Vale se torna destaque em telefonia móvel

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Vale se torna destaque em telefonia móvel

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O Rio Grande do Sul é o terceiro no ranking dos estados com maior quantidade de telefones móveis. Para cada cem gaúchos constam, em média, 118,11 linhas habilitadas.

O mais recente registro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostra que existem cerca de 13 milhões delas nas áreas de cobertura definidas pelos prefixos 051, 053 e 055.

celularesO Vale do Taquari, Rio Pardo e Região Metropolitana são atendidos pelo primeiro. A estimativa é de que nesses locais a quantidade de linhas a cada cem habitantes supere 130. Segundo dados coletados nas maiores cidades do país pelo portal Future Report, nove em cada dez brasileiros de 12 anos a 18 anos têm um telefone celular. A maioria troca de aparelho a cada 14 meses.

Os estudantes do Colégio Evangélico Alberto Torres Luís Stoll, 13, Jacson Camargo Rodrigues, 16, Camila Azambuja, 13, e Rafaela Pereira, 12, destacam funções como câmera fotográfica, interligação com as redes sociais, músicas e jogos entre os principais desses produtos.

Os jovens gastam em torno de R$ 35 ao mês com seus celulares. Segundo eles, é cada vez mais comum ver colegas mandando mensagens para a rede social Twitter e acessarem e-mails nos intervalos de aulas. “Os aparelhos devem ser desligados durante as aulas, mas às vezes a concentração é interrompida por um toque”, diz Jacson.

Enquanto isso, Nilo Cortez, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar resiste à insistência dos amigos e da mulher para que compre um celular. Ela tem dois e lhe empresta um para cuidar de assuntos familiares. “Meus amigos me provocam dizendo que farão uma vaquinha para me comprar um.”

Quase todos os dias, ele percorre a região prestando consultoria às agroindústrias. Na maioria destes locais não há sinal de telefonia móvel. Diversos produtores investem em outras maneiras de se comunicar com a Emater e Cortez. Entre elas, o e-mail e as videoconferências.

Na semana passada, a segunda filial de uma operadora de telefonia móvel abriu as portas no centro de Lajeado. No local, cerca de três aparelhos são vendidos por dia. Em outra franquia, este número chega a 11 no mesmo período.

A vendedora de outra loja, Fernanda Kelm conta que um dos líderes de vendas é o que custa R$ 49 e oferece discagem grátis para números da própria operadora. Com mais R$ 29 ao mês, se compra acesso ilimitado a internet pelo telefone.

O custo médio do minuto reduziu quase à metade nos últimos dois anos. Uma pesquisa da consultoria de telecomunicações Teleco mostra que em um ano e meio, este valor foi de R$ 0,39 para R$ 0,22. Mais de 40% do valor corresponde a impostos.

Eles tiveram que se adaptar

O lajeadense João Tomás da Silva, 55, nunca teve celular próprio e considera que o aparelho traria menos benefícios do que preocupações. Ele trabalha no setor de reparos da Secretaria da Agricultura do município e divide com a mulher um aparelho dado pela filha. “Ela exigiu que a gente usasse para facilitar o contato.”

O casal prefere deixar o aparelho desligado por temer a ação de criminosos em golpes como assaltos simulados e falsos bilhetes de loteria premiados. “Não faz muito tempo que passaram uma semana inteira nos ligando de madrugada”, diz. “Primeiro para pedir informações e depois para dizer que sequestraram um parente.”

Omar João Walter, 55, é comerciante e vereador em Travesseiro. Ele conta que o seu primeiro celular, encomendado na semana passada, chega em breve. O morador de Picada Felipe Essig, localidade com pouco mais de 500 habitantes, diz que o aparelho não é necessário para o trabalho de representante público. Para ele, o contato com os eleitores deve ser feito “cara a cara” nas casas, festas e eventos esportivos.

Cuidado

O professor do curso de Redes e Computadores da Univates, Luís Schneider alerta que as informações divulgadas na internet por telefones e computadores pessoais podem servir para facilitar a ação de pessoas mal-intencionadas.

Para evitar problemas, os responsáveis devem buscar informações para não se tornarem reféns do conhecimento dos filhos. “É importante estabelecer uma relação de confiança, mas há horas em que o controle deve ser exigido.”