O Secretário e a rede social

Opinião

Ney Arruda Filho

Ney Arruda Filho

Advogado

Coluna com foco na essência humana, tratando de temas desafiadores, aliada à visão jurídica

O Secretário e a rede social

Por

Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Conheço o Carlos Rodrigo Reckziegel. Não na intimidade, mas tenho acompanhado a sua trajetória como Secretário da Cultura, Esporte e Lazer do Município de Lajeado. No comando da pasta, ele tem revelado muita sensibilidade, empenho e dedicação nas 3 áreas distintas que lhe foram delegadas, especialmente na área da cultura. Não é segredo que a cultura tem sofrido ataques de toda ordem nos anos mais recentes. Lembro de uma postagem que viralizou nas redes sociais, convocando pessoas que “nunca tinham precisado de um artista na vida” a compartilhá-la. E houve muitos compartilhamentos, muitos. O mote era o total desprezo pela arte e pela cultura, como se tais manifestações fossem secundárias ou mesmo dispensáveis na vida humana. Lembro também de uma resposta, que teve bem menos compartilhamentos, de um artista pedindo então que devolvessem as canções de ninar, as fábulas e as histórias infantis, aquele filme ou a novela que havia emocionado. Outro dia, meu amigo Renato Nicolau Müller escreveu: antes de uma criança começar a falar, ela canta; antes de escrever, ela desenha; no momento que consegue ficar de pé, ela dança; arte é fundamental para a expressão humana.

Mas o assunto que me levou a escrever, é o texto que o Carlos Rodrigo Reckziegel publicou nas redes sociais, no último final de semana. Com o título O “Incapaz”, o “Ex-presidiário” e “Nós”, Carlos expos com clareza e argumentos o seu olhar sobre o momento atual no Brasil. Destacou a marca dos mais de 501 mil mortos e o orgulho de morar em uma cidade onde houve comunhão de esforços, sob a liderança do Prefeito Municipal, para enfrentamento da pandemia. Afirmou que o governo federal é um “incapaz”, pois passado mais de um ano, não conseguiu fazer a coordenação nacional para combate ao vírus. Ele prossegue, falando de um ex-presidente e agora “Ex-presidiário”, que ressurge como um salvador da pátria. Prossegue, dizendo que “Nós”, os eleitores, somos culpados por termos colocado o “Incapaz” e o “Ex-presidiário” lá. E afirma: a tragédia será maior ainda se, em 2022, novamente “Nós”, os eleitores, colocarmos um deles no cargo máximo do país. O texto é forte e expressa a opinião do seu autor, com fatos, resgates históricos e argumentos.

Até a conclusão deste escrito, a postagem do Secretário numa rede social tinha 174 comentários. A repercussão, penso, era esperada pelo Carlos, mas creio que ele não imaginava sofrer tantos ataques e ofensas. A tônica do momento, quando alguém torna pública uma opinião que não se coaduna com a nossa, é atacar, desmerecer, desqualificar, destruir. Não há argumentos contrapostos, não há debate de ideias. Lembrei do livro O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, que coloca a polidez como a primeira virtude humana. Lembrei que as virtudes estão sendo esquecidas. Pior, a agressividade, a estupidez e a violência estão sendo enaltecidas. Pensei em dar um abraço no Carlos, por solidariedade.

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