Escolas buscam recursos e alternativas para a reconstrução

EDUCAÇÃO

Escolas buscam recursos e alternativas para a reconstrução

Cerca de 50 instituições de ensino foram atingidas pelos temporais na região. Com danos estruturais, algumas permanecem interditadas

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Escolas buscam recursos e alternativas para a reconstrução
Emef Fernandes Vieira, em Lajeado, foi interditada. (Foto: BIBIANA FALEIRO)
Vale do Taquari

Pelo menos 12 escolas estaduais e 37 municipais foram atingidas pelos temporais no Vale do Taquari. Destas, algumas estruturas foram parcialmente danificadas e outras totalmente comprometidas.

Depois de serem limpas, pintadas e feitos pequenos reparos, muitas instituições voltaram a receber os alunos na última semana. Por outro lado, algumas estruturas foram interditadas.

Em oito meses, foram quatro enchentes que atingiram a Escola Estadual de Ensino Fundamental Fernandes Vieira, em Lajeado. Próxima ao Parque dos Dick, a estrutura costuma pegar água em uma cheia, mas nunca chegou ao segundo andar.

Depois da tragédia de setembro do ano passado, foi iniciada uma obra para recuperação do prédio, finalizada em março. Mas a nova enchente histórica cobriu a escola com água outra vez, e nem o segundo piso foi salvo.

Classes e cadeiras serão reutilizadas. Mas muitas portas, janelas, forros, além do pátio e dos muros da instituição foram destruídos. “Foi feita a vistoria do estado, e interditaram a escola. Agora, temos que desocupar o prédio para a empreiteira que vai assumir a obra”, conta a diretora Rosângela Petter Mello.

No momento, dos 300 alunos matriculados, alguns pediram transferência. Outros permanecem sem aulas. Muitos, inclusive, que também estão nos abrigos. “O luto deles é duas vezes, a escola e a casa”, lamenta a diretora.

Em Arroio do Meio, a Eeem Guararapes
teve parte da estrutura danificada

Para recomeçar

Os governos, sejam municipais ou estadual, trabalham em planos de ação para recuperar as instituições. No caso do estado, foram elaborados decretos que orientam as mantenedoras e instituições. Pelo documento, as escolas não precisam cumprir o calendário dos 200 dias letivos, mas sim atender a carga horária de 800 ou 1 mil horas, conforme a especificidade: Ensino Fundamental ou Médio, podendo ser de forma híbrida.

Além disso, cada escola organizará, em conjunto com a 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), um calendário de acordo com sua realidade e demanda. Até essa terça-feira, 21, das 82 escolas estaduais, 61 retornaram com atividades.

Em comunidade

Em setembro de 2023 foi a primeira vez que a Escola Estadual de Ensino Fundamental Moinhos, de Estrela, foi atingida pelas cheias. Em novembro do ano passado e maio de 2024, a água invadiu a estrutura outra vez.

Até então, quando ocorria uma enchente no município, a escola servia como abrigo. “Ficamos tristes, porque é uma escola importante na comunidade”, destaca a diretora Beatriz Reckziegel.

Ela conta que a instituição havia recém passado por uma reforma. “Agora, arrebentou a porta da frente e uma janela, porém, a gente vê que a estrutura física, o prédio em si, não foi muito afetado. Estamos aguardando a análise técnica”.

Beatriz ainda lamenta a destruição do bairro Moinhos e diz que 100% das famílias da escola foram atingidas pelas cheias.

Demanda

Coordenadora da 3ª CRE, Cássia Benini se reuniu com diretores das escolas na tarde de segunda-feira, 20, para debater as necessidades de cada instituição. Só nas escolas estaduais, são mais de 2 mil alunos atingidos. Ela afirma que há muitos cenários diferentes pela região, e é elaborado um plano para a recuperação de cada unidade.

A Escola Moinhos, por exemplo, já se reuniu com os professores para iniciar um trabalho pedagógico com seus alunos que estão nos abrigos municipais. Cássia afirma que cada escola terá seu calendário escolar próprio.

“Por isso as escolas estão fazendo um acolhimento. Mas as aulas só vão voltar no momento em que a estrutura permitir”. Ainda não há estimativa do valor investido nas obras. Escolas da rede privada também foram atingidas.

Instituições atingidas

  • LAJEADO
    – Cantinho Infantil, no Universitário, não voltou com berçário por falta de profissionais.
    – Escola de Educação Infantil Risque e Rabisque, no Centro, apresenta danos estruturais, com perda de mobiliário e equipamentos.
    – Emef Alfredo Lopes da Silva, no Morro 25, apresenta danos estruturais e perda de mobiliário e equipamentos.
    – Projeto Vida São José, no Centro, foi atingido com perda de mobiliário e equipamentos.
  • TAQUARI
    – Emef Timótheo Junqueira dos Santos, no Rincão, precisa de manutenção na rede elétrica, feira por uma equipe de Santa Rosa.
    – Emei Paulo Freire, no bairro Praia, está com aulas suspensas. A previsão é retomar as aulas na próxima segunda-feira.

     

  • ARROIO DO MEIO
    – Emef Construindo o Saber totalmente atingida. Os alunos foram realocados para a Emef Barra do Forqueta.

     

  • BOM RETIRO DO SUL
    – Emef Genny de Souza da Silva apresenta danos estruturais. Os 120 alunos foram realocados em outra escola.
    – Emef Anita Ferreira de Moraes, com pequenas perdas.
    – Emei Álvaro Haubert, parte da estrutura danificada.

     

  • ROCA SALES
    – Emef Sagrada Família (enxurrada)
    – Ecei Primeiros Passos (totalmente atingida)
    – Emei Cantinho da Amizade (parcialmente atingida)
    Aulas continuam suspensas até dia 24/05. Será feita nova avaliação durante a semana.

     

  • VENÂNCIO AIRES
    – Emei Frederico Closs vai ganhar novo prédio. A estrutura foi danificada. Alunos foram realocados para outros educandários, até que nova sede esteja pronta.

     

  • ENCANTADO
    – Quatro emeis inundadas e duas afetadas pelas fortes chuvas (Centro Municipal de Educação e Emei Imigrante). Outras quatro escolas serviram de abrigo para as famílias.

     

  • ESTRELA
    – Emef Leo Joas foi totalmente atingida. Uma área no mesmo bairro está sendo estudada para que nova unidade possa ser erguida.
    – Emef Cônego Sereno Hugo Wolkmer com estrutura danificada.
    – Cinco Emeis.

     

  • CRUZEIRO DO SUL
    – Oito escolas atingidas. Quatro escolas nos bairros Passo de Estrela e Zwirtes, sem a possibilidade de retorno. Cerca de 800 alunos estão fora das unidades de ensino.

No estado

  • Eeem Guararapes, Arroio do Meio (parcial)
  •  Eeem de Colinas (parcial)
  • Eeef Itaipava Ramos, de Cruzeiro do Sul (parcial)
  • Eeef Antônio de Conto, de Encantado (total)
  • Eeef Domenico Vicentini, de Encantado (parcial)
  • Eeeb Padre Fernando, de Roca Sales (total)
  • Eeef Moinhos, de Estrela (total)
  • Eee Profissional Estrela, de Estrela (parcial)
  • Colégio Estadual Castelo Branco, de Lajeado (parcial)
  • Eeef Fernandes Vieira, de Lajeado (total)
  • Eeem Souza Doca, Muçum (parcial)
  • Eeem de Forquetinha (parcial)

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