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A região viveu mais um fim de semana de reconstrução de estradas e casas abaladas pelos temporais. Na Sexta-feira Santa moradores de Estrela, Teutônia, Paverama, Fazenda Vilanova, Taquari e Tabaí viveram momentos de tensão. A soma dos prejuízos supera os R$ 16 milhões. Teutônia ainda não calculou as perdas.

A chuva com ventania começou por volta das 16h, arrastou árvores, destelhou casas e destruiu plantações, chiqueiros, aviários, estufas e galpões. Estradas ficaram interrompidas por barreiras de pedras e terra, fazendo com que as administrações municipais cancelassem ontem as aulas.

emergenciaNa semana passada, a região passou por problemas semelhantes. Uma enxurrada fez com que pelo menos sete municípios decretassem situação de emergência: Forquetinha, Santa Clara do Sul, Mato Leitão, Colinas, Canudos do Vale, Cruzeiro do Sul e Sério. Desde a sexta-feira, dia 15, as administrações dos municípios atingidos começaram a reconstruir pontes, pontilhões e estradas.

Nessas comunidades a maior perda foi na lavoura. Em todas as cidades agricultores perderam plantações de milho, soja e pastagens.

A Defesa Civil do estado adianta que o recurso solicitado em decreto poderá levar um ano para chegar até as administrações municipais. O tenente responsável pelo órgão, Aldo Bruno Ferreira, diz que o repasse de objetos e materiais de c onstrução chega mais rápido.

Para receber recursos é preciso de documentação completa e detalhada da perda, agilidade na vistoria pela Defesa Civil e reconhecimento pelo governador do decreto de emergência do município.

O tenente cita que a documentação chega incompleta, atrasando o processo.

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Suinocultor teve perda de R$ 200 mil

Em Estrela, o temporal destruiu lavouras e matou animais em propriedades do interior. O prefeito Celso Brönstrup deverá decretar situação de emergência nos próximos dias.

A força do vento destruiu um chiqueirão de propriedade de Oterno Sprandel, 45 anos, onde havia 500 suínos, em Linha Geraldo Baixa. Pelo menos nove animais morreram durante o temporal e outros três foram sacrificados devido aos ferimentos sofridos.

Sprandel calcula um prejuízo de R$ 200 mil em sua propriedade. O suinocultor ainda analisa a situação e não descarta a possibilidade de desistir da atividade. “Minha mulher me disse para vender tudo e sairmos do interior. Há três anos, perdi 14 vacas por causa da tuberculose.”

Na mesma localidade, a agricultora Adriana Schroer Baumbach também teve prejuízos. O temporal destruiu uma lavoura de milho e sua propriedade ficou horas sem energia elétrica.

Em Linha Porongos, lavouras, especialmente de milho, foram totalmente destruídas. Na propriedade de Luis Schneider, o vento derrubou uma árvore sobre uma vaca, matando-a.

Em Costão, a distribuição de água aos animais e à ordenha foram feitos manualmente por falta de energia elétrica. Marcos Etgeton, que cria 700 porcos e 21 vacas, diz estar com dores no corpo por trabalhar durante todo o feriado. Etgeton conta que muitas vacas ficaram com mamite por não retirar o leite em tempo hábil.

O secretário municipal de Agricultura, Paulo Floriano Scheeren, visitou as propriedades mais atingidas e, inclusive, acionou o Corpo de Bombeiros para transportar água para propriedades que ficaram sem abastecimento. Uma máquina retroescavadeira da prefeitura foi utilizada para enterrar os animais mortos.

Produtor perdeu 700 leitões

Em Teutônia, foram registrados destelhamentos de dezenas de residências, quedas de árvores, prejuízos nas plantações de milho, interrupção no fornecimento de energia elétrica e a queda de galpões, aviários e chiqueirões.

Nas regiões de São Jacó e Posses, os estragos e prejuízos materiais foram maiores. O produtor Gilson Roberto Ströher conta que o galpão que abrigava 69 novilhas foi destruído em poucos minutos.

