Atletas jovens, o talento para o esporte e o papel dos pais

Opinião

Rodrigo Rother

Rodrigo Rother

Presidente da Avates e professor de Educação Física na Univates

Colunista Esportivo

Atletas jovens, o talento para o esporte e o papel dos pais

Por

Atualizado quinta-feira,
14 de Julho de 2022 às 15:44

Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Sua filha pratica uma modalidade esportiva melhor do que a maioria das crianças da idade dela? Ela é um “talento”? Mas você sabe o que é um talento no esporte?

A literatura especializada no treinamento esportivo vem atualizando o conceito do que é considerado um talento no esporte. A primeira definição era “aquele que apresenta desempenho acima da média numa determinada atividade esportiva”.

Até aí ok, é o que se espera de um talento: que seja melhor do que seus pares. Mas um tempo depois, percebeu-se que não era tão simples assim e acrescentou-se ao final desta definição “em um determinado momento da vida”, por entender que uma criança pode ser um talento aos 10 anos, mas não necessariamente isso se confirme aos 18.

Assim como aquela que não se destaca logo no início pode atingir uma maturidade nos anos seguintes e ultrapassar o rendimento dos demais colegas e adversários. Para finalizar, um último complemento foi feito e me parece determinante (e raro nos jovens de hoje): “e que esteja disposto a dedicar-se a um processo de treinamento sistemático.”

Em tempos que qualquer dificuldade é motivo para desistência e uma cobrança com um tom de voz acima é considerada muita pressão, é raro encontrar alguém que se submeta a esforço, dor, superação, tristezas (porque no esporte, assim como na vida, a gente também perde), e abdique de uma vida de prazeres conflitantes aos cuidados com a saúde que um atleta necessita. Realmente essa é uma pessoa difícil de encontrar.

Retomo e complemento a pergunta inicial: ela é um talento hoje ou um talento futuro? E mais: Ela necessariamente precisa ser um talento para praticar alguma modalidade esportiva? Antes de chegar a uma resposta, considere que o esporte tem muito para contribuir na formação pessoal de sua filha, independente do nível de talento ou período da vida que ela estiver. Lembrem-se ainda que cada pessoa tem seu tempo de amadurecimento e que há muitos caminhos diferentes para se chegar a qualquer lugar, no esporte e na vida.

Se eu puder dar alguma dica para pais de jovens atletas talentosas que estão lendo esta coluna, eu diria: 1- há momentos para deixar fluir e momentos para cobrar; 2- sempre apoiem e incentivem; 3- a melhor forma de fazer o 1 e 2 é usando o abraço, o sorriso e o ombro (porque na maioria das vezes a autocobrança da própria atleta já é pressão suficiente).

Por último: pais, relaxem! Porque no final das contas, sua filha pode “ter rendimento acima da média”, pode estar “no momento certo da vida” mas, se ela não estiver “disposta a dedicar-se”, não vai rolar. Só acontece se tudo isso partir dela. É ela que deve ser a maior interessada.

OPORTUNIDADE PARA REFLETIR

Agradeço ao Jornal A Hora pela abertura dada para um momento de reflexão sobre um tema tão rico quanto o esporte, e tão necessário na formação pessoal dos jovens de hoje. Talvez os leitores não encontrem muitas respostas em minhas colunas, mas se terminarem a leitura com mais perguntas, já terei atingido meu objetivo.

Obrigado e boa semana!


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