Chuva ameniza situação no campo e anima agricultores

ALÍVIO

Chuva ameniza situação no campo e anima agricultores

Tempo com mais umidade e volta da normalidade nas precipitações atenua prejuízos causados pela seca

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Chuva ameniza situação no campo e anima agricultores
Emater faz o levantamento dos impactos da seca na produção de grãos. Estimativa preliminar aponta que a produtividade na lavoura de soja fique entre 50 a 60%. Crédito: Filipe Faleiro
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A semana promete ser de trégua no calor e com chuva. Uma previsão que traz alívio para os produtores rurais da região. Pelos prognósticos meteorológicos, o Vale terá temperaturas amenas, com mais umidade e precipitações em baixa quantidade, porém contínuas.

Engenheiro agrônomo da Emater/Ascar-RS e assistente técnico regional, Alano Tonin, afirma que essas condições do tempo impactam de maneira imediata nas propriedades. “O primeiro beneficiado é o produtor de leite. As pastagens se recuperam mais rápido.”
Nas lavouras de milho e soja, muitas perdas estão consolidadas, diz, sem perspectiva de melhoria. “Talvez o agricultor que fez um plantio mais tarde tenha um resultado um pouco melhor, em especial na soja.”

Nesta estiagem, uma das características foi chuvas pouco homogêneas. “A região alta do Vale sofreu mais. Cidades como Anta Gorda, Putinga e Relvado, contabilizam perdas superiores na comparação com municípios da parte central.” Essa situação se comprova pela produtividade. “Pelo zoneamento, alguns produtores inclusive tiveram colheitas melhores do que no ano passado. O primeiro milho colhido em dezembro foi de boa qualidade e quantidade.”

Uma dessas propriedades é a de Ilânio Johnner, 76, da localidade de São Gabriel, em Cruzeiro do Sul. “Colhemos o dobro de milho neste ano. Mas o curioso é quem em lavouras próximas, de seis, sete quilômetros daqui tiveram muitos prejuízos.”

Conforme a Defesa Civil do Estado, das 38 cidades da região, 27 encaminharam laudos de perdas e decretaram situação de emergência. Nos próximos dias, Arroio do Meio, Teutônia e Estrela, estarão nessa lista.

Ao todo oito cidades tiveram a situação homologada pelo governo federal. O procedimento é fundamental para os municípios obterem apoio dos executivos estadual e nacional para mitigar os efeitos da seca. Os recursos podem ser usados tanto para distribuição de água às famílias, cestas básicas, prorrogação de parcelas de crédito rural e recursos emergenciais para abertura de poços e cisternas.

No Vale do Taquari, a estimativa dos prejuízos ultrapassa os R$ 470 milhões. Pelo RS, são 312 municípios com decretos de emergência homologados ou em análise. São mais de 5,8 milhões de habitantes prejudicados.

“O agricultor precisa de apoio dos governos”

Coordenador dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais na região, Marcos Hinrichsen, destaca que os produtores do Vale chegam no terceiro ano de estiagem. “O agricultor precisa de apoio dos governos. Tivemos grandes prejuízos no decorrer do ano, com um calor muito elevado a partir de dezembro e pouca chuva.”

Na semana passada, integrantes da Federação dos Trabalhadores Rurais (Fetag) entregaram uma lista de reivindicação ao governador Eduardo Leite. Cinco dias depois, o Piratini anunciou um plano de combate à seca.

Ao todo, são quatro medidas. Destacam-se: a criação de um sistema de monitoramento contínuo; liberação de verbas para cisternas e sistemas de irrigação; anistia das dívidas do programa Troca-Troca; e contratação de caminhões pipa para localidades mais atingidas.

“Recebemos uma resposta por parte do Estado. A anistia do Troca-Troca estava entre as pautas da agricultura familiar.”, diz Hinrichsen. De acordo com ele, também foi encaminhado um pedido de socorro emergencial ao governo federal.

Na próxima semana, os ministros do Desenvolvimento Agrário (MDA), Luiz Paulo Teixeira Ferreira, e da Agricultura, Carlos Fávaro, visitam os três estados da região sul, inclusive com possível agenda no Rio Grande do Sul.

Frio incomum para fevereiro

Conforme a Metsul Meteorologia, uma massa de ar úmido atua sobre todo o RS e traz um frio incomum neste fim de fevereiro, com registro das menores temperaturas desde o começo das medições, em 1912.

A nebulosidade com períodos de instabilidade vistos no início da semana se repetem nessa terça-feira. No outro dia, há previsão da volta do sol, com novo período de chuvas a partir de quinta-feira. Para o fim da semana, tanto na sexta quanto no sábado, o sol aparece entre nuvens, mas chove na maior parte do RS. Pelo prognóstico, ao longo desta semana, o volume de precipitações registra entre 30 a 50 milímetros.

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