Gestores apontam dificuldades no atendimento em traumato-ortopedia

VALE DO TAQUARI

Gestores apontam dificuldades no atendimento em traumato-ortopedia

Críticas são referentes aos serviços prestados pelo Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas. Contrato de referência com a casa de saúde garante assistência em situações de urgência

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Gestores apontam dificuldades no atendimento em traumato-ortopedia
Gestores buscam soluções para atendimentos de urgência em traumato-ortopedia (Foto: Arquivo A Hora)
Vale do Taquari

Com pacientes há dias na fila de espera para atendimento de urgência em traumato-ortopedia no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas, secretários de Saúde dos municípios de Bom Retiro do Sul e Taquari alegam dificuldades nas tratativas para assistência aos pacientes. Segundo os gestores, a casa de saúde na região metropolitana nega acolhimento sob a justificativa de não fazer determinados procedimentos.

Mesmo com o avanço de consultas e cirurgias eletivas, a partir do referenciamento de alta complexidade no Hospital Estrela, Canoas segue como referência para os municípios da 16º Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) em situações de urgência. No entanto, conforme relatos, o HPS encaminha casos de atendimento imediato ao Hospital Ouro Branco (HOB), de Teutônia.

O secretário de Saúde de Bom Retiro do Sul, Rodrigo Rodrigues, menciona que uma paciente aguarda por cirurgia há seis dias na emergência do hospital de Canoas. Após cadastro no sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares (Gerint), regulado pelo Estado, o caso foi apontado como não urgente.

Na sexta-feira, 11, o gestor registrou boletim de ocorrência contra o HPS de Canoas. No documento foram relatadas as condições da paciente de 75 anos, como comorbidades, e tentativas de atendimento entre a casa de saúde na região metropolitana e o HOB. Ele afirma que o governo municipal elabora um processo judicial contra o hospital de referência.

“Não é a primeira vez que essa situação acontece. Orçamos a procedimento de forma particular, mas é inviável para o Executivo custear. Além disso, Canoas tem obrigação de atender na hora. Se tem outra justificativa, o Estado deve resolver”, destaca Rodrigues. Ele comenta que devido a situação, a paciente deve voltar a Bom Retiro do Sul e aguardar pelo procedimento.

Situação inviável para os municípios

Com casos semelhantes, o secretário de Saúde de Taquari, José Saraiva Dias, comenta sobre a preocupação acerca do assunto e a sobrecarga financeira caso os procedimentos precisem de custeio municipal. Em entrevista ao programa Frente e Verso, da Rádio A Hora 102.9, ele também relatou situações em que os pacientes aguardam há dias pelos atendimentos.

“Temos o caso de uma pessoa que foi aceita em Canoas, passou sete dias na emergência, depois foi negada e encaminhada a Teutônia. O HPS não está cumprindo com o contrato e já tivemos que custear algumas cirurgias. Solucionamos as eletivas, mas os casos novos precisam ser atendidos”, afirma Dias.

O secretário também aponta que os investimentos nos procedimentos cirúrgicos poderiam ser investidos em outras áreas da Saúde. Ele também ressalta que os serviços de alta e média complexidade na área de traumato-ortopedia são exercidos de maneira correta na região.

Coordenadora da 16ª CRS, Rafaela Fagundes destaca que as negativas de atendimento por parte do HPS ocorrem em razão do alto número de usuários. “São muitas pessoas atendidas de uma vez. Canoas é referência para outras regiões, incluindo toda a grande Porto Alegre”, comenta.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) também aponta que os contratos firmados no Vale do Taquari não contemplam situações de emergência. Ainda conforme a pasta, o hospital pode transferir o paciente somente após a garantia de estabilização da urgência e de acordo com a referência do paciente. Após isso, os atendimentos podem ser feitos nos hospitais de média complexidade.

Na avaliação de Rafaela, o início dos serviços em alta complexidade de cirurgias eletivas no Hospital Estrela abre caminho para buscar a referência em procedimentos de emergência. A SES afirma que segue em monitoramento da situação e viabilizar estudos para ampliação e regionalização das referências.

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