Executivo ameaça romper contrato com a Corsan

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Executivo ameaça romper contrato com a Corsan

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A ideia de municipali­zar o abastecimento de água se fortaleceu a partir da proposta encaminhada pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) ao Executivo. O secre­tário de Governo, Isidoro Fornari Neto, exige mais investimento em saneamento do que os R$ 4 milhões propostos pela estatal no dia 30 de maio.

O secretário de Obras, Mo­zart Lopes, e o assessor jurídico, Marcelo Caumo, visitaram Uru­guaiana e Santa Cruz do Sul na semana passada. Os dois muni­cípios privatizaram o abasteci­mento depois de romperem com a Corsan, servindo de exemplo para Lajeado.

corsanO que irritou Fornari na pro­posta foram as exigências da estatal para investir no municí­pio. A Corsan quer ser responsá­vel pelo abastecimento total de água na cidade. Hoje, a adminis­tração municipal presta o servi­ço em oito bairros.

“A Corsan só tem interesse em arrecadação.” Ele conta que o ser­viço de abastecimento é menos oneroso do que investir no trata­mento de esgoto. Fornari acres­centa que, se cumprir a exigên­cia, o município perderá a “única moeda de troca” para cobrar os investimentos prometidos.

O secretário informa que, em 2009, a estatal prometeu duas melhorias: o tratamento de es­goto nos bairros Florestal e Moi­nhos, com a conclusão prevista para dezembro daquele ano; e melhoria no abastecimento de água em Conventos, São Bento, e parte da Av. Benjamin Cons­tant, com conclusão para maio deste ano.

As duas promessas foram fei­tas na presença do promotor Nei­demar Fachinetto e, mesmo as­sim, foram descumpridas. “Aqui a Corsan fica só na conversa.”

A reportagem tentou entrar em contato com o superinten­dente da estatal na região, Alex­sander Pacico, durante a segun­da-feira, mas não foi atendida.

Estrela também pensa em municipalização

A insatisfação com os inves­timentos em saneamento não é exclusivo de Lajeado. Em Es­trela, o prefeito Celso Brönstrup não renovou o contrato com a Corsan e iniciou o processo de municipalização ainda em 2010.

Um dos motivos por inviabi­lizar o projeto foram os custos. A estatal exige que o Executivo pague o investimento feito no município com a construção de uma estação de tratamento. O valor está estimado em R$ 25 milhões.

Conforme a diretoria regio­nal da Corsan, a administração municipal deixou de arrecadar R$ 1,3 milhão em 2010 com a indecisão sobre o abasteci­mento. No início deste ano, o diretor-presidente da estatal se comprometeu a investir em saneamento no município para manter o contrato. Brönstrup aguarda a proposta para tomar uma decisão.

Propostas privadas são tentadoras

O secretário Lopes des­taca os investimentos feitos pelas empresas em muni­cípios que privatizaram o abastecimento de água. Em Santa Cruz do Sul, a admi­nistração municipal recebe­rá R$ 200 milhões em cin­co anos e, em Uruguaiana, a vencedora da licitação aplicará R$ 160 milhões no mesmo período.

Lopes diz que a adminis­tração municipal pretende continuar com a Corsan e que as ameaças “são para assustar” o diretor-presi­dente, Arnaldo Dutra. “Mas esse investimento de R$ 4 milhões não dá para fazer nada em Lajeado.”

Fornari destaca que aguardará a conclusão do projeto que está sendo feito pela estatal, para ve­rificar quanto deverá ser investido em saneamento. Ele acrescenta que a as­sessoria jurídica revisará o contrato para ver se vale a pena rompê-lo e contratar uma empresa privada para prestar o serviço.

Faturamento da Corsan

Receita de operação bruta: R$ 16.161.958,05

Lucro bruto: R$ 8.935.160,44

Lucro líquido: R$ 5.774.040,63

Fonte: Balanço de 2010 da Corsan, encaminhado à administração municipal