Lorival Silveira pode ser denunciado por corrupção

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Lorival Silveira pode ser denunciado por corrupção

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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Exonerado do cargo de as­sessor parlamentar de Lorival Silveira (PP) no dia 6 de abril, Oclésio de Oliveira afirma que estava sendo coagido a repassar R$ 600 do seu salário para o vereador. O fato su­postamente ocorria desde a efeti­vação do funcionário no dia 12 de novembro de 2008. Ele comprova por meio de notas fiscais e depó­sitos realizados na conta bancária de Silveira, com datas próximas do dia de pagamento. Se confirma­do o repasse de valores, o vereador recebeu cerca de R$ 16 mil.

lorivalSegundo Oliveira, o vereador argumentava que o dinheiro era destinado ao custeio de despesas de um cunhado que trabalhava como seu assessor, e que foi demitido em 2008 por nepotismo. “Eu sabia disso quando entrei, mas quando este ex-funcionário conseguisse emprego o repasse seria cessado. E isto não ocorreu”, afirma. O ex-assessor as­segura que Silveira passou a cobrar os mesmos R$ 600 para destinar a uma pessoa que atende por “Car­linhos”, e que tam­bém não teria rela­ção com a câmara de vereadores.

O ex-assessor re­cebia em torno de R$ 1,9 mil. Com os supostos repasses, lhe restava pouco mais de um ter­ço do salário. “Se soubesse que ele agiria assim não teria aceitado o convite para trabalhar no Partido Progressista (PP).” Oliveira diz que parou de repassar os valores nos últimos dois meses antes da demissão, por sugestão de uma promotora da região. Isto fez com que Silveira o pres­sionasse. “Ele disse que se eu não repas­sasse os valores, ele colocaria outro que repassaria. Como não recuei, ele me demitiu.”

Oliveira confessa que, antes de ser contratado em novembro de 2008, trabalhou por sete meses sem receber. Neste período, mesmo sem estar efetivado, possuía a chave da sala do parlamentar na câmara, de onde realizava ligações de interesse particular dele e do vereador. “Bas­ta o Ministério Público buscar estas ligações que o fato será compro­vado. Ele tem que pagar por estes sete meses de trabalho.” Ele admite ainda que, durante o período em que recebia salários do Legislativo, trabalhou durante um mês nas obras de reforma da casa da mãe do vereador.

Lorival Silveira pede investigação para todos os vereadores

O vereador afirma que o seu ex-assessor está mentindo e que teria sido demitido por irresponsabili­dades financeiras. “Ele usava meu nome para cobrir dívidas pessoais que não eram poucas.” Silveira co­menta que outras situações, con­sideradas graves por ele, teriam motivado a demissão. “Mas não entrarei em detalhes agora.”

Ele lamenta o fato de Oliveira usar o ex-cunhado (morto este ano) como suposto receptador dos repasses. “Por que ele não acusa al­guém que está vivo e que poderia se defender?” O vereador destaca que faz questão que o MP investi­gue sua vida pessoal, profissional e política, e afirma estar tranquilo. “Já fui duas vezes presidente da câ­mara e me sinto apunhalado pelas costas. Principalmente porque a polêmica surgiu quando eu estava de licença, sem chances de me de­fender.” Para finalizar, ele cobra do MP que investigue também todos os demais vereadores da casa.

Repercussão entre os vereadores

O ex-assessor afirma que ouviu de outros funcionários do Legislativo que, mesmo contrariados, repassam parte dos salários a vereadores. Ele não cita nomes, mas um deles teria dito que “queria ter a coragem para delatar a situação”. Na sessão de terça-feira, Sér­gio Kniphoff (PT), Hugo Vanzin (PMDB), Eloede Conzatti (PT) e Antônio de Castro Schefer (PTB), encaminharam pedidos às promotorias de Justiça Cível e Eleito­ral, solicitando investigação completa no quadro de funcionários.

A oposição ainda cobra do MP inves­tigação sobre financiamentos bancá­rios informados por alguns assessores. Partes destes valores teriam sido repas­sados a vereadores. O pagamento de salário a dois assessores parlamenta­res, considerados “fantasmas” por não comparecerem diariamente ao traba­lho, também deve ser analisado.

Os parlamentares da situação concor­dam que a investigação deva ocorrer. Wal­dir Blau (PP) lamenta o episódio, e diz que prejudica a imagem do Legislativo. “Não adianta falar sem provas. Vamos aguar­dar, mas se confirmada a irregularidade, os responsáveis devem pagar por seus atos”, opina. Círio Schneider (PP) não foi encontrado durante todo o dia de ontem.

Delmar Portz (PSDB) prefere não se manifestar antes da apuração dos fa­tos. “Acho que primeiro deve se inves­tigar antes de queimar o nome de uma pessoa.” A mesma versão é apresenta­da pelo presidente da casa, Paulo Tóri (PDT). Ito Lanius (PSDB) diz que o fato é “deselegante” para todo o Legislativo e se diz tranquilo em relação à justiça. “A investigação tem de ir até o fim, pois quem acusa precisa provar.”

Vereador pode ter direitos políticos cassados

Na tarde de ontem, Oli­veira compareceu ao MP acompanhado dos advo­gados Edson Kober e Ce­sar Antoniazzi, presidente e vice da Ordem dos Ad­vogados do Brasil (OAB) de Lajeado. As supostas provas de irregularidades foram entregues ao pro­motor de Justiça, Carlos Augusto Fioriolli.

O promotor afirma que se­rão quatro linhas de investi­gação. A primeira analisa­rá possíveis danos morais sofridos pelo ex-assessor. No segundo momento, Sil­veira pode ser denunciado por improbidade adminis­trativa, e crimes contra ad­ministração pública. “Nesta última linha, o denunciado pode ser acusado de extor­são, corrupção e peculato”. Por fim, Silveira poderá ser punido no âmbito eleitoral, com cassação de mandato e impossibilidade de par­ticipar de processos elei­torais. Oliveira pode ser denunciado por corrupção passiva.

Fioriolli avisa que ou­tros assessores e verea­dores serão investigados. Ele pede o apoio da co­munidade e da imprensa para que analise o tra­balho destes funcionários públicos e informe possí­veis irregularidades. “As­sim conseguiremos limpar qualquer tipo de situação que desonra a comunida­de”, propõe.

“Só ficarei quieto se me tirarem de circulação”

Oliveira se encontrou com a reportagem do A Hora na segunda-feira, antes da úl­tima sessão do Legislativo. Na ocasião, disse que se en­contraria com o vice-prefeito Sedinei Zen, presidente do PP em Lajeado, antes de in­formar sobre Lorival Silveira. “Fiquei a ver navios (sic). Se ele (Zen) não me ajudar, ou conseguir outro emprego para mim, eu vou até o fim, não vou tremer, só se me ti­rarem de circulação. Eu sei que tem gente ruim do lado deles para fazer isso.”

O vice-prefeito confirma apenas que foi procurado no mês de abril pelo ex-assessor, mas que não houve pedido para “abafar” o caso. “Isto é uma relação entre assessor e vereador. E se houvesse um pedido desses, eu não aba­faria nenhuma denúncia.” Ele afirma que desconhece qualquer repasse de valores e que apenas ouviu falar do caso. “Assim como já ouvi de outros vereadores, como Paulo Tóri e Antônio Schefer. Mas isto são comentários de boteco”, frisa.

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