Corte não é poda, alertam especialistas

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Corte não é poda, alertam especialistas

Cartilha elaborada pela secretaria do Meio Ambiente de Lajeado tem a intenção de orientar sobre cortes de árvores em áreas urbanas

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Corte não é poda, alertam especialistas
Foto: Divulgação
Lajeado
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A preservação ambiental, seja na cidade ou em áreas rurais ou de floresta, é hoje, um tema universal, de interesse coletivo. Por isso, o corte de árvores e podas radicais geralmente causam descontentamento das pessoas. Algumas vezes, a prática é necessária, outras, não. Quem o fizer sem a devida autorização ou em desacordo com a legislação pode ser penalizado. Em áreas públicas, incluindo as calçadas de passeio, somente as equipes da administração municipal são autorizadas ao trabalho. Nas áreas particulares, como pátio de casa, há critérios a serem seguidos. Para tanto, a administração de Lajeado dispõe de uma cartilha para orientar os cidadãos.

A Secretaria do Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade (Sema), de Lajeado, elaborou o Minimanual de Podas Urbanas. De acordo com a coordenadora do Centro de Educação Ambiental de Lajeado, a bióloga Edith Ester Zago de Mello, a elaboração do material tem o intuito de informar a população sobre como fazer a poda, quem pode fazer e como solicitar. “É uma forma de tornar as informações mais acessíveis.” Edith destaca que muitas pessoas fazem por conta própria, seguindo costumes aprendidos, mas que nem sempre são benéficos para as espécies de árvores. “Por isso, quem quiser fazer uma poda correta nas árvores do seu pátio, pode entrar em contato com um técnico da área. O Centro de Educação Ambiental também fica à disposição ara dar orientações.”

Conforme a engenheira florestal da Sema, Sabrina Wolf, dentro do pátio o responsável pela poda é o proprietário ou morador do imóvel. “Geralmente, quando o munícipe possui dúvidas de como executar a atividade, ele liga para nós e é orientado.” Na calçada, quem deve realizar a poda é a equipe da administração municipal, inclusive há legislação: “As podas em árvores públicas somente poderão ser efetuadas por equipe de funcionários habilitados e devidamente treinados da secretaria municipal responsável e seguindo os critérios técnicos atualizados e conforme a legislação vigente, sendo vedado aos munícipes efetuar tais podas.”, determina uma resolução do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Saneamento (Condemas).

“O ideal é solicitar à Secretaria de Obras e Serviços Urbanos (Sosur) uma avaliação”, ressalta Sabrina. “As árvores das calçadas são parte do patrimônio público e merecem ser tratadas como tal, afinal nos proporcionam muitos benefícios” acrescenta Edith. Na visão da bióloga, fazer a poda correta é quase mais importante que plantar novas árvores, pois aumenta a longevidade das existentes e já desenvolvidas.” Conforme o Plano Diretor da Arborização Urbana, é proibida a poda excessiva ou drástica de árvores localizadas em vias ou áreas públicas, salvo quando os técnicos da Secretaria Municipal competente determinarem. Se o munícipe realizar a poda excessiva, pode ser enquadrado em infração contra a arborização urbana, podendo, dependendo do dano causado à árvore, receber um auto de infração com penalidade de advertência ou de multa.

Sobre as podas

• Nas vias públicas, praças e parques, a poda pode ser realizada apenas pela Prefeitura e por órgãos autorizados pela administração municipal, como a companhia de fornecimento de energia.

• Em propriedades privadas é responsabilidade do proprietário fazer a poda, se desejar. Importante ressaltar que é proibida a poda drástica (aquela que remove mais que 50% do volume da copa de uma árvore ou arbusto). Caso tenha dúvidas de como realizar a poda correta,contrate um profissional habilitado.

Entrevista com Edith Ester Zago de Mello, e Sabrina Wolf, – Palavra de especialistas

Uma crença popular diz que se faz podas nos meses que não tem a letra “r” na sua grafia, ou seja: maio, junho, julho e agosto. Há alguma verdade nisso?

Bióloga Edith – De forma geral sim, pois são os meses em que muitas árvores entram na dormência. Mas é importante entender a fenologia da árvore. Árvores que perdem totalmente as folhas, ou seja as decíduas entram no que chamamos de dormência “verdadeira”, sendo o melhor período de poda do meio ao final do inverno. No final do inverno elas aumentam o metabolismo, o que facilita a produção de compostos que auxiliam na defesa do vegetal evitando que fungos e bactérias ataquem os ferimentos. Árvores que perdem as folhas, mas florescem no inverno, chamamos de “falsa dormência,”e o melhor período é no final do florescimento.

Muitas pessoas podam árvores para pegar mais sol na casa ou pátio. Geralmente o fazem no início do outono, pra voltar a crescer na primavera. Esta é uma boa prática?

