Investidores trocam financiamento por aluguel

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Investidores trocam financiamento por aluguel

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

Desde que o Programa Minha Casa, Minha Vida entrou em vigor os preços dos terrenos dispararam. Após um ano, alguns com as benfeitorias exigidas, principalmente a pavimentação, chegam a custar três vezes mais.

aluguelMesmo com o aumento de 20% no limite do recurso público que chegou a R$ 100 mil no município, muitas famílias desistem de construir pela impossibilidade das obras atenderem às suas necessidades. Isso força a permanência no aluguel. Esses preços registraram um aumento de cerca de 10% em relação a 2010.

Desde o início do ano, a locação voltou a ganhar força e muitos dos que pensavam em investir na casa própria aguardam uma melhor fase do mercado para buscar o financiamento privado ou público.

O empresário Mário Aléssio Chelotti saiu de Faxinal do Soturno para morar e instalar uma franquia de produtos em Lajeado. Ele paga um aluguel de R$ 1,7 mil pelo espaço de 266 metros quadrados, o que considera adequado pelo imóvel em uma cidade cerca de dez vezes maior que a sua.

Chelotti mora em um apartamento de dois dormitórios, cujo aluguel é de R$ 475. O valor é cerca de R$ 40 mais barato do que paga na cidade natal, onde a família permanece.

No momento ele não pensa em financiar por achar que não sobrariam recursos suficientes após a compra do terreno. “Dessa forma, não se pode construir muito mais do que um barracão de 40 metros quadrados”, critica.

Segundo o proprietário de uma imobiliária, Marcelo Munhoz, locais como os bairros Americano, Verdes Vales e Montanha – na extensão pavimentada – se destacam no volume de obras e no aumento do custo das unidades habitacionais.

Em menos de seis anos, grande parte quintuplicou de preço. Segundo Munhoz, pagando cerca de 25% a mais do que com o aluguel é possível adquirir o imóvel. O prazo da compra é que fica maior.

A estudante de enfermagem, Juliana Wiesemann, veio de Porto Alegre e procurou por sete meses até encontrar o apartamento de um dormitório, cujo aluguel de R$ 400 divide com uma colega. Ela reclama dos trâmites burocráticos e da estrutura da maioria de vários imóveis visitados.

Ela compara esse valor com os praticados na capital do estado, onde um imóvel semelhante custa em torno de R$ 250 a R$ 300. “Foi só quando encontramos um proprietário e negociamos com ele que encontramos o valor mais barato.”

Em Lajeado, cerca de 40% das ruas não estão adequadas às exigências do Minha Casa, Minha Vida. O preço dos terrenos é descontado do recurso e, em muitos casos, após a aquisição sobra menos do que R$ 50 mil para a construção da residência.

Após 14 anos, valores venais corrigidos

Alex Schmitt, sócio-proprietário de uma imobiliária de Lajeado, afirma que após 14 anos sem alterações, a avaliação da administração municipal em relação ao valor do metro quadrado nos bairros foi reformulada.

Em muitos casos, estes valores chamados venais eram cerca de dez vezes menores que o de mercado. Em um local como o Alto do Parque, por exemplo, o metro quadrado construído pode ultrapassar os R$ 2 mil, enquanto no bairro Olarias este preço é a metade.

Ele diz que alguns terrenos estão supervalorizados, principalmente nos locais onde a pavimentação está pronta ou em vias de implantação. Em sua avaliação, mesmo mais caros em relação ao ano passado, os aluguéis voltam a ganhar mercado.

Recentemente, o secretário de Obras Mozart Lopes declarou que são estudadas formas de incentivo para a pavimentação de loteamentos. Em uma delas, loteadoras, construtoras e investidores dividem o preço das benfeitorias com a administração municipal.

Valores médios de aluguéis em Lajeado

JK: R$ 270 a R$ 410

1 Dorm.: R$ 355 a R$ 625

2 Dorm.: R$ 450 – R$ 950

3 Dorm.: R$ 580 – R$ 2 mil