Na propriedade de Álvaro Linn, 76 anos, restou apenas o cheiro dos animais mortos. Foram destruídos dois aviários, matando cerca de 40 mil frangos. O vento derrubou um chiqueirão, matando cerca de 700 leitões. O prejuízo é de R$ 450 mil.

A família acionou o seguro, mas acredita que demorará a chegar devido às exigências burocráticas. “Como vamos nos manter até reconstruir.”

Os 3 hectares de plantação de milho que seriam usados para silagem foram arrasados. “Não tem explicação. Em questão de minutos perdemos tudo.” Ele afirma que nunca viu algo igual.

Pontes e pontilhões danificados

Em Paverama, além dos prejuízos com vendaval, supermercados perderam produtos devido à falta de energia elétrica. A cidade decretará situação de emergência. Sete pontes e pontilhões do município foram danificados. Foram destruídas pela força do vento, plantações de milho, acácia e eucalipto.

Em Tabaí, segundo o prefeito Arsênio Pereira Cardoso, os maiores prejuízos foram nas estradas e nas lavouras, nas plantações de milho e aipim. A recuperação das estradas deve levar 90 dias.

Foram danificados pontilhões, pontes e bueiros. O maior prejuízo foi na Vila Tabaí, no Morro dos Cavalos, onde um morador teve a casa arrastada por um deslizamento de terra.

Chuva abre cratera em rodovia de Taquari

A queda de uma barreira na sexta-feira deixou um trecho da RSC-287, em Taquari, em meia pista. Parte dela cedeu no Km 40 da rodovia, na localidade de Amoras, próximo do trevo de acesso a Taquari. O motivo seria o estouro de um bueiro que rompeu o asfalto.

A Santa Cruz Rodovias faz a sinalização do local. Neste trecho, os veículos transitam em apenas uma via, ocasionando a formação de filas em ambos os sentidos em horários mais movimentados.

Na cidade o maior problema foi a enxurrada. Choveu 141 milímetros e, conforme o prefeito Ivo Laurtert, os bueiros não suportaram o acúmulo da chuva. Cerca de 200 casas foram atingidas. A administração municipal pretende investir R$ 1 milhão em melhorias nas bocas-de-lobo para evitar futuros problemas de vazão.

O engenheiro responsável da Santa Cruz Rodovias, Renan Castro, cita que os três tubos de 90 centímetros de diâmetro não deram conta da vazão da água. Ele afirma que após romper a ala de segurança dos tubos, a correnteza levou o resto do asfalto. Conforme o engenheiro, a previsão de conclusão da obra de reparo é até sexta-feira.

Prefeito cancela festa e pavimentações

Em Fazenda Vilanova, as cinco escolas municipais de Ensino Fundamental e a estadual de Ensino Médio, que atendem mais de 700 alunos suspenderam as aulas ontem. O estrago nas estradas impossibilitou o transporte dos estudantes.

O prefeito José Cenci decretou situação de emergência no sábado. Ele calcula um prejuízo de R$ 3 milhões e não acredita na ajuda da Defesa Civil. “Receberemos o dinheiro depois que tivermos reconstruído toda a cidade.”

Cenci adianta que para reconstruir a cidade terá que deixar de fazer pavimentações em ruas e cancelar a festa do município, prevista para maio. A Emater estima que 80% das plantações de milho no município foram destruídas, e cerca de 30% dos chiqueiros e aviários tiveram prejuízos.

Neste município, 80% das residências tiveram algum estrago. Destas, cerca de 150 tiveram prejuízos mais graves. Conforme o prefeito, o ginásio da localidade de Nova Westfália, a mais atingida pela enxurrada, foi completamente destruído. Um agricultor perdeu 17 mil metros quadrados de estufa com um prejuízo estimado em R$ 300 mil. Uma pessoa morreu e outra ficou ferida.

Iracema Ferrari teve a residência destruída pelo temporal e não sabe quanto gastará para repor o que perdeu. Para construir a área de sua casa, que foi completamente arrancada pelo vento, ela gastou R$ 4 mil.

Ela conta que a máquina de lavar roupas foi destruída ao ser arremessada de dentro da casa para fora. Moradora há oito anos na localidade nunca havia presenciado algo do tipo.