As faces do silêncio

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As faces do silêncio

Acredito que o ser humano subestime o poder do silêncio, principalmente o seu “próprio” silêncio. Shakespeare disse “O resto é silêncio.” Mas não podemos tratar o silêncio como um resto, mas sim como um início de tudo, algo que impulsiona…

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Gustavo Adolfo 03

Acredito que o ser humano subestime o poder do silêncio, principalmente o seu “próprio” silêncio. Shakespeare disse “O resto é silêncio.”
Mas não podemos tratar o silêncio como um resto, mas sim como um início de tudo, algo que impulsiona e intensifica, que flexiona tramas e potencializa discussões. A sociedade imediatista tem dentre suas características a necessidade de comunicar-se e, dentro dessa comunicação incessante, vive a procura por vender seu “eu” aos demais.
E todos sabem que o bom vendedor é aquele que detém a arte da conversação, do diálogo exclamativo, convincente e representativo. Logo vivemos em um meio onde conseguimos tudo por meio de disputas de grito. E o silêncio?
Ah o silêncio se faz presente, mesmo que em minoria, ele aquieta mentes fugazes, sacia olhares pretenciosos, martiriza os rivais e intimida os despreparados. E o mais interessante, ele está presente mesmo durante a conversação, seja tomando o espaço de suspense ou simplesmente aquietado com um abraço aconchegante.
Sua prática torna-se saudável. A medicina oriental trabalha muito com o silêncio. Convém lembrar seu papel no desvelar de diversas situações, em momentos de nossa vida, o silenciar das palavras amplia nossa concepção do espaço, pois ele alavanca em si mesmo o despertar de outros sentidos, que afloram principalmente em forma de emoções. E o que seria do ser humano sem emoções?
Certamente um breve silêncio se fez agora! Nossa vivência é ampla, suas conjunturas são milimetricamente pensadas e incorporadas por cada indivíduo. E o que nos resta se não o silêncio para nos compreendermos! Nestes momentos, encontram-se os pensamentos mais belos que podem nos rodear.
Se refletirmos por alguns segundos, certamente ficarão vivazes situações em que o silêncio demonstrou-se a solução dos problemas. As distinções permeiam momentos que antecedem uma prova que exige concentração máxima, ao singelo tocar dos lábios ao cessarmos uma fala, do minuto reverenciado a uma tragédia ao silêncio que antecede o choro de um recém-nascido.
Em nossa busca constante por fazer acontecer, incito a fazer silêncio por um breve momento. Por mais breve que seja, desencadeará uma vivaz sensação de renovação e determinação sobre o pensamento e as atitudes que se sucederão.
Luis Felipe Pissaia
Bacharel em Enfermagem e mestrando em Ensino pela Univates
[email protected]

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