“A depressão é confundida com a tristeza”, diz médico psiquiatra

ENTREVISTA | A HORA BOM DIA

“A depressão é confundida com a tristeza”, diz médico psiquiatra

Olivan Moraes esclarece que o sintoma é categorizado como anedonia, a falta de prazer em atividades que costumava ter

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“A depressão é confundida com a tristeza”, diz médico psiquiatra
Foto: Rodrigo Gallas
Lajeado

Atitudes e rotinas podem ser adotadas para prevenir a depressão, doença a qual se alastra em praticamente todo país e mundo afora. Alguns fatores contribuíram para que tivesse um aumento de situações como, por exemplo, a pandemia da covid-19 e o uso excessivo das redes sociais. Conforme o médico psiquiatra, Olivan Moraes, em participação no programa A Hora Bom Dia da Rádio A Hora nesta quinta-feira, 11, esclarece que o nome usado de depressão é genérico.

“A palavra depressão é usada para que possamos nos entender em todos os meios e, sabemos que através do nome, dentro da prática clínica, dentro dos critérios diagnósticos da medicina, dentro da psiquiatria, temos várias entidades clínicas, desde o transtorno depressivo maior ou os episódios depressivos moderados a leves, enfim, temos categorias, classificações.”

É muito comum ouvir seguidamente falar sobre tratamento e, culturalmente, a pessoa costuma buscar auxílio, ajuda médica quando a situação já está instalada. “Começaram os sintomas, percebo que está diferente, percebo que as coisas já não são mais como eram, ou um familiar, um colega de trabalho nos dá um toque, parece que você não está bem e precisa de ajuda, às vezes, entre esse momento e realmente buscar ajuda, se convencer de que as coisas não estão bem, leva um tempo.”

A depressão não é uma preocupação de agora, mas de anos atrás, diz o especialista. “Estudos de 1969 explicam que fatores estressores como briga familiar, perda de familiar próximo, doença grave própria ou de familiar, a conclusão é de que se pudesse ter habilidades de lidar melhor ou evitar esses estressores seria um dos fatores protetivos, mas isso depende de cada um, da composição genética, questões culturais, a forma como enxergo as coisas, isso é bem importante.” 

Como surge a doença

Por muito tempo e, ainda hoje, grande parcela da população acredita que a doença é evitável. “A depressão é uma doença neuropsíquica, basicamente tratada pelo especialista psiquiatra. É uma condição neuroquímica. Não é um quadro criado pela pessoa e um dos principais fatores é o genético. Familiares de primeiro grau que tiveram episódios depressivos aumentam as chances, além do uso de substâncias lícitas ou ilícitas, questões relacionadas ao sono, alimentação – alimentos hipercalóricos, de baixos nutrientes, principalmente o açúcar refinado, a farinha. O que não podemos é culpabilizar alguém por ter a doença”.  

Sintomas de um depressivo 

O especialista esclarece que no dia a dia a depressão é confundida com a tristeza. “A pessoa precisa ter um humor triste, cabisbaixo, persistente na maior parte dos dias e das horas do dia, então, não é algo oscilante, tão variável, embora que num mesmo dia possa me sentir melhor”. Ele complementa alertando que o sintoma é categorizado como anedonia, a falta de prazer em atividades que costumava ter. “Uma caminhada, por exemplo, algo saudável, simples, fácil, muito recomendável, mas historicamente não era algo que o paciente gostava e talvez, nesse momento em que se encontra doente, seja pior, acaba sendo um sacrifício”. 

Para quem tem histórico familiar ou percebe indícios de depressão, Moraes ressalta que é algo muito parecido para a saúde física geral. “Se a gente tem um histórico familiar que nos permite imaginar que somos mais suscetíveis a alguma doença, independentemente de ser mental ou física, é preciso se blindar com a rotina básica de horas de sono, não se expor a substâncias, dentre elas, podemos citar o uso de redes sociais de forma exagerada”. 

Além disso, ele explica que a ausência de exercício físico não tem uma relação de causalidade com depressão, não necessariamente por não fazer, a pessoa terá depressão, mas o fazer previne, pois consegue se associar a várias das teorias como, as inflamatórias, por exemplo. “O exercício seja qual for vai estar associado a um mecanismo de proteção. A musculação nos protege para várias doenças, para velhice, formação de massa óssea, osteoporose”.  

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