Empresária se escondia das equipes de busca em Teutônia, diz BM

CASO Daniela Moraes

Empresária se escondia das equipes de busca em Teutônia, diz BM

Ao mesmo tempo, deixava rastros pelo caminho para a polícia localizar, relata comandante do 40º BPM, tenente-coronel Fabiano Dornelles

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Atualizado quarta-feira,
14 de Fevereiro de 2024 às 14:27

Empresária se escondia das equipes de busca em Teutônia, diz BM
Daniela Cristina Guterres Moraes foi encontrada nesta terça-feira e encaminhada ao hospital (Foto: BM / divulgação)
Teutônia
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Após 13 dias desaparecida, empresária Daniela Cristina Guterres Moraes, 34 anos, foi encontrada na última terça-feira, 13, e está internada no hospital Ouro Branco, em Teutônia, onde recebe atendimento médico. Esclarecimentos sobre o caso foram repassados pelo comandante do 40º BPM, tenente-coronel Fabiano Dornelles, em entrevista ao programa O Vale em Pauta desta quarta-feira, 14.

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Conforme o policial, a família esteve no quartel da Brigada Militar no dia em que a empresária desapareceu e, de imediato, foram iniciadas as buscas. Dornelles destaca a eficácia do sistema de videomonitoramento de Teutônia e o uso da inteligência artificial. Com a tecnologia, foi possível identificar os pontos onde Daniela foi vista. “Sabíamos que ela não estava na área urbana.”

A partir dessa informação, foram buscadas imagens particulares no trajeto inverso ao centro. “No serviço de inteligência tivemos êxito com imagens dela em passos acelerados em direção a um milharal vestindo trajes nada adequados para aquela ocasião.” Ele reforça que ela se encontrava sozinha, com impressão de estar fugindo de alguém, e com celular na mão. A partir deste momento, buscas foram iniciadas no mato.

Foram acionadas equipes dos bombeiros e polícia direcionada somente para o trabalho. Drones auxiliaram na força-tarefa. “Os dias foram intensos”, lembra o comandante. No dia 6, os agentes localizaram um cartão de crédito da irmã dela, aumentando a curiosidade das equipes e a expectativa de encontrá-la numa área que compreendia 5 km de mato com plantações.

“Obtivemos êxito, após 13 dias, estava chovendo, ela se molhou e resolveu sair do mato. Circulou no bairro Boa Vista, em Teutônia e, andando por lá, uma moradora reconheceu a empresária. Ela a chamou para sua casa, ofereceu café e alimento e, em seguida, acionou a Brigada Militar.”

Chegando no endereço, foi constatada que a mulher era a Daniela, muito desidratada, desorientada e, imediatamente foi conduzida para o hospital onde recebeu hidratação, alimentação para que pudesse recuperar suas energias. Além disso, está sendo acompanhada por psicólogos e assistência social.

Dornelles ressalta que a saúde mental é tão importante quanto a física. “O celular é algo que afasta quem está próximo e aproxima quem está longe.” E complementa: “Houve um desgate muito grande, por pouco ela não morreu. Sem se alimentar, sem água, sem condições apropriadas para sobreviver”.

Ainda sem o laudo médico, o comandante alega que ela está desorientada e com conversa desconectada da realidade. “Ela pegou os cartões da irmã e saiu largando aos poucos no mato para que tivéssemos pistas e pudesse encontrá-la e, ao mesmo tempo, disse que via os drones, ouvia os gritos e tentava se esconder. Ela não tinha noção das atitudes, com pensamento de perseguição, consequências de abalos psicológicos.”

Segundo informações, Daniela apareceu com outro sapato, diferente do que ela foi vista entrando no mato. Em conversa com a polícia, alegou ter encontrado um chalé e trocou de sapato permitindo que ela conseguisse andar mais, pois os pés estavam machucados. “Tentou comer milho, mas como estava duro não conseguiu. Encontrou um córrego e bebeu bastante água, mas nos demais dias, ficou sem. Ela falou que deixou sangue numa árvore para que identificassem o DNA dela.”

Foi um trabalho árduo que envolveu diversas pessoas. Os bombeiros utilizaram cães treinados para encontrar pessoas vivas, e nos últimos dias, foram iniciados os trabalhos com cães para identificar pessoas mortas. “Devido ao tempo de desaparecimento, por falta de alimentação e água, ela poderia não estar mais viva, mas o organismo dela é bom e suportou.”

Dornelles afirma que a empresária está abalada, sente dificuldades para dormir e está com medo. “Nos próximos dias, esperamos que ela possa voltar ao normal e lembrar de todos os fatos.”

Acompanhe a entrevista na íntegra

 

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