Como era o Vale há 200 anos? – Parte 2

Opinião

Adair Weiss

Adair Weiss

Diretor Executivo do Grupo A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

Como era o Vale há 200 anos? – Parte 2

Por

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Hoje, há exatos 200 anos, o Brasil se libertava de Portugal. Enquanto isso, aqui, no Vale do Taquari, a civilização progredia a passos lentos. A atual cidade de Taquari era um vilarejo de acorianos e escravos. Afora ele, havia poucos povoados além.

Para entender melhor, é preciso retroceder no tempo. Ainda em 1700, a região, em ambos os lados do Rio Taquari, fazia parte do projeto de ocupação territorial comandada pelo governador da Capitania do Rio de Janeiro, Gomes F. de Andrade.

A partir de 1750, as primeiras sesmarias foram concedidas a Francisco Xavier de Azambuja, Pedro Lopes Soares e a Antônio Brito Leme, em Taquari. Em 1754, o governo também enviou para a região, 14 casais açorianos para intensificar a ocupação devido a disputas acirradas com os espanhóis. Sete permaneceram e se fixaram no povoado denominado de São José do Taquary. Na década de 1770, já havia 57 açorianos na região.
Com o tempo, outras sesmarias foram doadas.

Em 1798, José da Silva Lima recebeu a sesmaria do Desterro (Cruzeiro do Sul). Em 1800, os irmãos João e José Ignácio Teixeira receberam as fazendas denominadas Lajeado e Estrela. Mais tarde, em 1815, Ricardo José Villanova recebeu a Fazenda São Caetano (Arroio do Meio). Assim, a economia regional ganhou forma.

Entre os destaques da produção, as tábuas, pois a madeira era abundante. Eram vendidas e levadas a Porto Alegre pelo rio. Outras atividades importantes eram a extração de erva-mate e a retirada de pedras, provenientes de pedreiras próximas a São José do Taquary. Na agricultura, se produziam trigo, milho, feijão e mandioca.

Em alguns municípios ainda pode ser vista a marca dessa colonização nas estruturas dos antigos casarões. As fazendas da Pedreira (em Bom Retiro do Sul) e da Conceição (em Fazenda Vilanova), cujo proprietário era o Barão de Guaíba, ainda resistem ao tempo.

Importante fator de crescimento da economia na região foi o transporte fluvial. O Rio Taquari propiciava a integração comercial com a capital, fazendo surgir novas companhias de navegação. Mais tarde, por volta de 1840, Manoel Alves dos Reis Louzada possuía uma frota de botes, lanchões e canoas, movidos a remo e a vela, com os quais se comunicava com o comércio de Porto Alegre, onde vendia a produção das fazendas.
Foi nessas circunstâncias regionais que transcorria a Independência do Brasil. O Vale dava seus primeiros passos na produção de alimentos, pedras e madeira.

Na próxima edição, vamos adentrar para a primeira cidade autônoma; Taquari. Isso ocorreu 27 anos após a Independência, em 1949, seguida por Estrela pouco tempo depois. E foram os escravos, com seu trabalho árduo, quem fizeram a diferença na economia. Até amanhã!

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