Governador abre 2ª AgroInd Familiar

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Governador abre 2ª AgroInd Familiar

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

“Esta feira é um orgulho para o estado e serve como exemplo de integração re­gional.” Com estas pala­vras, o governador Tarso Genro encerrou seu discurso na abertu­ra da 2ª AgroInd Familiar – Feira Nacional de Máquinas, Equipa­mentos, Produtos e Serviços, que ocorreu ontem à tarde, no Parque do Imigrante.

agroO governador ressaltou a im­portância da produção primária da região, voltada para o merca­do interno e nacional. “Aqui não dependemos do que ocorre no mundo para desenvolvermos. Po­demos controlar nossos preços.” Segundo Tarso Genro, o investi­mento na base de produção e o cooperativismo são “marcas” do Vale do Taquari.

A criação de um Plano de Safra Local foi anunciada pelo governa­dor. Segundo ele, o governo estadu­al deve agregar recursos do plano federal com outras verbas angaria­das pelas agências financeiras do estado, para dar sustentabilidade ao pequeno e médio produtor. “Pre­cisamos qualificar a base produtiva do estado, usando como exemplo o que vocês estão fazendo agora.”

Acompanharam o governador os secretários de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) Ivan Pavan; de Agricultura, Pecuá­ria e Agronegócio (Seapa), Luis Fer­nando Mainardi, e o secretário do Gabinete dos Prefeitos e Relações Federativas, Afonso Motta.

Desafio é lançar a 3ª AgroInd Familiar

O presidente da feira, Oreno Ardêmio Heine­ck, lembrou que no Vale quase 26% da população ainda vive no meio rural. “No estado o número cai para 14%.”

Para ele, é preciso rever­ter o êxodo rural por meio de incentivos e condições técnicas para os produ­tores gerarem lucro. Ele falou também da impor­tância de unir as cadeias de produção leiteira e as agroindústrias.

Valmor Scapini, presi­dente da Associação Co­mercial e Industrial de Lajeado (Acil), enalteceu a parceria dos poderes Executivo, Legislativo com o setor privado para o su­cesso da feira, e cobrou maior participação do governo federal. “O desa­fio é lançarmos a terceira edição. Para isto, conta­mos com a sensibilidade dos governos para apoiar este evento.”

A prefeita de Lajeado, Carmen Regina Cardoso, falou da importância da fiscalização sanitária nas agroindústrias familiares, e da implantação do Sis­tema de Inspeção Munici­pal (SIM) nos municípios da região.

Agroindústrias podem vender para todo país

Durante o lançamento do Plano Safra da Agri­cultura Familiar no Paraná na terça-feira, a presidente Dilma Rousseff assinou o decreto que estipula o prazo de 60 dias para que o governo federal responda aos estados que solicitaram adesão ao Sistema Unificado de Atenção à Sani­dade Agropecuária (Suasa).

O documento possibilita que os produtos da agri­cultura familiar sejam vendidos em todo o país. Com isso, o governo pretende organizar a demanda desses produtos familiares para que o setor possa se desenvolver e gerar mais renda, com a expansão e venda em território nacional. E o Rio Grande do Sul é um dos 11 estados que aguardam resposta de Brasília sobre a adesão ao sistema.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), Elton We­ber, diz que a adesão do estado pode ocorrer na Ex­pointer – entre 27 de agosto e 4 de setembro. “Acredi­to que entre 30% e 40% das agroindústrias tenham condições de vender seus produtos no país.”

Desde a criação do Suasa em 2006, dos 14 esta­dos, apenas Minas Gerais, Paraná e Bahia tiveram a solicitação atendida.

Economia sustentada pelo agronegócio

Painel do jornal A Hora do Vale será realizado amanhã, às 17h45min, no auditório 2.

Produtores e prestadores de serviço ligados à agricul­tura familiar discutem o futuro e os desafios do se­tor até domingo no Parque do Imi­grante, durante a segunda edição da Feira Nacional de Máquinas, Equipamentos, Produtos e Servi­ços, a AgroInd Familiar.

Durante cinco dias serão realiza­dos eventos técnicos, seminários e audiências para discutir os rumos do agronegócio. Dentro deste con­texto, o jornal A Hora realiza o pai­nel “As políticas e ações públicas como suporte da agroindústria familiar”, amanhã, às 17h45min.

O tema será debatido pelo secre­tário municipal da Agricultura de Garibaldi, Jorge Mariani que mos­trará os projetos e incentivos que o município oferece para fortalecer a agricultura familiar.

