Levantamento aponta perdas bilionárias no agro gaúcho

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Levantamento aponta perdas bilionárias no agro gaúcho

Catástrofes deste ano representam R$ 57,8 bilhões no RS. Entidades reforçam a necessidade de um plano estratégico

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Atualizado terça-feira,
12 de Dezembro de 2023 às 07:58

Levantamento aponta perdas bilionárias no agro gaúcho
Enxurradas devastaram áreas produtivas próximas de rios. Programa busca recuperação do solo / Crédito: Arquivo A Hora
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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Primeiro a estiagem, depois granizo, vendaval e enchentes. Nos últimos anos a produtividade na agricultura do Rio Grande do Sul foi impactada pelos desastres naturais. Após período de seca em 2020 e 2021, a safra atual tem perdas devido ao excesso de chuva e alagamentos. Um levantamento feito pela Federação dos Trabalhadores na Agricultores (Fetag-RS) aponta que entre 2020 e 2023 são R$ 136 bilhões de prejuízos no setor.

As catástrofes deste ano representam R$ 57,8 bilhões que os agricultores deixaram de receber pelas produções nas lavouras, após ciclones e chuvas que arrasaram as produções em diferentes regiões do Estado, especialmente no Vale do Taquari onde plantações foram atingidas pelo granizo, vendaval e excesso de chuvas. O levantamento considera todas as cadeias produtivas e o potencial de colheita em cada um dos produtos cultivados nas áreas atingidas.

De acordo com o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, os números reforçam a dificuldade de incentivar a permanência dos jovens no campo e a continuidade das atividades pelos produtores rurais de meia idade. A estimativa é que 70% dos agricultores familiares tenham mais de 45 anos. “A agricultura familiar é uma das mais prejudicadas, pois os prejuízos representam um percentual grande da arrecadação ou estrutura das propriedades. Foram 11 ciclones além da seca. As perdas superam muitas vezes o orçamento do estado para essa área”, analisa.

Silva comenta que todos os envolvidos têm parcela de culpa. Desde os agricultores que não se prepararam para estes fenômenos, as entidades e o poder público, por não criar mecanismos de apoio a um dos mais importantes setores da economia do estado e do Brasil.

Planejamento estratégico

Mesmo com perdas na casa dos R$ 136 bilhões, o presidente revelou que a meta para 2024 é apresentar um planejamento estratégico com soluções estabelecidas para o poder público. Uma das metas é retomar o debate com o comitê estadual da agricultura familiar. Também fazer parte da projeção para o próximo ano ações na pecuária de corte, assistência técnica e extensão rural, agroindústria familiar, manejo e conservação do solo e água e crédito rural.

Uma das prioridades está na cadeia produtiva do leite, com uma perda anual de 30% no preço médio pago ao produtor: R$ 1,92 por litro. O custo com ração girou em torno dos R$ 2,12 por quilo. Desde 2015, a queda no número de propriedades que atuam na cadeia leiteira caiu 60,7%.

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