Campanha propõe destino ao lixo eletrônico

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Campanha propõe destino ao lixo eletrônico

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, pro­mulgada em meados de 2010, instituiu regras para os descartes de materiais eletroeletrônicos. Em seu texto estão estipuladas punições para organizações e indivíduos que abandonam esses componentes no ambiente e regras para seu re­aproveitamento e coleta.

Iniciativas e projetos com ênfase estadual e municipal não são no­vidades. Ancorados na lei, os me­canismos podem se tornar mais eficientes e estimular a adesão da sociedade em uma nova relação com a rápida troca deste tipo de equipamentos.

lixoNa manhã de ontem, 70 muni­cípios do estado lançaram a Cam­panha de Recolhimento de Equipa­mentos de Informática e Telefonia Pós-Consumo, criada pelo sistema Fecomércio-RS. Se trata do primeiro passo para o surgimento de espaços públicos e gratuitos para o recebi­mento desse tipo de descartes.

Até agora, Lajeado é a única ci­dade da região a confirmar a par­ticipação. A cerimônia na sede do Serviço Social do Comércio (Sesc) di vulgou as ações confirmadas para o município e reiterou a busca pela adesão de outras cidades.

A entidade quer a adesão de empreendimentos para a criação de locais para receber equipamentos eletroeletrônicos como: celulares, baterias, com­putadores, cabos e estabilizado­res, e outros (veja boxe).

Os locais de coleta serão definidos nos próximos dias. Entre eles, super­mercados e outros locais de grande movimentação. No dia 10 de setembro, um evento no Parque Professor The­obaldo Dick será dedicado ao recolhi­mento dos componentes eletrônicos.

A meta da entidade é que até o fim da campanha, no dia 30 de se­tembro, sejam retiradas de circula­ção em torno de cem toneladas de equipamentos periféricos e mais de 20 mil celulares e baterias.

O descarte será gratuito em locais identificados pelo selo da campanha. O armazenamento será feito na Univates. Encerrado o prazo, uma empresa levará os materiais para reciclagem, descontaminação.

Materiais recolhidos na campanha

CPU’s completas, monitores, te­cldos, mouses, impressoras, note­books, estabilizadores, no breaks, telefones celulares e baterias, car­regadores, telefones sem fio, cabos, terminais, centrais telefônicas, placas de rede e mãe, fax, vídeo e som, modens e decodificadores.

Saiba mais

A estimativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é que até 2030, o Brasil pro­duzirá 680 mil toneladas por ano de resíduos eletrô­nicos. Cada brasileiro será responsável pela geração de 3,4 quilos deste tipo de lixo. Segundo a entidade, até 2020, o volume de resí­duos procedentes de com­putadores crescerá 400% em países como a Índia e a África do Sul.

Tecnologia estimula o descarte

O gerente de assistência técnica de uma loja de com­ponentes para informática, Daian Feldens Siqueira diz que os descartes recebidos de clientes são encaminha­dos a única prestadora de serviço do ramo instalada no município.

No caso de grandes volu­mes, como em empresas, o contato do empreendimento é informado. A maior parte dos equipamentos armazenados em um depósito para coleta mensal é parte interna das máquinas.

A maioria é danificada por correntes elétricas. Entre elas Hard Drives (HD’s), fontes e placas-mães. Os monitores danificados ou com tecnolo­gia defasada são os produ­tos que mais ocupam espaço. Diferente dos componentes mecânicos, os eletrônicos são projetados para ter um tempo de vida reduzido. “As atualiza­ções constantes estimulam a investir em novos modelos.”

Para regularizar seu alvará de funcionamento na vigi­lância ambiental, a empresa deve apresentar a cada ano as notas emitidas a pelo em­preendimento que recolhe os descartes.

Rudinei Camargo é o pro­prietário da única empresa da região autorizada a an­gariar esse tipo de material. A cada mês são recolhidos em média 1,5 mil quilos que são enviados a um empreen­dimento em Santa Catarina para reciclagem.

Todos os dias, três pessoas circulam pela cidade e ar­redores em uma camionete para recolher o material em empresas e assistências téc­nicas.

Um depósito no bairro Moi­nhos recebe celulares, bate­rias, monitores, telefones e componentes de computado­res. “Ainda não temos licença para televisores.” O empresá­rio pensa em estender o servi­ço para a comunidade.

Riscos de contaminação

Segundo a gerente do Sesc Betina Duraiski, a campanha corresponde a uma necessi­dade do setor comercial e in­dustrial que proíbe levar esses materiais aos aterros sanitá­rios pelo risco de contamina­ção.

A Política Nacional de Resí­duos Sólidos criou mecanis­mos de descarte e normas de logística reversa para as em­presas do setor. Esse processo consiste em receber os mate­riais vendidos após eles terem saído de uso.

A secretária do Meio Am­biente, Simone Schneider diz que a administração muni­cipal assinou um termo de cooperação com a entidade para estimular ações seme­lhantes.

Segundo ela, a contamina­ção causada por equipamen­tos como as baterias de celu­lares afeta nascentes de rios e o solo.

Mais informações sobre a campanha podem ser encon­tradas pelo www.fecomer­cio-rs.org.br/campanhasus­tentabilidade. No dia 3 de outubro, um relatório com os resultados da campanha será divulgado pela imprensa e as entidades que integram o sis­tema Fecomércio.