Da gripe ao Natal

Opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

Da gripe ao Natal

Por

Arroio do Meio
Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Nesta época revivo outros “Natais”. Nos anos 50, os mais genuínos na Picada Felipe Essig, Arroio do Meio. Ainda sem luz, ia-se à igreja na escuridão andando os 3 km sob manto de estrelas não ofuscadas pelo brilho da eletricidade. E lá, o bucolismo de um pinheirinho, iluminado por velas que concorriam com os lampiões na parede.

Nostálgico, nesta semana fui surpreendido por notícia inédita, em jornal estadual: surto de gripe em pleno verão. Como assim? Não relembro algo parecido, nem mesmo nos tempos daquela comunidade interiorana em que gripes eram curadas com remédios caseiros “sem comprovação científica”. Diante do inusitado contemporâneo (Natal com surto de gripe), li a matéria. Toda confusa, mesclando gripe com Covid, assustava o leitor incauto, induzindo-o a vacinar-se.

Curioso, dias seguintes folheei o mesmo jornal e fiquei impressionado. Vi, por exemplo, que o Ministro da Saúde teria errado não avalizando, de pronto, a vacinação de crianças a partir dos 5 anos. Culpa de quem, segundo eles? Também do Presidente da República, mesmo que Queiroga tenha dito querer, primeiro, audiência pública, para os pais terem consciência do fato e de suas repercussões na vida futura dos filhos. Prudente ele, pois, se há algo sem comprovação científica, quanto aos efeitos futuros, mormente em crianças, são as vacinas. Fique tranquilo, caro leitor, já fiz todas as possíveis. Neste viés, outra surpresa minha: recomendavam a dose de reforço após seis meses. Baixaram para cinco e, agora, para quatro. Opa. Estarão os laboratórios estocados porque os europeus foram conservadores e, a demanda, não a esperada? Daí que chamaram organismos mundiais de comunicação para nos apavorar além da conta? Ao invés de orientar-nos?

Adicionalmente, o tal jornal levou aos leitores que o agora “Auxílio Brasil” é um acúmulo de absurdos. Tudo errado, mesmo que, quando lançado por governos passados como “Bolsa Família”, era (e é), segundo ele, algo maravilhoso. Já em outra matéria, asseverou que o número de acidentes de trânsito no RS era o maior dos últimos dois anos porque Bolsonaro mandara desligar os “pardais”. Neste caso, convenientemente, não consultou as Polícias Rodoviárias, as quais lhe diriam que o índice de acidentalidade nos pontos onde antes localizados aqueles equipamentos, é zero ou próximo disto. Por tendenciosidade, ou estimulado pelos fabricantes dos equipamentos, desviou o assunto da discussão central, das reais causas do aumento de acidentes.

Com estas leituras consegui traçar linha temporal lógica: nossos “Natais” não ficaram desassossegados somente a partir de 2020, devido à covid, mas a partir de 2018 quando da eleição do atual presidente da República. Na visão particular de algumas redes, estamos no pior dos países, governado pelo pior dos presidentes, mesmo que quem esteja governando seja o STF. Isto é ridículo. Bolsonaro, como seus antecessores, tem acerto e erros. Quanto ao país, continua lindo. Apenas lambe as feridas de uma crise mundial que colocou todos os países sob inflação e o Reino Unido, por exemplo, com supermercados desabastecidos.

Some-se o fantasma da Ômicron para ter-se um caldo perigoso, eivado de inverdades que levam a juízo coletivo equivocado, capaz de induzir ambiente que beneficia a poucos interesseiros.

Como cristão, agora adulto, sei do significado do Natal: esperança e redenção. Deixemo-nos enlevar pelo espírito da fraternidade, próprio do período natalino, aliviando o peso do dia a dia. Porém, aguçando o senso crítico do que queremos no futuro. Para evitar que, mais um tanto, nem “Feliz Ano Novo” não possamos mais nos desejar. Na Coreia do Norte, por exemplo, até sorrir em público pode dar paredão.

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