Começa nova luta pela duplicação da BR-386

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Começa nova luta pela duplicação da BR-386

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

O trecho da BR-386, por onde passam mais de 180 mil veículos por mês, re­ceberá nova atenção das lideranças locais. No dia 6 de maio, representantes locais se encontram na Exposol com autoridades de Sole­dade. Juntos formalizarão um pedi­do para duplicar a BR-386 no trecho entre Lajeado e Tio Hugo.

brA pavimentação da BR-386 foi pla­nejada pelo Departamento de Estra­das de Rodagem (Daer) e traçada para atender a um fluxo diário de três mil veículos. Contudo, essa capacidade desde 2003 está sendo superada e hoje atinge no trecho Soledade/Lajeado seis mil veículos por dia e no trecho Lajea­do/Tabaí 11 mil veículos por dia.

A superlotação do fluxo de veícu­los em uma rodovia considerada pe­rigosa, face às curvas acentuadas, deixa índices graves. Desde o início de 2010, foram registrados pela Po­lícia Rodoviária Federal (PRF) de La­jeado, 768 acidente na BR-386, trecho Soledade/Tabaí. Nestes, 479 pessoas ficaram feridas e 34 morreram.

O inspetor do órgão, Adão Vilmar Madril, diz que toda rodovia deveria ser duplicada. Segundo ele, a rodo­via é meio de transporte de cargas e a maioria dos acidentes ocorre por­que um veículo de passeio tentou ultrapassar outro pesado. “A dupli­cação reduziria 90% dos acidentes.” Madril cita que a BR-386 tem poucos pontos de ultrapassagem.

O caminhoneiro Luis da Silveira passa oito vezes por mês no trecho. Ele trabalha para uma empresa de Ibirabutan, próxima de Soledade, transportando grãos de soja e milho. Ele nunca se envolveu em acidente, mas diz que viu vários pelo trecho nos 18 anos de carreira. “A frota au­menta, e a pista continua estreita. Os acidentes são quase óbvios.”

O motorista Daniel Compagnoni também considera importante e ur­gente a duplicação do trecho Lajeado a Soledade. Ele o percorre há 15 anos.

Primeira mobilização levou 30 anos

Outra ação semelhan­te teve êxito em agosto de 2010. Depois de quase 30 anos de pedidos feitos por lideranças locais o ministro dos Transportes, Paulo Sér­gio Passos, esteve na re­gião para assinar a ordem de serviço para duplicar o trecho Lajeado/Tabaí.

Com 454,9 quilômetros de extensão, a BR-386 es­coa as safras agrícolas do estado e beneficia cerca de 30% da população do es­tado. As obras orçadas em R$ 147 milhões terão uma extensão de 34 quilôme­tros e tem previsão de con­clusão de três anos.

Conforme o prefeito de Fazenda Vilanova e in­tegrante da comissão de duplicação, José Cenci, há um pedido feito no De­partamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) para duplicação en­tre Lajeado e Fontoura Xa­vier. “Nos reuniremos para ampliar esse trecho até Tio Hugo.”

Cenci admite que o pro­cesso pode levar anos, por isso quer começar a mobi­lização o quanto antes.

Como foi a construção da BR-386

Conforme o historiador José Alfredo Schierholt, no início do século 19, foi projetada uma fer­rovia que deveria ligar Taquari, Estrela, Lajeado, Soledade e Pas­so Fundo. Na metade do século, engenheiros percorreram o traje­to e definiram como seria a cons­trução da BR-386.

O primeiro projeto foi elabo­rado em 1955. O segundo foi em julho de 1957 pela Federação das Empresas de Transportes Rodo­viários do Rio Grande do Sul. O projeto se chamou Terminal da Estrada da Produção, de Lajeado a Porto Alegre, via Rio Guaíba, entrando pela Sertório.

O percurso de 184 quilômetros seria reduzido para 107 com economia de 42%. Quando o go­vernador Leonel Brizola foi em­possado, logo mandou um enge­nheiro do Daer, em 17 de março de 1959, concluir os estudos do trabalho de abrir a Estrada da Produção.

Depois da Semana Santa, 30 pessoas iniciaram as obras de demarcação. Mas, só em 1961 as obras da estrada tiveram um prosseguimento acelerado. Após um século de travessia lenta por balsas, barcas e canoas, foi inaugurada a ponte sobre o Rio Taquari, no dia 20 de setembro de 1962.

Os primeiros sinais de constru­ção malfeita apareceram logo depois. Em 1966, grandes racha­duras obrigaram a interrupção do trânsito e reforma da ponte. Técnicos desaprovaram o uso antecipado da ponte para passa­gem de máquinas pesadas para prosseguir as obras da rodovia.

No decorrer dos anos, muitas vezes o trânsito foi interrompido para a realização de reformas. A ponte foi interditada em 26 de ju­lho de 1994. Uma nova ponte foi inaugurada em 11 de março de 1995, dentro do projeto maior da duplicação, especialmente entre Lajeado e Estrela. A nova ponte da segunda pista foi inaugurada em 2001.

A BR-386 mudou a rotina

Carlos Rogério Alves, 63 anos, veio para Marques de Souza com 16 anos para trabalhar na constru­ção da BR-386. Como operador de máquinas tra­balhou no trecho Tamanduá a São José do Herval, em 1966.

Aposentado da função, ele ainda mora em Mar­ques de Souza, onde fez amigos e se casou.

Edvino Glaas, 78 anos, trabalhou como cami­nhoneiro e conta que antes da construção da BR-386 levava cinco horas para chegar em Soledade, pois precisava passar por Encantado, Arvorezinha e Ilópolis. Para chegar em Lajeado levava em tor­no de uma hora.

Acidentes na BR 386 (janeiro a abril)

2010

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Total

Acidentes

109

91

88

125

413

Feridos

57

70

55

64

246

Mortes

5

3

8

3

19

Fluxo no pedágio em Marques de Souza

Veículos

mar/2011

mar/2003

Passeio e utilitário

102.880

67.911

Caminhões 2 a 7 eixos

78.668

63.488

Ônibus 2 a 4 Eixos

356

7.739

Total

181.904

139.138

Fluxo diário

6 mil

4 mil

Fluxo no pedágio de Fazenda Vilanova

Veículos

mar/2011

mar/2003

Passeio e utilitário

220.953

150.670

Caminhões 2 a 7 eixos

117.170

86.408

Ônibus 2 a 4 Eixos

1.788

10.651

Total

339.911

247.729

Fluxo diário

11 mil

8 mil