Há muito  mar depois  da onda

Opinião

Gabriel Carneiro Costa

Gabriel Carneiro Costa

Escritor e palestrante

Há muito mar depois da onda

Por

Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Quando eu era criança, depois dos cinquenta anos, sessenta no máximo, a vida parecia entrar no seu ciclo final. A preocupação dos meus avós e parentes com mais idade era como se aposentar com alguma qualidade, desacelerar a vida, curtir os netos e esperar a morte com decência.

Porém hoje estamos vivendo as primeiras gerações onde envelhecer é papo chato.
Olhando para meus pais, parentes, clientes atendidos e até mesmo amigos que tenho nesta faixa etária, a vida está longe de precisar ser freada.
Como todo traço novo no comportamento social, ainda há muita confusão, modismo, preconceito e até mesmo vergonha. Mas a verdade é que esta turma quer muito saber como é o mar depois da onda. Subir nos caiaques ou pranchas da vida e se deliciar com um mar mais calmo sim, mas ainda com muita coisa para ser explorada.
Em épocas onde os jovens criaram status apenas porque são jovens, modernos, deslocados e ágeis, está na hora dos cinquentões assumirem que no fundo eles são apenas “jovens há mais tempo”.

Beautiful happy elderly couple rest at tropical resort,back view

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Pais e filhos indo no mesmo bar? Ouvindo as mesmas músicas? Comprando roupa nas mesmas lojas? Desejando aventura, romance, sexo, reconhecimento, novidade da mesma forma? Sim. É isto. E vamos todos nos adaptar a este novo momento, que ao meu ver parece ter muito mais ganhos.
Com frequência, recebo no meu escritório clientes com sessenta anos sedentos por novos propósitos na vida. Querem viver novas carreiras, novas experiências, novos amores. Querem encontrar novos sentidos de como usufruir ainda suas vidas e repensarem o significado do legado que podem deixar.
Organizo caminhadas em Portugal e já tive muitos participantes que anos atrás seriam considerados velhos, que caminharam cinquenta quilômetros com muita energia e disposição (disposição aliás muitas vezes melhor de outros mais jovens que também caminham), refletindo suas jornadas como uma espécie de renascimento, porém com a certeza de que já cruzaram a arrebentação.
A palavra “idosos”, acompanhada daquela plaquinha de sinalização com um bonequinho de bengala, precisa urgentemente ser repensada. Estamos todos no mesmo mar e no fundo ninguém mais quer sair dele.
 
 

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