Movimento busca unir opositores

Opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Movimento busca unir opositores

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O PSB de Lajeado resolveu colocar o bode na sala. A carta pública endereçada aos pré-candidatos a prefeito Carlos Ranzi (MDB) e Sérgio Kniphoff (PT), sugerindo a união de ambos em uma chapa única para derrotar o PP, é uma estratégia nova e ousada. Uma ação bem articulada previamente com outros atores, claro, e com alto poder de agendar ações e movimentos por parte de outros tantos atores e atrizes da política local. A direção do PSB, comandada pelo advogado Daniel Fontana, ex-PT, sugere a formação de uma “frente humanista”, de “uma representação verdadeiramente do povo e para o povo”, e a união de forças “em nome do progresso e da harmonia coletiva”. Por óbvio, e isso é o grande ponto a ser debatido até a consolidação da chapa de oposição, a carta não define quem será o candidato a prefeito e tampouco o postulante a vice.

A briga de egos e ideias é boa. Ranzi foi o primeiro a se declarar pré-candidato. Kniphoff, porém, alimenta o sonho há mais tempo. A favor do petista, e além da experiência mais longínqua na política e na comunidade lajeadense, também conta o pleito de 2012, quando o PT liderou a chapa vencedora ao lado do MDB. A favor do emedebista, a ambição e os números das últimas votações para a composição da câmara de vereadores. Em 2016 e 2020, Ranzi conquistou 1.745 e 1.133 votos, respectivamente. Já Kniphoff alcançou 1.171 e 872 nos respectivos pleitos municipais. Ou seja, e apesar da preocupante redução, Ranzi se mantém à frente do rival de outrora e isso pode pesar na mesa de negociação. Fato é que existe um consenso entre situacionistas e opositores acerca das eleições de 2024. Unida, a oposição tem chance. Desunida, o PP só tem a agradecer.

Turismo, concessões e atrasos

A Cascata Santa Rita, em Estrela, é um dos principais pontos turísticos do Vale do Taquari. Mas, e assim como tantos outros espaços, nunca foi tratado como tal. Nos últimos anos, uma sucessão de promessas manteve viva a esperança de tornar autossustentável o nobre espaço em meio à natureza. Mas nada avançou. Em abril de 2017, o governo municipal assinou o termo de concessão com a iniciativa privada. Quatro anos depois, e na falta de investimentos, o novo prefeito rompeu o contrato. Passados dois anos, e nada de novo surgiu no horizonte. Aliás, surgiram novas escusas. A nova justificativa à falta de ações é o atraso na pavimentação do acesso. E assim seguimos…

O muito ainda é pouco

A bacia Taquari/Antas é privilegiada com o serviço de monitoramento desenvolvido e operado pelo Serviço Geológico do Brasil/Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM). Em todo território brasileiro, apenas 17 rios possuem tal serviço à disposição das comunidades. E o nosso Rio Taquari está nessa lista, reforço. Mas, e isso precisa ser ressaltado aos quatro ventos deste Brasil de céu anil, o muito ainda é pouco. As réguas e demais ferramentas de verificação dos níveis do manancial costumam falhar com frequência nos dias em que mais necessitamos. E isso precisa ser pauta recorrente nos gabinetes das autoridades envolvidas com os planos de contingência. Isso precisa ser uma bandeira constante de todos os líderes e políticos regionais. Não podemos mais aceitar um serviço “meia boca”. Em suma, é preciso mais investimento do governo federal.

TIRO CURTO

  • O governo do presidente Lula (PT) anunciou uma importante medida para amenizar os impactos da enchente de setembro. São R$ 195 milhões a fundo perdido (ou seja, sem custos aos beneficiados) para a construção de 1,5 mil moradias pelo Minha Casa Minha Vida Calamidades. Um ato digno de aplausos por parte de membros da direita e da esquerda. Sem exceções.
  • Ex-secretário de Saúde de Estrela, Celso Kaplan (PP) vai atuar em Lajeado. Mas não pretende seguir por muito tempo na principal cidade do Vale do Taquari. Em 2024, ele pretende concorrer na majoritária. Só não decidiu em qual cidade. Além de naturalmente cotado como o principal adversário do atual prefeito Germano Stevens (MDB), em Imigrante, ele também é lembrado como um possível adversário de Elmar Schneider – e outros –, em Estrela.
  • Ainda sobre o popular “Lelo”, há quem diga que ele pode fechar uma inusitada dobradinha com o atual vice-prefeito de Estrela, João Schäfer (PSD), que tende a perder força e espaço diante do ousado avanço do PL dentro do Executivo estrelense.
  • Também em Estrela, a Rhodoss apresentou um projeto para ações de prevenção às margens do Taquari. A empresa, que foi rudemente impactada pela enchente de setembro, sugere – e se dispõe a custear – a instalação de mais réguas físicas nas proximidades da escadaria, além de estudos para análise dos níveis ortométricos, e pintura de postes e murais como forma de conscientização.
  • Em Lajeado, já faz um tempo que empreendedores do setor imobiliário apresentaram projeto do Selo Verde para novas edificações, com mudanças na cobrança de tributos sobre imóveis. Mas o assunto, ao que tudo indica, não interessou aos representantes do poder público lajeadense.
  • Na sexta-feira, uma comitiva parlamentar visitou Lajeado para conversar com prefeitos e empresários das cidades impactadas pela histórica enchente de setembro. E chamou a atenção o desconhecimento – por parte de alguns deputados – dos critérios e repasses por meio do Pronampe.
    – Aliás, os empresários e representantes da CIC/VT que participaram da reunião com os deputados solicitaram uma investigação criteriosa sobre os critérios de rateio dos recursos federais. Nos bastidores, há um sentimento de injustiça no Vale do Taquari.
  • Um aviso aos navegantes dessa página. Estarei de férias durante as próximas duas semanas. Vou peregrinar por aí e já volto. Bom fim de semana a todos!

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