Esse admirável mundo novo

Opinião

Marcos Frank

Marcos Frank

Médico neurocirurgião

Colunista

Esse admirável mundo novo

Por

Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Olá, pessoal! Voltei! Depois de um tempo sem escrever, estou de volta graças ao convite de A Hora para ter um espaço onde possa novamente expor minhas ideias.

Um ano em abstinência de escrever nos faz pensar muito. Primeiro sobre para quem escrevemos e porque escrevemos, se para quem nos lê ou se para nós mesmos. Segundo, essa lacuna de espaco nos faz pensar também se realmente fazemos alguma falta nesse admirável mundo novo de muitos bites mas pouca reflexão, onde poucos leem a matéria até o final, menos ainda a contextualizam, mas quase todos têm opinião formada sobre tudo. Infelizmente quase sempre críticas ou agressivas.

Um meme desses tempos atuais diz que se você não está confuso é porque não entendeu bem o que está acontecendo. Sim, o mundo está assim, cheio de opiniões , cheio de certezas e ao mesmo tempo repleto de fakes news. Ninguém mais sabe onde a verdade está.

O filósofo francês Baudillard, da geração pós 68 já havia previsto o mundo atual. Não haverá verdades, mas sim versões sobre a verdade, ou nas palavras do próprio: “a realidade deixou de existir e, passamos a viver a representação da realidade (a simulação) difundida na sociedade pós-moderna e, principalmente, pela mídia.”

Isso ajuda a explicar o momento atual no país, onde vivemos uma guerra de diferentes versões sobre a realidade. Tudo isso sem que a mídia consiga separar joio do trigo e apresentar uma leitura plausível da realidade. Ao contrário, ela decaiu tanto que tornou-se meramente apenas um dos lados. Aliás, hoje com as redes sociais todos somos mídia, e o que nos diferencia é o número de seguidores.

No mundo de hoje uma sentença não é mais uma sentença; um fato pode ser distorcido até virar seu contrário e semear dúvidas e destruir reputações passaram a ser novas funções da política. O mesmo Baudrillard já havia abordado esse fato: “A desinformação vem da profusão da informação, de seu encantamento, de sua repetição em círculos, que cria um campo de percepção vazio. ”

Rodeado de informações voltamos a ser uma espécie de torre de Babel, onde todos falam mas ninguém se entende. Segue ainda o filósofo: “Quando o real já não é o que era, então a nostalgia assume todo o seu sentido. A sobrevalorização dos mitos de origem e dos signos de realidade.”

Essa saudade dos tempos em que a realidade era mais fácil de decifrar nos leva a entender a polarização atual do pais: de um lado Lula e sua sedução demagógica e do outro Bolsonaro e sua fantasia de uma sociedade patriarcal.
As redes sociais não nos fizeram avançar, mas sim nos fizeram voltar no tempo!


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