Estarão presentes o deputado federal, Elvino Bohn Gass (PT), e o ex-ministro da Agricultura e pre­sidente Executivo da União Brasi­leira de Avicultura (Ubabef) , Fran­cisco Turra.

Conforme dados do Movimento dos Pequenos Agricultores, a agri­cultura familiar envolve 420 mil famílias no estado e é responsável por 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado. No Vale do Taquari, o setor representa 50% da riqueza produzida.

O papel do poder público

Conforme Turra, o apoio do poder público é um elemento fundamental para a sustentabili­dade do pequeno produtor. “A oferta de recursos precisa acompanhar o crescimento da ativida­de agropecuária. É fundamental a flexibiliza­ção das regras para fornecimento dos financia­mentos, afinal, o excesso de exigências não é benéfica a ninguém, seja o produtor ou mesmo a instituição pública.”

Cita que o governo tem excelentes projetos à disposição do agricultor como o Pronaf e linhas de financiamentos específicas para melhoria de instalações e de capital de giro. “O pequeno produtor não pode ficar condenado ao atraso, e precisa de fortes investimentos em mecaniza­ção em sua produção.”

Turra comenta que a produção de alimen­tos é uma saída para manter o jovem no campo e aumentar a população e a riqueza no meio rural.

Observa que o novo Agro Brasileiro passou a ser uma atividade atraente, diferente do que existia antes, quando se autodenominar agri­cultor poderia soar pejorativo. Ele acredita que a profissionalização da mão de obra empregada, e investimentos em produtividade e qualidade são fundamentais para que o Brasil Rural se expanda e crie ainda mais subsídios para a melhor qualidade de vida dos brasileiros.

“Não faltam políticas agrícolas”

Elvino Bohn Gass diz que o atual governo revolucionou a agri­cultura familiar ao implantar políticas que eram reivindicadas pelos movimentos sociais do campo há décadas.

Em 2010, os agricultores tiveram à sua disposição R$ 16 bilhões, qua­se 700% a mais do que no governo do presidente Fernando Henrique. “Não faltam políticas agrícolas. É o mercado que é excludente, concen­trador e injusto. Qualificar e profissionalizar o produtor é a saída.”

Gass diz que o grande desafio da agricultura familiar é incre­mentar a produção de alimentos. Hoje, o setor responde por 70% da comida que chega à mesa da população. “Precisamos garantir aos agricultores atividades que garantam lucro, qualidade de vida, acesso à educação, saúde e formas de garantir o jovem na atividade agrícola. A criação de agroindústrias e a produção de alimentos é uma opção.”

Gass citou a criação de pro­gramas como: o Pronaf Mulher, Jovem, Seguro Agrícola, Mais alimentos, implantação no Pla­no Safra a política de preços mínimos, alimentação escolar e outros. Segundo ele, pela pri­meira vez o estado terá o Plano Safra Estadual que será lançado pelo governador Tarso Genro no dia 25.

Em busca de novos clientes

O produtor Adriano Wünsch, de Imigran­te, produz 1,2 mil quilos por mês em sua agroindústria de salames, linguiças, copas e salsichões. Ele trabalha com outros três funcionários, e aguarda a definição do Su­asa para novos investimentos. “Primeiro precisamos buscar novos clientes, para sa­ber quanto aumentaremos na produção e nos investimentos.”

Wünsch está há cinco anos licenciado pelo SIM, e diz que gastou cerca de R$ 30 mil nas adequações. “Hoje o município fiscaliza melhor que o estado. Creio que estou apto a vender para qualquer lugar do país.”

Como funciona

– Se as agroindústrias de estados e municípios es­tiverem dentro das regras federais de inspeção sani­tária, os seus produtos industrializados poderão ser vendidos no mercado nacional.

Formas de adesão

– Pode ser individual (cada município solicita sua adesão) ou pode ser de forma coletiva (consórcio de cidades).

Como aderir

– Solicitar a adesão na Superintendência Federal de Agricultura do respectivo estado, que será enca­minhada ao Ministério da Agricultura. Após a apro­vação final da adesão do serviço proponente ao Sua­sa, a notificação será publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Fique atento

O que: AgroInd Familiar – Feira Nacional de Má­quinas, Equipamentos, Produtos e Serviços

Quando: De 13 a 17 de julho (quarta-feira a do­mingo)

Onde: Parque do Imigrante – Lajeado

Ingresso: R$ 5 por pessoa

Horários de visitação

14 – quinta-feira, 9h às 20h30min

15 – sexta-feira, 9h às 20h30 min

16 – sábado, 9h às 21h

17 – domingo, 9h às 18h