A trágica tabela das nossas águas

Opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

A trágica tabela das nossas águas

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Se a tabela ao lado não te incomoda, tem algo de errado com você. É sério. Olha isso. Péssimo ou ruim: essa é a classificação da água nos rios e arroios que nos cercam. De Venâncio Aires a Encantado. De Marques de Souza a Colinas. São 26 amostras de água coletadas em dois rios e 13 arroios da região, que mostram a lenta e silenciosa morte dos nossos mananciais.

Trata-se da terceira rodada de análises de água feitas pelo Projeto Viver Cidades, desenvolvido pelo Grupo A Hora e Ministério Público, e apoiado pelas iniciativas pública e privada. Desde o ano passado, levantamento semestral indica a qualidade – ou a falta dela – da água que compõe nossos rios e seus afluentes.

Projeto pioneiro e inédito que se apresenta como alto-falante regional para despertar corações e mentes a se engajar numa corrente de salvação dos rios e arroios que temos. E temos em abundância, ainda.

O arroio Lambari, em Encantado, é o mais morto de todos. Tem zero oxigênio e não passa de um condutor de esgoto. Nem parece que ele desce do mesmo morro onde está o Cristo Protetor.

Em Lajeado, Venâncio Aires e Santa Clara do Sul, os arroios que atravessam as cidades – o Encantado, o Castelhano e o Saraquá, respectivamente – estão em estágio parecido. Igualmente mortos pelo excesso de esgoto ou dejetos tóxicos que despejamos nos leitos todos os dias.

Nos demais 21 pontos de coleta, o resultado colhido é menos trágico, mas ainda assim, estarrecedor. Nenhuma análise chega perto do regular. Todas ruins e com um trabalho de desintoxicação gigante pela frente para alçar o nível regular.

O assunto é chato. É um soco no estômago. É arrebatador. Como queiram. Cada um escolhe a classificação e a dimensão que pretende dar. Uma coisa é certa: ou levamos a sério o tema saneamento básico e paramos de ser omissos e negligentes, ou os arroios que temos e conhecemos hoje, não teremos mais. É não é discurso de “ecochato” ou coisa do tipo. É discurso de sobrevivência. Não só dos arroios, mas de nós.

O projeto Viver Cidades sai do “achismo popular” e mostra a realidade nua e crua. Expõe sem filtros a condição das nossas águas e desperta para reflexões e reações. Se o Vale do Taquari – ainda que possa parecer um pingo no oceano – fizesse um pacto e assumisse compromisso com o tratamento de esgoto, poderíamos mudar a realidade atual. Somos abençoados pelos rios e arroios que nos cercam, tanto é que carregamos o Taquari no nome. Mesmo assim, ignoramos e negligenciamos os permanentes pedidos de socorro que brotam das águas. Ou melhor, das análises.

Os próximos anos – porque este projeto não tem data para acabar – nos mostrarão se temos poder de resignação para estancar a tragédia ou se assistiremos pacatos e omissos o homicídio contra nossos rios e arroios. De que lado você está?


Suinofest: o sucesso e o aprendizado que ficam

A maior feira gastronômica da região e uma das maiores do estado, a Suinofest repetiu sucesso de outras edições. Atraiu publico ainda mais variado e consolidou a nova característica do evento, conectada ao Cristo Protetor e ao turismo regional.

Tanto é assim, que se depender do prefeito Jonas Calvi, o evento passa a ter realização anual. Por repetidos momentos, Calvi falou do assunto e já deixou convite: “até o ano que vem”. Resta saber se a Acie, realizadora da feira, embarca na “provocação” do prefeito.

A experiência em fazer a feira em três fins de semana também requer uma avaliação criteriosa. Comissão organizadora esperava mais venda de ingressos para o salão gastronômico nos sábados e domingos respectivos.

De fato, a Suinofest tem potencial para assumir cada vez mais a vanguarda de eventos de Encantado, especialmente no campo gastronômico. Diante disso, é absolutamente natural debater adaptações e transformações que podem ser implementadas. Afinal, uma cidade e região em transformação como a nossa requer eventos que acompanhem as mudanças e se conectem às oportunidades que se apresentam.


A estátua do gaúcho e o debate necessário

Nem oito nem oitenta. O debate em torno da construção da estátua do Gaúcho, no morro São José, em Arroio do Meio, precisa ser aprofundado. A audiência pública que ocorre nas próximas semanas será oportunidade singular para apresentar pontos e contrapontos. Trata-se de um investimento na ordem de R$ 50 milhões e que pode, sim, impulsionar o turismo local e regional.
Para isso, é imperioso respeitar todos os passos e exigências legais que um projeto dessa envergadura impõe. “Não vou dar parecer favorável se não estiver tudo 100% legal e adequado as normas”, disse o prefeito Danilo Bruxel, em entrevista a rádio A Hora nessa semana. “Mas também não podemos ignorar a importância de um investimento desses para o município. Por isso é preciso tratar com equilíbrio e esgotar todos os pontos divergentes”, acrescentou Bruxel.
É bem por aí!

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