Hospitais podem suspender atendimentos

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Hospitais podem suspender atendimentos

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Os pacientes do Siste­ma Único de Saúde (SUS) podem ter difi­culdades para ter o atendimento gratuito nos hos­pitais filantrópicos. Os serviços podem ser suspensos na próxi­ma semana, caso os diretores rejeitem a proposta de repasse feita pelo governo estadual às instituições.

Em reunião entre a Federa­ção dos Hospitais Beneficen­tes, Religiosos e Filantrópicos, o vice-governador, Beto Grill e o secretário estadual de Saúde, Ciro Simoni, o estado ofereceu o repasse de R$ 50 milhões às instituições – sendo R$ 14 mi­lhões dos cofres do governo e o restante a ser buscado com o governo federal.

susOs outros R$ 50 milhões se­riam de um financiamento com o Banrisul, com juros de 1,5%. O estado subsidiaria 0,7%.

A reivindicação dos hospitais é de um aporte financeiro de R$ 100 milhões ainda neste ano. A decisão será tomada na assem­bleia dos diretores dos hospitais, em Porto Alegre, no dia 25.

O presidente do Sindicato dos Hospitais Filantrópicos do Vale e diretor presidente do Hospital Ouro Branco (Teutônia), André Lagemann ressalta que as propostas de paralisação “sempre estão na mesa”.

Ele acrescenta que o valor é insuficiente para pagar a dívi­da das 239 unidades em todo o estado, estimada em R$ 310 milhões e critica a possibilida­de de fazer um financiamento – na qual os hospitais se man­teriam endividados.

Lagemann aponta a perma­nência dos profissionais da saúde como um dos principais problemas dos hospitais. Ele cita como exemplo as adminis­trações municipais, que não conseguem contratar médicos para os postos de saúde.

O diretor do Hospital Bruno Born (HBB), Élcio Callegaro duvi­da de uma paralisação. “É uma medida extrema, mas somos tão bonzinhos que continuaremos atendendo”, ironiza. Ele conside­ra a suspensão dos serviços uma medida incorreta.

Renegociação de dívida

Callegaro foi informado pelo jornal A Hora sobre a proposta do estado. “Só R$ 14 milhões mostra que o governo não quer cumprir o que está previsto em lei.” Conforme a emenda cons­titucional de número 29, 12% do orçamento estadual deve ser repassado à saúde. Hoje, a área recebe só 4%.

Ele desconhece os critérios que serão adotados para o repasse de dinheiro e aguardará a as­sembleia para tomar uma de­cisão. O HBB tem uma dívida de R$ 18 milhões com o estado, que é renegociada com o Banrisul.

Mesmo com as críticas, os di­retores de hospitais mantêm a esperança. Lagemann acredita que, até o fim do mandato, o governador aplicará os recursos previstos em lei.

Hospitais filantrópicos do RS

– 239 unidades hospitalares;

– 18 mil leitos SUS;

– Mais de 70% da capacidade assistencial hospitalar SUS no estado;

– 519 mil internações ano;

– 55 mil trabalhadores;

– 66,6% dos leitos existentes no RS estão nestes hospitais;

– Em 220 municípios é o único hospital;

– Maior rede complementar estadual no país.

Fonte: Federação dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS