Narrativas políticas diferentes da realidade

Opinião

Filipe Faleiro

Filipe Faleiro

Jornalista

Narrativas políticas diferentes da realidade

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Sob o véu dos discursos, o Estado e o governo federal apresentam enredos que parecem distantes das verdadeiras soluções para a sociedade, mais próximos de um teatro de sombras do que de ações resolutivas.

No cenário estadual, a tentativa de justificar o aumento de ICMS de 17% para 19,5% através de uma dispendiosa campanha revela um esforço exacerbado para persuadir a população sobre a necessidade fiscal.

Contudo, ao ser confrontado com a resistência da Assembleia Legislativa, o governo recua, mas não sem antes contemplar os grandes conglomerados midiáticos com os milhões desembolsados. A solução, no entanto, é apenas um contorcionismo retórico: um decreto elevando os impostos a partir de primeiro de abril.

Já na esfera federal, a narrativa da aproximação entre o governo e os empresários atingidos pelas enchentes no Vale do Taquari revela-se como um espetáculo vazio de ações efetivas. A convocação dos empresários para uma reunião no Rio de Janeiro, sem a presença dos representantes federais na data marcada, escancara a desconexão entre discurso e prática.

O BNDES, protagonista da reunião, limita-se a expor linhas de crédito já conhecidas, deixando claro que para juros subsidiados, apenas o governo federal tem a chave. Um ciclo vicioso que beira o absurdo.

Ambas as narrativas políticas, estadual e federal, parecem estar mais preocupadas em teatralizar a busca por soluções do que efetivamente resolvê-las. Enquanto o estado clama por um aumento de impostos em nome do futuro, o governo federal encena uma proximidade com empresários, mas sem oferecer as ferramentas necessárias para a tão alardeada retomada econômica após as tragédias. Em meio a essas histórias, a sociedade permanece à margem, testemunhando uma encenação política que muitas vezes deixa as reais necessidades em segundo plano.

O tal do cashback governamental

No debate sobre o cashback como compensação ao aumento de impostos, surgem dúvidas sobre sua eficácia, especialmente para os mais vulneráveis. O retorno financeiro proposto parece inalcançável para muitos devido a barreiras reais, como falta de acesso à tecnologia e documentos.

O aumento de ICMS, que já consome mais de 60% do salário mínimo em despesas com alimentação, impactará negativamente famílias de baixa renda, reduzindo seu poder de compra e afetando a economia local. Assim, a aposta no cashback como solução para mitigar esses efeitos parece frágil e desconectada da realidade econômica dessas famílias.

Isso sim é lamentável!

 

Com a maior cara de pau, vou me apropriar do bordão emblemático do vereador de Lajeado, Waldir Blau (MDB), para criar um quadro neste espaço. A ideia é funcionar como um selo do absurdo de alguns acontecimentos, sejam midiáticos, governamentais ou comportamentais.

Em todo o RS, os conselhos de desenvolvimento (Coredes) sofrem um esvaziamento e o grande motivo é a desidratação orçamentária. O governo do Estado mingou os investimentos para a sobrevivência dos conselhos. No Vale do Taquari não é diferente.

Isso merece o selo. Então, aí vai:

E a reforma do Castelinho?

O ano letivo está perto de começar. E a troca do telhado da maior escola pública da região, o Colégio Castelo Branco, em Lajeado, parece longe de terminar. Por enquanto, ficam as perguntas. Onde serão as aulas? Pelo que sei, o diálogo para uso da Univates ainda não começou. Bem como o pagamento do “aluguel” nos últimos meses de 2024. Neste cálculo, nem mesmo o fornecedor da alimentação escolar no primeiro mês amargou o prejuízo e ainda nada da indenização.

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