De que lado  você está?

Opinião

Marcos Frank

Marcos Frank

Médico neurocirurgião

Colunista

De que lado você está?

Por

Gustavo Adolfo 03

Como quase todos sabem, nosso cérebro tem dois lados ou dois hemisférios, se preferirem. Eles são unidos por uma estreita ponte chamada corpo caloso e desde nosso nascimento um dos lados deve se sobrepor e dominar o outro lado.

É biológico! Acontece que os hemisférios não são iguais e ser dominado por um lado ou pelo outro gera diferenças de comportamento e de aprendizagem. Aqueles dominados pelo lado esquerdo do cérebro são mais lógicos, analíticos e intuitivos. Já o pessoal cujo lado direito comanda são mais intuitivos, sentimentais e subjetivos.

Essa teoria que é aceita com algumas restrições deu o prêmio Nobel de medicina a Roger Sperry em 1981. Ele descobriu que seccionar a ponte que une os dois hemisférios, isolando um do contato com o outro, podia contribuir para o controle de crises convulsivas.

Como normalmente os destros têm dominância cerebral esquerda e os canhotos mais a direita a teoria de Sperry nos ajuda a entender também as diferenças comportamentais que existem entre canhotos e destros. Embora se deva ressaltar que dominância cerebral nem sempre se correlaciona com a mão dominante.

Vocabulário e gramática estão localizados no hemisfério esquerdo, especialmente nos destros. Já os canhotos podem ter essa mesma função dos dois lados ou no lado direito. Processar os estímulos visuais e auditivos, reconhecer rostos e habilidades artísticas ainda que ocorram nos dois hemisférios, tem ampla dominância do lado direito.

Portanto, a dominância cerebral não é uma lenda, é um fato. Ao contrário do pensamento medieval que associava a mão esquerda com o demônio, hoje sabemos que ser destro ou canhoto não é bom ou mau, é apenas ser diferente. E entendemos que essa diferença está basicamente no hemisfério que domina nossas funções cerebrais.

Pessoas com dominância cerebral direita tem dificuldade em seguir instruções escritas, pulam de um capítulo para o outro sem seguir a ordem, fazem mais de uma coisa ao mesmo tempo e geralmente detestam gramática e ortografia. Muitas vezes é difícil para o cérebro direito achar as palavras certas para se expressar, e, além disso, ele reage mais ao tom de voz que ao conteúdo da fala. O cérebro direito gosta de coisas concretas que possam ser tocadas, vistas e sentidas e atrapalha-se com o simbólico. Entre a realidade e a fantasia pode apostar que o cérebro direito prefere a última, de preferência, sempre gesticulando muito.

Quem tem dominância a esquerda é diferente. Processa informações parte por parte para chegar ao todo e de maneira linear. O cérebro esquerdo gosta de listas e esquemas. Adora letras, palavras e símbolos matemáticos e os usa com destreza para resolver os problemas.

Tudo isso para dizer que “anatomia é destino” como bem dizia o velho Sigmund Freud.

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