“O esporte tem o poder de transformação social”

ABRE ASPAS

“O esporte tem o poder de transformação social”

Gilberto Gewehr, o Beto, 45, é idealizador do projeto Estrelas do Futuro, que trabalha com cerca de 300 crianças há quase sete anos. O projeto tem como viés a formação de cidadãos por meio do futebol

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“O esporte tem o poder de transformação social”
Foto: Jhon Tedeschi
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Como foi sua trajetória junto ao esporte?
A nossa família sempre teve esse laço com o esporte, meu avô foi centroavante do Estrela Futebol Clube, meu irmão mais velho foi presidente. Fui filho de um pai que se importava com a nossa formação e sabia que o esporte é fundamental para o caráter. Com essa experiência pessoal dentro de casa, veio a ideia de seguir na área do esporte. Na minha família, todo mundo é advogado e eu também comecei a fazer a faculdade de direito. Mas, depois que fui para os Estados Unidos, fiquei muito tempo sozinho lá, repensei sobre minha vida e vi que realmente gostaria de passar adiante aquilo que nos ensinaram no esporte.

E como surgiu o projeto Estrelas do Futuro?
Eu trabalho na área do esporte há 22 anos. Em 2016 resolvi fundar minha própria empresa, visando um pouco mais daquilo que eu estava habituado, que eram as escolinhas de futebol, mas criando um fato novo, mais voltado para a formação. A maioria quer competir, quer ganhar e acaba esquecendo a maioria dos meninos que buscam o projeto para se educar. Então, o Estrelas do Futuro foi fundado em 2017 com essa visão, de ser uma referência de esporte no sentido educacional, com atendimento especial as famílias. Todo mundo que participa do projeto tem sua vida escolar apoiada de alguma forma. Fora a importância do desenvolvimento no esporte para poder aprender aquilo que é importante na vida: saber trabalhar em equipe, socializar com os demais, saber se frustrar e saber que o erro faz parte, ter bom rendimento escolar. É todo um acompanhamento, onde nos preocupamos com a formação da criança em um âmbito geral.

Na sua avaliação, qual a influência social de um projeto como este?
O maior combustível que nós temos como professores é ver uma criança se desenvolvendo, se transformando. O esporte tem esse poder e tu não precisa de muitos anos para ver o resultado. Às vezes depois de três, quatro meses, tem mães que já ligam agradecendo, falando sobre como o filho mudou. Nós damos um choque de realidade, percebemos as falhas que eles têm em termos de comportamento.

Quais as maiores barreiras desta diferença de gerações?
Costumo falar muito para os meus alunos que, independente do tempo que tu vive, da tecnologia que tu está inserido, existe uma rotina saudável para o corpo de uma criança. É hora para dormir, hora para acordar, o que se alimentar, o tempo útil para ficar na tela de um celular para não prejudicar a visão e a parte mental. Sabemos que a tecnologia influencia muito. Eu sempre digo no projeto que eles têm que fazer mais o que precisam e menos o que querem. Fazendo mais o que precisam, no futuro eles vão ter dinheiro e condições para fazer o que querem. Essa correlação eu procuro fazer, porque a vontade de uma criança é passar o dia comendo doce, é passar o dia sem fazer nada, é passar o dia sem responsabilidades.

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