O meio esportivo e a influência nas aulas  de educação física

Opinião

Clairton “Xis” Wachholz

Clairton “Xis” Wachholz

Professor de Educação Física e gestor do Ceat⁄Bira

Colunista esportivo

O meio esportivo e a influência nas aulas de educação física

Por

Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Ministrei aulas no curso de graduação em Educação Física na Univates por 18 anos. No primeiro encontro com os alunos da disciplina de Basquetebol, solicitava a construção de um memorial descritivo intitulado “Meu conhecimento prévio do basquetebol”.

O que me deixava intrigado era perceber nos relatos que a maioria dos acadêmicos não teve contato com a modalidade em sua vida escolar. De 21 memoriais entregues no início da disciplina tivemos os seguintes dados quanto ao número de vivências de basquete no ensino fundamental e médio:
Ensino Fundamental – 40% nunca vivenciaram, 50% tiveram até 5 aulas e 10% tiveram mais de 5 aulas, Ensino Médio – 35% nunca vivenciaram, 40% tiveram até 5 aulas e 25% tiveram mais de 5 aulas

Partindo desta perspectiva, busquei através dos meus estudos no mestrado, entender como os professores de Educação Física da rede municipal de Lajeado percebem a modalidade nas suas práticas de ensino. Foram realizadas seis entrevistas com professores dos 6º e 7º anos do Ensino Fundamental das escolas municipais de Lajeado e análise de documentos pertinentes ao trabalho do professor. A partir dos resultados, verifiquei que:

– na rede municipal de Lajeado, o conteúdo está presente nas aulas de educação física do 6º e 7º ano e que a participação do professor no planejamento da educação física e no engajamento da construção do PPP da escola é bastante destacada.

– na ótica dos professores, os alunos são receptivos e mostram interesse no basquete, o que está em consonância com os projetos sociais desenvolvidos no município.

– os professores atribuem um significado muito positivo às possibilidades pedagógicas que o ensino do basquete propicia, ressaltando que a prática na escola deve ir além dos aspectos metodológicos e técnicos: possibilita a integração dos envolvidos e visa a formação integral dos estudantes.

Na rede municipal, o conteúdo está presente nas aulas de educação física do 6º e 7º ano, e em certas escolas apareceu como sendo um conteúdo ministrado em algumas aulas durante o ano letivo. Ou seja, o professor possibilita vivências da modalidade com o objetivo de proporcionar ao aluno a prática ou o conhecimento de uma modalidade.

Em muitas das escolas pesquisadas, o conteúdo faz parte de um trimestre do ano letivo, no qual os professores planejam as aulas respeitando uma sequência pedagógica com objetivo de possibilitar o desenvolvimento do aluno na modalidade. O questionamento que emerge é: quais são os motivos que apontaram para a contextualização do basquetebol escolar na rede municipal de ensino de Lajeado ser tão diferente da realidade relatada nos memoriais dos alunos do curso de Educação Física?

Pensei que os professores são os principais responsáveis por esta realidade. Conforme as entrevistas e análise de documentos, existe coerência entre o planejamento e as aulas práticas. Ficou claro nas respostas dos docentes que independente da modalidade, os professores estão comprometidos em desenvolver ou auxiliar na construção do conhecimento de seus alunos.

Outro fator preponderante é o meio que vivemos, apesar de sermos conhecidos como país do futebol, cada região ou município tem suas características esportivas e aqui entra o significado do basquete na cidade de Lajeado. Na visão dos professores, os alunos manifestam interesse no basquete nas aulas de educação física.

Para sustentar o significado desta manifestação, entra em cena o Ceat/Bira que assume papel fundamental. Primeiro, em razão da representatividade no RS e em Lajeado como uma das maiores potências no esporte. Ou seja, a realidade na qual estou inserido exerce esta força na escolha e interesse nas modalidades.

Porém, o principal fator de influência analiso ser o projeto social do Bira, por meio das parcerias com as escolas municipais, realizando atividades em turno oposto. Estas experiências refletem nas aulas de educação física, pois alunos participantes destas atividades terão interesse no basquete e serão defensores da modalidade. A força da modalidade no município transcende as quadras da competição. Um Grande Abraço.

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