“A escrita é uma aventura.  Ela transforma as pessoas”

ABRE ASPAS

“A escrita é uma aventura. Ela transforma as pessoas”

Aos 54 anos, Sônia Maria da Silva publicou o seu primeiro livro. Voltado ao público infantil e no formato de poemas, conta a história do seu cãozinho Zulu. Advogada natural de Alegrete veio para Lajeado em 1997. No Dia Mundial da Poesia, 21, instituído pela Unesco em 1999, Sônia conta um pouco da sua relação com a escrita e a nova obra que está em produção.

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“A escrita é uma aventura.  Ela transforma as pessoas”
Arquivo Pessoal
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Quando começou a se interessar por poesia?

Meu pai era um poeta nato, escrevia sobre muitas coisas. De vez em quando, por meio da escrita, dava umas cutucadas nas questões políticas e sociais. Quando pequena, eu não entendia muito bem, mas, conforme fui crescendo e lendo as obras dele, percebi o quanto aquelas palavras tinham um poder transformador. Me encantei por isso. Meu pai foi minha grande inspiração, sempre tive uma relação muito especial com ele.

Desde quando você escreve?

Escrevo há muito tempo, ainda tenho materiais guardados de quando tinha quinze, dezoito anos. Meu celular está cheio de versos no bloco de notas. A escrita para mim é algo instantâneo. Chega de repente e preciso escrever, colocar para fora. Às vezes, estou no Fórum, esperando uma audiência, e acabo rabiscando uns versos.

Sobre o primeiro livro infantil. Como surgiu? De onde veio essa inspiração?

“Zulu, um elo de amor” foi lançado no início deste ano e conta a história do Zulu, que é o cachorro lá de casa. Eu e meu marido adotamos ele há uns cinco anos e, com o tempo, comecei a escrever uns versos. Foi algo muito natural, sobre o dia a dia dele. Depois, o Otávio, meu neto do coração, passou a desenhar o Zulu, e assim surgiu a obra. No início, fiquei receosa com a ideia de lançar um livro, colocar a minha “cara a tapa”. Mas deu muito certo, agora estou até participando da hora do conto nas escolas aqui da região. Sei que o livro do Zulu foi encomendado inclusive por um colégio lá da Paraíba.

Tem trabalhado em novas obras?

Sempre estou escrevendo, mas meu novo projeto está previsto para este ano ainda. É um novo livro, mas agora voltado ao público adulto. São poesias e poemas sobre sentimentos variados. Falo sobre mulheres, família, sobre luto também. Não deixa de ser um processo de cura. Alguns têm um olhar mais político e social.

Você atua na área do Direito e, ao mesmo tempo, escreve poesias lúdicas e subjetivas. Como encontra as palavras para esses dois universos tão diferentes?

A escrita jurídica é densa e exige palavras mais técnicas e formais. A escrita criativa, por outro lado, te dá muito mais liberdade. Acho mágico poder brincar com as palavras. É essa criatividade livre que me atrai. Não tenho a escrita como profissão, então não é algo que me obrigue. Ela vem de forma natural. A poesia é uma aventura. Ela transforma as pessoas. As palavras têm esse poder e eu acho isso mágico.

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