Economista projeta melhora no cenário nacional em 2024

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Economista projeta melhora no cenário nacional em 2024

Patrícia Palermo conversou com empresários durante a última reunião-almoço do ano da Acil. Projeções também alertam para o déficit das contas públicas

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Atualizado terça-feira,
12 de Dezembro de 2023 às 20:26

Economista projeta melhora no cenário nacional em 2024
Foto:Thiago Maurique
Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Baixa da inflação e queda da taxa de juros. Essas são algumas das projeções da economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo, para 2024. Para ela, o RS tem estimativas ainda melhores, motivadas pelos números positivos da safra. O agronegócio e estímulo fiscal são citados como motivadores dos bons resultados de 2023.

Apesar dos bons resultados do ano, Patrícia atenta para as dificuldades nas contas públicas. “Aqui no estado do RS a gente está discutindo uma possibilidade de aumento de ICMS, então isso também é um complicador”, pontua.

A economista palestrou para empresários da cidade durante a última reunião-almoço da Acil ontem, 12, na Sede Social da Univates. O objetivo foi auxiliar gestores no planejamento financeiro para o próximo ano.

A presidente da Acil, Graciela Black, enalteceu a continuidade dos eventos promovidos pela entidade, mesmo após ter a sede duramente atingida pelas enchentes de setembro e novembro. “Conseguimos cumprir com a proposta de ampliar para duas o número de reuniões-almoço por mês.”

Ela ainda destacou a decisão, tomada em parceria com o Grupo A Hora, de destinar os resultados obtidos pelo Fórum Estadual de Empreendedorismo, Estratégia e Inovação (EmpreInove) em um fundo contra as enchentes. Os recursos serão utilizados na formatação de um plano de prevenção e ações contra as cheias.

Entrevista

Patrícia Palermo • economista-chefe da Fecomércio

“Devemos ser audaciosos, mas de uma maneira cautelosa”

O ano começou com previsões pessimistas na economia e, no final, provavelmente vamos chegar aos 3% de crescimento do PIB. O que devemos esperar de 2024?

O ano de 2023 mais uma vez surpreendeu e o Brasil tem surpreendido. As estimativas têm sido sempre menores do que o resultado que o país tem conseguido entregar. Esse ano tivemos uma força generosa do agronegócio, que teve um desempenho, que não se antecipava que seria desse tamanho. Mas não foi só isso. Tivemos muito estímulo fiscal. Tivemos também uma desinflação significativa, especialmente com deflação em alimentos. Todas essas coisas somadas acabam gerando um resultado bastante positivo. Para 2024, a expectativa é de crescimento morno. Se a gente quiser que isso aqueça, devemos colocar energia. A parte boa é que aparentemente o Brasil não vai atrapalhar a gente. Mas ele também não vai te empurrar pra frente.

Em 2023, o Rio Grande do Sul sofreu com a questão da estiagem no agro. Então podemos dizer que o estado não chegou a surfar essa onda do Brasil?

Não, a onda do agro brasileiro não. Não é todo mundo que tem a mesma sensação. Foi um ano que teve diferença de sensação térmica dependendo de onde você estava. Então, por exemplo, zonas altamente produtoras que conseguiram ter inicialmente produção, produtividade e ganhos, conseguiram vivenciar isso mais que outras áreas. Se a gente for olhar, o comércio ficou de lado o ano inteiro. Os serviços continuaram crescendo, mas sem o mesmo ímpeto que a agropecuária. A indústria faz tempo que passa por uma situação complicada. Dependendo de onde você está, você sente mais ou menos esse calor da economia.

O Vale, apesar de todas as crises, cresce e se desenvolve de maneira muito forte. Na tua avaliação, o que faz o Vale se destacar?

Essa é uma terra de gente muito empreendedora, que batalha muito, com presença grande de iniciativa privada. Essas coisas eu acho que contribuem muito para o crescimento local. O que a gente diz de um cenário como o que estamos vivendo é que devemos ser audaciosos, mas de uma maneira cautelosa. A gente tem que olhar para frente vislumbrando o que o futuro mostra pra gente mas não tem uma maneira apaixonada. Então, é importante entender os riscos que são assumidos.

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