Cidades agilizam nomeações de médicos

Vale do Taquari

Cidades agilizam nomeações de médicos

Executivos de Marques de Souza e Mato Leitão tentam contratos emergenciais

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A dificuldade para contratar médicos que atuem na saúde pública persiste na região. Em Mato Leitão, o Executivo tenta repor uma profissional concursada, após pedido de exoneração.

Nesta semana, uma proposta emergencial foi aprovada para um cargo no Posto de Saúde de Santo Antônio. O vencimento previsto é superior a R$ 10,8 mil para 40 horas semanais.

Desde a saída da profissional, afirma a secretária de Saúde Miriam da Silva, o atendimento tem sido adaptado com outros dois médicos atuantes no município. Além da demanda de serviços, um agravante é o período de férias da categoria. Neste mês, uma contratada pelo Programa Mais Médicos, deve ficar 30 dias fora.

A equipe reduzida levou Miriam a substituir o atendimento na área rural pelo Posto de Saúde de Santo Antônio de forma temporária. Para o período de férias, as consultas devem ser adaptadas para meio turno em cada unidade.

Segundo Miriam, a decisão de abrir contratação para 40 horas semanais foi motivada após tentativas de trazer profissionais com carga horária de 20 horas. “Já fizemos um projeto com menos horas e salário proporcional para tentar atrair médicos, mas não tivemos inscritos.”

Sem médico

Situação mais crítica ocorre em Marques de Souza, onde as duas médicas solicitaram desligamento na semana passada e deixaram o município sem profissionais da área na rede básica. Uma delas já exercia a função por contrato temporário.

Para não perder recursos da Estratégia de Saúde da Família (ESF), um edital para reposição de dois profissionais será aberto até o fim da semana. A proposta foi aprovada nesta semana com salários acima de R$ 11,3 mil. Com a deficiência, as demandas são encaminhadas para o hospital do município.

Segundo a assessora jurídica Aline Krüger, eles têm até dois meses para regularizar a pendência e manter o serviço de ESF. Uma forma de agilizar o processo está no modelo adotado para o edital. As vagas recebem inscritos para 20 e para 40 horas semanais. Nesse caso, quatro médicos seriam contratados como forma de atender as exigências do Ministério da Saúde. Os contratos têm duração de 180 dias.

O problema de reposição de médicos tem sido recorrente no Vale do Taquari. Em 2013, como publicado no A Hora, Relvado convivia com o problema após quebra de contrato de profissionais terceirizados. Sem sucesso em editais entre o fim de 2013 e metade de 2014, o município precisou terceirizar o serviço para quatro dias na semana. A definição só ocorreu após três pregões para contratação.

Falta de incentivo

Para o técnico em Saúde da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Paulo Azeredo, é preciso melhorar a estrutura de trabalho e estimular a formação de médicos no interior. Segundo ele, a maior demanda nos municípios de pequeno porte é por profissionais especializados. Entre os principais, estão a traumatologia, reumatologia, dermatologia, urologia e cardiologia. As exceções, afirma, são os períodos transitórios, como os da região.

Na avaliação de Azeredo, a falta de investimentos do Estado e União para compra de equipamentos agrava o desinteresse de médicos pelo interior, mesmo com salários considerados atraentes. “Hoje os municípios estão fazendo milagres, com repasses atrasados desde 2014.”

De acordo com o técnico, a falta da definição de um piso e formação de um plano de carreira estão entre as reivindicações mais comuns da categoria. Uma das alternativas para amenizar o problema, afirma, seria a ampliação do Programa Mais Médicos e condições mais atrativas aos profissionais locais.

“Não tem como trabalhar sozinho”

Há cinco anos, o médico Fábio Zarthea, 35, trocou o interior de Santa Catarina por Teutônia. Na época, afirma, buscava mais qualidade de vida e a consolidação da carreira. A recepção e a apresentação de um projeto para o trabalho foram determinantes para a decisão.
Ele reforça a necessidade de um plano de carreira para a categoria atuar no interior. Segundo ele, a falta de continuidade, infraestrutura das cidades e de atendimento são fatores que influenciam a ida de médicos para municípios do interior. Um agravante é a dificuldade de atualização profissional. “A medicina, hoje, é muito complexa, não tem como o médico trabalhar sozinho. Apesar de bons salários e infraestrutura, muitos temem ficar isolados.”
De acordo com ele, uma das formas de estimular a vinda de médicos é a melhoria da infraestrutura dos postos e o acesso mais fácil a exames. Os fatores, indica, costumam ter grande influência na decisão de mudança.

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