TEMPO DE DIVIDIR  A CONTA

opinião

Marco Rockembach

Marco Rockembach

Presidente do Sindicomerciários

Assuntos e temas do cotidiano

TEMPO DE DIVIDIR A CONTA

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Lajeado

Quando ouvi as primeiras notícias sobre o novo coronavírus, em janeiro, lamentei pela população chinesa e achei que pela distância entre aquele país e o Brasil, estivéssemos imunes. Na ocasião, não me dei conta que a transmissão de algumas doenças também é globalizada e, transcorridos tão poucos meses, a pandemia já afeta 1,9 milhão de pessoas e causou mais de 120 mil mortes no mundo, o que evidencia que não é uma “gripezinha” ou “resfriadinho”.

Diante da pandemia, estamos vivenciando a necessidade de isolamento social para que vidas sejam preservadas. O preço para isso, entretanto, tem sido a paralisação de vários segmentos da economia. Tenho participado, como presidente do Sindicomerciários, de frequentes reuniões com lideranças de entidades locais visando acompanhar dados e fatos relacionados à doença, e pensar alternativas viáveis para poder voltar a rotina de abertura do comércio com segurança.

O decreto estadual, emitido pelo governador do Rio Grande do Sul, assegurou o fechamento do comércio (e outros estabelecimentos) até o dia 15 de abril. A opinião quanto às restrições de abertura dividi opiniões entre empresários, trabalhadores e comunidade em geral. Alguns acham que as restrições deveriam ser mais flexível, outros que as particularidades das regiões devem ser consideradas e, outros ainda, que é cedo para a abertura.

Estima-se que a última pandemia mundial, chamada de gripe espanhola, ocorrida em 1918, infectou mais de 500 milhões de pessoas e vitimou entre 50 e 100 milhões de pessoas. Os recursos disponíveis para conter a pandemia na época não podem ser comparados com os recursos atuais, mas, mesmo assim, não são suficientes para atender a projeção de doentes se a população não permanecer em isolamento social. Temos vários exemplos das consequências pela falta antecipada e contínua de medidas preventivas ao COVID-19. Basta acompanhar o número de mortes nos Estados Unidos, na Itália, na Espanha, na França e no Reino Unido.

Concomitante, os governos injetam recursos financeiros na economia para minimizar os efeitos da pandemia. O governo brasileiro editou algumas Medidas Provisórias, entre elas destaco as MPs 927 e 936. A MP 927 trata de questões relacionadas a férias e banco de horas e a MP 936 da redução proporcional da jornada de trabalho e de salários (25%, 50% ou 70%). Sabemos que os processos e as relações de trabalho estão sofrendo grandes mudanças em função do conoravírus e, talvez, não serão mais iguais, mas essa conta não pode ser paga somente por empregadores e empregados.

Definitivamente é chegada a hora do governo realizar a reforma tributária, reduzir as taxas de juros do sistema financeiro e intensificar um programa de geração de emprego e renda. Não podemos pagar a conta, sozinhos. Ela precisa ser dividida entre o governo e a sociedade.