Áreas sem pavimentação seguem no programa

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Áreas sem pavimentação seguem no programa

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O governo mantém sus­pensa a exigência de pavimentação e infraes­trutura básica nas áreas destinadas a moradias financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Pressão de construtoras em relação às taxas de lucro e o aumen­to dos preços dos terrenos em áreas centrais motivaram a decisão.

Ontem, as imobiliárias que tra­balham como correspondentes bancários do programa habita­cional receberam a notificação da Caixa Econômica Federal (CEF) por e-mail. O texto de pouco mais de cinco linhas prolonga por tempo indeterminado as condições para se enquadrar no financiamento. É a terceira vez que isso acontece.

minhacasaO gerente interino da CEF de Es­trela, Cláudio Airton Griesang con­firma a informação. Segundo ele, a fiscalização dos engenheiros do banco e a padronização de algumas características dos imóveis ajudam a garantir a qualidade dos projetos. “O preço final pode aumentar em torno de 5%.” Nada impede que ou­tra notificação cancele a possibili­dade de acesso a imóveis em áreas sem pavimentação.

Considerado um dos maiores pro­gramas habitacionais do mundo, o Minha Casa, Minha Vida aprovou verbas para pouco mais de dois mi­lhões de residências. Desde o começo da liberação de dinheiro público, em 2009, o custo de alguns terrenos au­mentou mais de 200%. Em Lajeado, a impossibilidade de construir em áreas sem pavimentação dificulta a margem de lucro considerada não atrativa pelo setor imobiliário.

O empresário da construção civil, Marcelo Munhoz diz que com a alte­ração é possível que o crescimento ur­bano seja desordenado. A busca por terrenos baratos empurra as famílias para locais longe do centro e sem as benfeitorias do poder público.

Os protestos por falta de infraestru­tura podem surgir e será um desafio para a administração municipal defi­nir onde serão feitos os investimentos. A liberação dos loteamentos atrela o poder público aos moradores destas áreas que têm direito aos serviços bá­sicos. “Para resolver os problemas de agora, voltam os de antes.”

Munhoz acredita que o mercado tende a se acomodar, e terrenos no loteamentos Verdes Vales e no bairro Conventos tendem a se valorizar nos próximos meses. Conforme noticiado no dia 21 de julho, dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam que além da libera­ção das áreas, um aumento de 30,7% no benefício da menor faixa de renda seria o mínimo para manter o merca­do atrativo às construtoras.

Entenda o financiamento

O programa oferece recursos para a construção de moradias populares no valor de R$ 100 mil para Lajeado, e R$ 80 mil nas demais cidades da re­gião para famílias com renda de até R$ R$ 4,9 mil ao mês. O interessado não pode ter qualquer imóvel qui­tado ou em financiamento no seu nome. As famílias na faixa de zero a três salários mínimos terão direito a 60% das moradias custeadas.

A ajuda de custo, chamada subsí­dio, pode chegar a até R$ 13 mil, de acordo com o perfil dos interessados. A prestação não pode ser superior a 30% da renda familiar mensal. A casa, a construção ou o apartamen­to podem ser pagos em até 30 anos.

Na hora de assinar o contrato, é preciso escolher entre dois tipos de financiamento.

Tabela do Sistema de Amortização Constante (SAC), o valor das presta­ções diminui, resultando em um sal­do menor no fim. Na tabela Price, o valor das parcelas é o mesmo ao lon­go dos anos, mas o saldo devedor fica maior pelos juros acumulados.

Famílias aguadam imóveis do “Minha casa, minha vida”

No ano passado, a Se­cretaria de Planejamen­to de Lajeado autorizou 1.230 alvarás de constru­ção em uma área estimada de mais de 270 mil metros quadrados. As unidades habitacionais em edifícios representam a maior parte deste volume.

Desde o início do ano, fo­ram liberadas mais de 500 obras no município. Só em junho foram cem.

O corretor de imóveis Vianei Dressler conta que 26 de seus clientes espe­ram imóveis que se enqua­drem no Minha Casa, Mi­nha Vida. Com a constante valorização dos imóveis e o aumento nas exigências dos avaliadores da CEF para padronizar as unida­des habitacionais, encon­tram cada vez menos op­ções na faixa de preços de até R$ 100 mil.

As alterações nas regras criam um clima de insegu­rança para as famílias e o setor imobiliário. “Nin­guém sabe se tudo muda­rá novamente no próximo mês.”

As outras linhas de fi­nanciamento com o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, sem os benefícios do programa Minha Casa, Minha Vida, também são muito atraen­tes e facilitam a aquisição de imóveis, mas para quem dispõe de mais recursos.

Para quem procura o imóvel na faixa dos R$ 100 mil em Lajeado e R$ 80 mil nas demais cidades do Vale, a pesquisa constante e o assessoramento de um corretor de confiança são as dicas. “Se a notícia da liberação de financiamen­to de imóveis pelo progra­ma Minha Casa, Minha Vida em áreas não pavi­mentadas se confirmar, diversas opções voltam ao mercado.”