Edith – Nem toda árvore precisa de poda. Precisa ter ter um objetivo bem definido, por exemplo, levantar a copa, remover galhos mortos ou doentes, direcionar o crescimento… É importante manter a estrutura natural da copa, as podas drásticas ou que cortam mais de 50% da copa são proibidas, pois danificam a estrutura original da árvore, que não é bom para a espécie. A poda deve ser feita quando há necessidade, mas hoje vemos que muitos casos são feitas por “costume” e não porque é preciso.

Quais os principais cuidados nas podas de frutíferas? Tem diferença entre as que frutificam no verão e as que frutificam no inverno?

Sabrina – A poda de árvores frutíferas é bastante utilizada, principalmente em pomares comercias. Essa prática permite a ventilação e entrada de luz entre os ramos, por isso é importante que seja praticada regularmente. Alguns exemplos: poda de condução e poda de limpeza que nas regiões de clima temperado se dá normalmente na saída do inverno, quando as plantas ainda estão no período de dormência. Vale ressaltar que cada espécie tem suas particularidades, portanto, para maiores esclarecimentos deverá ser consultado um responsável técnico da área.

Poda desnecessária ou mal feita causa quais os impactos ambientais?

Edith – A poda desnecessária causa estresse para planta. O ferimento causado pela poda pode se tornar um local de entrada de patógenos que causam danos à saúde planta, podendo inclusive causar apodrecimento e perdas de galhos e até morte da árvore. Por isso, poda deve ser feita apenas quando necessária. O ideal é realizar no vegetal ainda jovem, podando os galhos enquanto ainda possuem menor diâmetro/espessura, direcionando o crescimento adequado de acordo com local que a árvore se encontra. Muitas árvores ficam totalmente comprometidas pela poda realizada de forma irregular durante anos.

Os bombeiros fazem podas em árvores em quais situações?

Sabrina – Geralmente, os bombeiros são acionados em caso de risco à vida, como, por exemplo, quando há queda de galhos em rodovias ou árvores instáveis. É realizado o procedimento de emergência e, em seguida, comunicado o órgão ambiental, no caso, a Secretaria do Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade, para que este verifique o licenciamento florestal da atividade pertinente ao caso. Lembrando que dentro de terrenos particulares, a responsabilidade pela vegetação é do proprietário.

A administração municipal pode fazer poda ou supressão total? Em quais circunstâncias?

Sabrina – Conforme o do Plano Diretor da Arborização Urbana de Lajeado, cabe ao município a implantação da política de plantio preservação, manejo e expansão da arborização. A poda e a supressão total (corte) fazem parte do manejo da arborização urbana e são utilizados a partir de critérios técnicos específicos, por exemplo. Árvores situadas em áreas públicas que estão comprometidas fitossanitariamente e que podem vir a tombar sobre a via pública são licenciadas para corte pela equipe técnica da Sema, por meio da elaboração de parecer técnico e emissão de alvará de licenciamento para serviços florestais. Há a previsão de compensação ambiental com o replantio de novas mudas, preferencialmente no mesmo endereço de corte.

Quem está habilitado a fazer estes cortes?

Sabrina – As equipes de poda e corte da Secretaria de Obras e Serviços Urbanos executam a atividade e procede-se com o plantio de novas mudas. Destaca-se que a Sema realiza vistorias periódicas para fiscalização do plantio. Além disso, a fim de realizar as compensações relativas aos alvarás florestais de responsabilidade do próprio município, criou-se, no ano de 2017, o Programa Lajeado Mais Verde. Até 2022 foram plantadas três mil e três mudas em áreas públicas diversas. Este ano, foram plantadas 233 em escolas, áreas verdes e calçadas de passeio.

Dicas ao leitor

  • Poda de conformação ou livramento – Serve para a retirada de galhos e ramos que interferem em edificações, telhados, iluminação pública, derivações de rede elétrica e telefônica, levando em consideração o equilíbrio da planta.
  •  Poda de formação ou condução – É realizada na fase jovem da árvore para a condução do formato adequado do crescimento por meio do corte dos galhos mais finos e remoção de galhos inadequados, pensando no futuro da árvore.
  • Poda de emergência – É empregada para remover partes da árvore que colocam em risco iminente a integridade física das pessoas e do patrimônio público ou particular, como ramos que se quebraram durante chuva ou vento forte.
  • Poda de limpeza e manutenção – É utilizada na fase adulta da árvore. A poda de manutenção é feita quando se deseja fazer a retirada de galhos vivos, mortos, velhos, com ataque de parasitas ou inadequados. As árvores que mais necessitam deste tipo de poda são as que não passaram pela poda de formação adequadamente.
  •  Corte – Se você deseja cortar uma árvore nativa na sua residência, é necessário fazer uma solicitação na Secretaria de Meio Ambiente, Saneamento e Sustentabilidade (Sema) para obter o licenciamento florestal. Para mais informações entre em contato pelo telefone (51) 3982-1100.
  • Denúncias – Em caso de poda irregular, a comunidade pode denunciar pelo telefone (51) 3982-1238 ou pelo e-mail sema.fiscalizacao@lajeado.rs.gov.br

Informações gerais com o Centro de Educação Ambiental (51) 3982-1099 e Sema 3982-1100.

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