“As coisas que não são planejadas às vezes dão muito certo”

ABRE ASPAS

“As coisas que não são planejadas às vezes dão muito certo”

Há cada duas semanas, um novo lar, em um novo estado. Foi assim que o lajeadense Romullo Bastos, 25, viveu durante três meses. Agora, passada a aventura, ele aguarda o visto para fazer a mudança definitiva para a Austrália

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“As coisas que não são planejadas às vezes dão muito certo”
Crédito: Divulgação
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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

O que motivou a começar um mochilão pelo Brasil?

O que me motivou, na verdade, foi a vontade de ter um período sabático. Eu sempre quis viajar, fazer mochilão ou algo assim. Eu já estava me planejando ir morar fora, há uns três anos. Porém, no início do ano eu saí do meu emprego e comecei a trabalhar com o mercado da criptomoeda. Eu fiquei mais ou menos até maio operando, e parei porque comecei a ter perdas. Aí eu sabia que não queria ficar parado, aí comecei a planejar o mochilão. Uma viagem menor, antes de mudar de país.

Qual era o seu objetivo com essa viagem?

Eu pensava muito em viajar sozinho, pensei que iria crescer muito e aprender a gostar da minha própria companhia, desenvolver autoconhecimento. Viver experiência, conhecer gente, aprimorar meu relacionamento interpessoal, sabe? Eu queria criar conexões e ter experiências diferentes, sair da bolha.

Quanto tempo durou o mochilão e por quais lugares tu passou?

Fiquei três meses na estrada. Saí para Belo Horizonte e fiquei até setembro viajando pelo Brasil. Depois de BH, passei por Vitória, Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Ubatuba, São Paulo e Florianópolis.

Como foi planejar esse trajeto todo?

Eu sabia que queria gastar pouco, porque eu não estava mais empregado, não tinha renda fixa. Aí eu pesquisei e conheci a Worldpackers, aplicativo que une o viajante aos hostels, campings, que recebem hóspedes de todo mundo. A plataforma é ótima porque você mostra teu perfil e, conforme suas habilidades, encontra uma vaga.

Então você troca o trabalho de seis ou cinco horas por estadia e às vezes tem benefícios como almoços ou jantares. Eu gastei R$400 na minha viagem inteira, que foi o período que fiquei no Espírito Santo, e fiquei quatro dias pagando hostel, mas depois, por três dias, consegui casa para ficar.

E o transporte? Como você ia de um lugar para o outro?

Era muito de ônibus e aplicativos de carona. Às vezes tinha promoções boas para passagens. Tem como economizar na viagem, mas acho que o transporte é o que gasta mais. A alimentação também gastei, mas porque eu não cuidei muito, sempre comi bem. Até gastei com turismo, em Minas Gerais. Mas depois era mais vida de morador do lugar.

Desses lugares todos pelos quais tu passou, qual tu gostou mais?

Ubatuba foi legal demais. Foi onde fiquei mais tempo, um mês e uma semana. O hostel lá é muito concorrido. Ele foi eleito por cinco anos seguidos o melhor hostel do Brasil e da América Latina. Tem muito gringo lá. Conheci francês, turco, dinamarques, argentino, colombiano, chileno, gente de todo lugar. Poxa, no Brasil, sabe? Só viajando. Mas para isso ser bom, precisa estar aberto para conhecer pessoas, conversar, trocar ideias, gostar do aleatório. As coisas que não são planejadas às vezes dão muito certo.

E agora o plano é morar na Austrália, certo?

Isso. Para a Austrália eu to indo com visto de quatro meses. Mas a minha ideia é ficar por lá, começar um curso técnico. Depois, quem sabe, engatar um visto de trabalho também. Enfim, tentar a vida lá.

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