O que o Vale precisa fazer daqui para frente

Opinião

Adair Weiss

Adair Weiss

Diretor Executivo do Grupo A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

O que o Vale precisa fazer daqui para frente

Por

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

De todas as urgências, devolver a digna moradia às famílias desalojadas é a mais premente. Sem esta condição, a violência e a criminalidade tendem alcançar picos inimagináveis na região. Isso também refletirá na ausência de profissionais no trabalho e dos estudantes na escola. Quando existe um lar para voltar, a vida se ajeita.

Urge realocar as famílias, mas sem cometer os erros do passado. Devemos restringir os espaços para ocupação urbana, sob pena de sofrermos tudo outra vez.

Outro passo importante é mobilizar os empreendedores. Primeiro, para não desistirem, depois apoiá-los e buscar alternativas para crédito financeiro acessível. Nenhum empreendedor quer algo de graça, quer apenas condições viáveis para seguir o seu negócio. Para isso, linhas especiais, nas quais o governo precisa dizer a que veio e interceder via BNDES, etc. As cooperativas de crédito também devem sacrificar suas margens neste período. Sem isso, o desemprego e a falta de renda de parcela vital da sociedade ficará às margens. E, o PIB despencará ou, no mínimo, estancará por muito tempo. Por derradeiro, tudo isso reforça a criminalidade.

Precisamos criar um movimento consistente para qualificar mão-de-obra. Pensar na inclusão de jovens pobres, principalmente. Será uma resposta concreta à inevitável evasão de talentos e menos interesse externo que enfrentaremos. Este tema deve pautar o público e o privado. Se ergue estratégica uma ação para qualificar esta garotada das vilas e bairros carentes. Incluí-los por meio de um programa prático. Fiergs, Federasul e CIC devem se debruçar, incansavelmente.

Nossa vulnerabilidade na infraestrutura foi desnudada nestas enchentes. Ficamos sem luz, sem comunicação, sem água e sem mobilidade. Viramos ilhas, da noite para o dia, às escuras, sem comida, sem água e sem eco. Não fosse o rádio a pilha, muitos mais teriam sucumbido com a vida. Francamente, não pode ser assim.

Criar alternativas e, literalmente, construir novas pontes, mais altas e em locais seguros. Sem este horizonte, seremos pouco atraentes aos olhos de empreendedores locais, tão pouco aos externos. Ferrovia e um aeroporto regional, além de pequenos aeródromos para pousos emergenciais – como em Doutor Ricardo – se incluem nesta pauta.

Novos desastres virão. E o risco de repetir e ampliar os prejuízos reforça nossa preocupação para criar um plano eficiente de contingência e prevenção, urgente. Precisamos nos valer de mecanismos externos e internos, sobretudo, decidir fazer. Menos discurso e mais ação.

A dragagem para limpar o leito dos nossos rios e arroios se impõe vital. Um plano sustentável deve orientar a iniciativa privada para entrar nisso. Os ambientalistas precisam ser parceiros e mostrar como fazer. Não atrapalhar. Afinal, os leitos dos nossos mananciais estão cheios de lixo corrosivo e maléfico para nossas águas que captamos para o consumo.

Por último, necessitamos criar unidade de articulação regional. Nossos líderes precisam deixar de lado os egos e vaidades. Infelizmente, eles ainda persistem. Pessoalmente, me incomoda muito, ao ponto de já ter pensado em expor publicamente quem insiste e prioriza a “espetacularização do eu”. Espero que não seja necessário fazê-lo. Conveniamos.

Precisamos de unidade de ação, inclusive, para pressionar, desburocratizar e cobrar. Podemos divergir nas ideias e pensamentos, mas devemos exaurir diferenças e promover acordos estratégicos, buscar apoio de todos em prol do pragmatismo e das necessidades impostas. Compreender que juntos resolveremos mais rápido os desafios desta catástrofe ambiental, política, econômica e social. Exatamente isso. Um lastro destruidor permeia todas as searas da nossa sociedade organizada depois destes fenômenos naturais que voltarão.

Reafirmo minha convicção nesta terra desbravada há quase dois séculos pelos antepassados. Aqui vieram e acreditaram, em meio a enormes desafios. Agora é a nossa vez de mostrar nossa resiliência, unidade e sabedoria.

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