O que faz o segmento da Estética crescer em plena pandemia?

opinião

João Tassinary

Professor do curso de Estética da Univates

O que faz o segmento da Estética crescer em plena pandemia?

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Lajeado
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Os avanços em protocolos sanitários e a intensificação das pesquisas em conjunto com a produção de vacinas permite aos otimistas vislumbrar um amanhã mais próximo da “normalidade”. Porém, tudo indica que o impacto da pandemia de Covid-19 sobre a sociedade, com transformações no mercado de trabalho e nas relações humanas, é definitivo.

Recentemente, o Fórum Econômico Mundial descreveu o futuro próximo em seu novo relatório intitulado The Future of Jobs. O texto indica mudanças abruptas que provavelmente serão permanentes na forma como os seres humanos irão desempenhar suas atividades de vida diária. Esse cenário acelerou a adoção das tecnologias da 4ª Revolução Industrial, uma vez que grande parte da sociedade passou a depender de computação em nuvem, inteligência artificial, velocidade da rede 5G e big data, entre outras.

Além do mundo da tecnologia, a pandemia ascendeu e desenvolveu áreas talvez inimagináveis a “olho nu” neste momento, e trouxe aos holofotes uma maior valorização da saúde física e mental, contemplando diretamente os cuidados com os seres humanos, inclusive com a parte estética. Prova disso é que o setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) fechou 2020 com crescimento de 5,8%, de acordo com Dados de Mercado da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Esses números são ainda mais relevantes se pensarmos no encolhimento do PIB do país nesta mesma época.

O grande destaque da área da Estética está relacionado aos tratamentos faciais; e, somente em produtos, apresentou 91% de crescimento. Além do aumento da expectativa de vida da população, fator que impulsiona continuamente tal segmento da área, a atenção e o autocuidado nesta época se intensificaram.

Diante de um cenário tão preocupante, sentir-se bem consigo mesmo é um ato que favorece a saúde. Afinal, a autoestima é um indicador diretamente influenciador da qualidade de vida. Por esse motivo, a Estética é um dos poucos segmentos fora da Economia Digital a se manter aquecido durante a pandemia.

Os procedimentos minimamente invasivos já vinham registrando alta desde 2017, quando a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica divulgou que a busca por esse tipo de tratamento cresceu 390% em dois anos. Agora, além da rapidez na recuperação, o fato de o paciente não precisar de internação é uma das grandes vantagens desse tipo de procedimento.

Naturalmente, os períodos de lockdown afetaram a rotina de clínicas de Estética em diversas cidades do Brasil. Porém, observa-se que, em geral, o rigor sanitário — inerente à prática de qualquer profissional qualificado dessa área —, aliado a protocolos de segurança e controle no fluxo de pacientes, traz um ritmo de trabalho importante para a sustentabilidade de uma clínica, o que reforça a contribuição da área à manutenção das atividades econômicas.