A política e os financiamentos

Opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

A política e os financiamentos

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Com quase duas décadas no setor da comunicação, tenho um certo conhecimento sobre os financiamentos realizados pelas administrações municipais para obras de pavimentação. Nesses anos todos de lida jornalística, não foram poucas as coberturas sobre os movimentos encabeçados por situacionistas e opositores para aprovar ou não os empréstimos bancários. E, nas cidades onde as disputas políticas são mais ferrenhas, o enredo costuma ser o mesmo. De um lado, o governo alerta sobre os danos de uma eventual rejeição da proposta, e joga pressão sobre os vereadores para forçar a aprovação. Por parte da oposição, os juros ou toda a conjectura econômica mundial possível servem de argumentos para travar aquilo que pode representar mais votos ao gestor atual.

Em Teutônia, a recente reprovação – em plenário – da proposta apresentada pelo Executivo é um prato cheio para reforçar a minha impressão sobre tais financiamentos. Vamos aos fatos. O PDT, o partido do prefeito, foi contra a contratação de uma operação de crédito semelhante durante a gestão do ex-prefeito Jonatan Brönstrup (PSDB). E mais. O atual gestor, Celso Forneck (PDT), criticou o modelo de empréstimos durante a campanha de 2020. Passados alguns meses desses fatos, o PDT literalmente prova do próprio veneno. Da mesma forma, vereadores que pertenciam à base aliada no passado, e que votaram a favor do financiamento na gestão de Brönstrup, hoje se apresentam como ferrenhos opositores da medida. E anotem. Amanhã ou depois serão favoráveis.

Ao fim desses malabarismos argumentativos, onde todos acreditam em suas próprias incoerências, as complexas decisões sobre as necessárias melhorias nas ruas e estradas da cidade se tornam um grande palanque político. E não é preciso descrever quem realmente perde com isso. O leitor sabe.

“Vida longa ao Vale do Taquari”

Presidente da Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat), entidade formada pelas administrações municipais que recentemente se “emanciparam” da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Tiago Michelon (PL) utilizou as redes sociais para enaltecer a conquista da referência em média e alta complexidade na área da traumato-ortopedia. Em suma, o chefe do Executivo de Vespasiano Corrêa postou um tópico da coluna do colega Fernando Weiss e ressaltou que os prefeitos da região alta estarão “sempre de prontidão para juntar forças e buscar resultados”. E que assim seja.

TIRO CURTO

• O PL de Estrela já projeta os possíveis candidatos a vereador em 2024. Entre os nomes que se colocaram à disposição do partido, destaque para Felipe Diehl e Diego de Castro.
• Sobre o PL, a direção do partido em Estrela ainda não se encontrou com o prefeito Elmar Schneider (MDB). Como antecipamos na edição do fim de semana, os correligionários ficaram muito incomodados com a “indireta” do gestor acerca do futuro presidente da república, lançada durante apresentação do governador Eduardo Leite (PSDB) na reunião-almoço da Cacis.
• Em Arroio do Meio, e diferente do ano passado, a tradicional gincana municipal transcorreu sem incidentes ou grandes polêmicas. Em 2022, todos lembram, o evento ficou comprometido após a denúncia sobre falta de PPCI para uso da Rua Coberta.
• A convenção do Partido Progressista de Arroio do Meio, no dia 2, confirmou alguns interessantes movimentos. Além da ascensão do Secretário de Planejamento Carlos Rafael Black à presidência da sigla, também chamou a atenção a filiação de Djonata Noronha, candidato a vereador pelo PTB no pleito passado. Ele será uma das principais apostas da sigla na eleição municipal de 2024.
• Aliás, e após a convenção, muitos voltaram a apostar em uma eventual candidatura de Danilo Bruxel (PP) à reeleição. O prefeito, no entanto, segue afirmando que não concorre.
• Também em Arroio do Meio, persiste a polêmica sobre a instalação de um complexo turístico em uma área privada do Morro Gaúcho. Mais de duas mil pessoas assinam um abaixo-assinado e se manifestam contra o empreendimento. É um número relevante. Mas eu pergunto: quantas, de fato, tiveram acesso ao projeto? Ah, e a mesma pergunta vale para quem defende a proposta.
• Em Teutônia, e de acordo com o presidente municipal do PDT, Sírio de Castro, a sigla está próxima de construir pontes com o partido União Brasil, que hoje possui um representante no plenário do Legislativo. No caso, o vereador Claudiomir de Souza. Ele inclusive votou a favor do famigerado projeto de financiamento de R$ 15 milhões com a Caixa Econômica Federal (CEF).
• Ainda sobre o PDT de Teutônia, a direção executiva se reuniu ontem com a vereadora suplente Neide Schwarz (PDT). Os mandatários do partido querem entender melhor a ausência dela na sessão passada, que influenciou diretamente na rejeição do financiamento com a CEF.
• Para finalizar o assunto sobre o financiamento, é preciso destacar: a ordem para que a votação fosse levada adiante – mesmo sem quórum suficiente para a vitória – teve o aval do alto escalão do Poder Executivo. Ou seja, a derrota precisa ser devidamente compartilhada.
• Em Encantado, o ex-vereador e atual presidente do Codevat, Luciano Moresco (PT), já admite a possibilidade de concorrer a prefeito em 2024. Segundo ele, o processo “está em avaliação”.
• Já escrevi e reforço: a relação entre o PT e o PDT já foi muito mais harmônica em Taquari.
• Muito interessante o movimento do governo de Lajeado para restaurar o Monumento do Imigrante, instalado no entroncamento da Av. Alberto Pasqualini com a BR-386, e também os dois monumentos da Independência, localizados na Praça da Matriz.
• O imbróglio sobre a construção do viaduto sobre a BR-386, nas proximidades das Balas Florestal, parece que vai além do problema com um proprietário de área afetada pela obra. Aguardemos.
• Até o fechamento desta edição, a câmara de Lajeado ainda não havia sido notificada sobre a cassação do vereador Adriano Rosa (PSB) junto ao Tribunal Regional Eleitoral. Ou seja, a posse de Waldir Blau (MDB) ainda é uma incógnita.

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