para outras duas unidades.

Apesar dos prejuízos, Simonetti afirma que a empresa manterá investimentos e construirá mais dois pavilhões para comportar as operações da unidade destruída pelas águas e o crescimento planejado para os próximos períodos. “Estamos concluindo mais um pavilhão que comportará o setor administrativo e parte do operacional e, para 2025, teremos mais uma unidade”, aponta. O pavilhão que já está em obras tem conclusão prevista para o fim do mês de junho.

Prevenção no varejo, preocupação com o agro

Arla conseguiu minimizar os prejuízos na matriz em Lajeado com procedimentos de prevenção

A Arla Cooperativa conseguiu minimizar os prejuízos na matriz em Lajeado com procedimentos de prevenção. No local onde funciona a unidade de varejo da cooperativa, no Centro da cidade, os procedimentos em caso de cheia incluem o desligamento da eletricidade e a evacuação de mercadorias. Mesmo assim, diante da dimensão histórica da enchente, parte do estoque foi afetado.

De acordo com o gerente-geral da Arla, Breno Aloísio Ely, as medidas preventivas evitaram maiores prejuízos, mas a empresa projeta um redesenho da unidade. “Temos um andar acima da loja com auditório e refeitório onde vamos alocar mercadorias.”

Além disso, também está em obras o novo centro de distribuição da cooperativa, que terá espaço para alocar parte do estoque. Segundo Ely, a maior preocupação do momento está nos prejuízos sofridos pelos associados no campo. “A dor do varejo é pequena na comparação com os estragos ao agronegócio. É extremamente importante e necessário recursos oficiais para a atividade poder dar continuidade para os próximos ciclos.”

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