Enxurrada – Sete municípios pedem socorro

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Enxurrada – Sete municípios pedem socorro

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

As cidades atingidas pela enxurrada calcularam, ontem, seus prejuízos, que ultrapassam R$ 10 milhões. Desde sexta-feira, cerca de 15 administrações municipais da região começaram a reconstruir pontes, pontilhões e estradas e sete delas decretaram situação de emergência na Defesa Civil Estadual.

enchenteNo interior, a maior perda foi nas lavouras. Em todas as cidades, agricultores perderam plantações de milho, soja e pastagens. As escolas voltaram a funcionar, mas alunos do interior de Canudos do Vale não podem frequentar as aulas porque os acessos estão interrompidos.

Mais de 600 lavouras destruídas

O secretário de Forquetinha, Paulo Ströeher aponta que das 14 pinguelas, três resistiram à força das águas. Para reconstruí-las o investimento ultra­passará R$ 25 mil. Ele adianta que o valor do prejuízo chega a R$ 800 mil.

Ströeher acredita que os maiores prejuízos serão percebidos na agri­cultura (milho e soja) e piscicultura, em que mais de 600 lavouras foram afetadas. Foram cerca de 200 quilô­metros de estradas danificadas que deverão ser recuperadas em 45 dias.

Na Escola Municipal João Batista de Mello, as aulas ficarão interrom­pidas até segunda-feira. O pátio da escola está cheio de lama, e os eletro­domésticos e parte dos equipamentos do refeitório foram perdidos.

O Grêmio Esportivo Arroio Ale­grense, em Arroio Alegre, foi parcial­mente destruído pela correnteza. O presidente do clube, Oscar Locatelli, 51 anos, diz que os prejuízos ultra­passam R$ 40 mil.

Segundo ele, a água entrou pela parte da frente da estrutura e arre­bentou a parede lateral do prédio, levando quatro freezers, dois fogões, televisão, máquina de cortar grama e todo o estoque de bebida.

enchenteO clube tem cerca de 40 sócios e não sabe como reconstruirá a sede. A es­trutura do clube, fundado há mais de 50 anos, foi refeita, após uma enxurra­da em 2001. No ano passado, um novo alagamento danificou a estrutura.

Na mesma comunidade, uma das dez pinguelas destruídas pela cor­renteza isolou a moradora Arminda Kamphorst, 76 anos. A família cal­cula um prejuízo de R$ 1,5 mil em equipamentos que foram levados pela água. A pinguela foi reconstru­ída após a enxurrada de 2010. O va­lor foi de R$ 2 mil.

Agricultura foi a mais afetada

Os prejuízos em Mato Leitão superaram R$ 2 milhões. Os principais problemas estão relacionados às pontes, bueiros, conservação de estradas e setor primário. Pelo menos 35 famílias ficaram desalojadas. No setor primário, lavouras de milho, soja e aipim tiveram osmaiores danos.

Na quinta-feira, dezenas de alunos do turno da manhã conseguiram retornar para suas casas só cinco horas depois. As situações mais graves das estradas do interior são as das comunidades deSampaio e Vila Santo Antônio.

O decreto de situação de emergência, assinado pelo prefeito Carlos Alberto Bohn, aponta problemas em Vila Arroio Bonito, Vila Sampaio, Linha Sampaio Baixo, Linha São João, Vila Santo Antônio, Linha Palanque Pequeno, Duque de Caxias, Linha Neves, Linha Dresch, Linha Conceição, Linha Boa Esperança e no centro de Mato Leitão.

Desde a sexta-feira, funcionários e máquinas da Secretaria Municipal de Obras, Viação e Trânsito estão mobilizados para recuperar os pontos críticos das estradas municipais. Outra prioridade é dar condições às cabeceiras das pontes que ficaram submersas.

Os engenheiros e arquitetos realizaram uma vistoria para avaliar os danos. Na Vila Santo Antônio, será construída uma nova ponte nas proximidades do Salão Verde Amarelo.

No setor primário, técnicos da Emater/Ascar concluíram o levantamento de perdas queatinge R$ 1,9 milhão, sendo que o maior problema será na produção de leite. Com as perdasdas pastagens a alimentação do rebanho está comprometida, gerando custos adicionais aos produtores e quebra de produção futura, em um índice que poderá ser de 20% em curto e médio prazo. Calcula-se perda de 4% (648 toneladas) na produção de milho, 15% (52 toneladas) na produção de soja, 25% (7,5 toneladas) na piscicultura, e perda total (5,7 toneladas) nas pastagens.

Em Colinas, a administração municipal calculou, ontem, os prejuízos para decretar situação de emergência. A estimativa é de que as perdas cheguem a R$ 2 milhões. O setor mais atingido também foi o da agricultura, nas plantações de soja e milho.

Os acessos municipais e as estradas também sofreram danos. Ontem, a Secretaria de Obras trabalhou na recuperação de cabeceiras de pontes e pontilhões.

Trechos seguem interrompidos

Canudos do Vale decretou situação de emergência, ontem. As passagens seguem bloqueadas em Pinheirinho, Porongos e Baixo Canudos. A administração municipal calcula prejuízos de R$ 365 mil em 100 quilômetros de estrada. Foram danificados bueiros, quatro estivas e pinguelas, uma ponte e sete pontilhões.

Localidades de Alto Forquetinha, Cangerana, Pinheirinho, Porongos, Nova Paris, Baixa Canudos e Araguari foram as mais atingidas. As lavouras de milho e pastagem foram as mais destruídas, a perda é de R$ 90 mil. Estima-se cerca de 60 dias para a recuperação de estradas e propriedades.

Em Santa Clara do Sul, está obstruída a passagem desde Otário Hermann de Nova Santa Cruz, passando por Picada Stump, até Chapadão. O trecho deve ser liberado hoje. A Defesa Civil esteve na cidade na sexta-feira para avaliar os prejuízos.

A estimativa da administração municipal é de que o prejuízo chegue a R$ 1,8 milhão. A previsão de reconstrução é de 30 dias. Duas equipes da Secretaria de Obras trabalharam durante o fim de semana na recuperação de estradas. Foram registradas 31 quedas de barreiras.

Perda de 30% na lavoura

Em Cruzeiro do Sul, de 840 hectares de milho produzido, a enxurrada devastou 30%. Os estragos no município estão avaliados em R$ 1,5 milhão. No Vale do Sampaio, três pontes continuam interditadas.

A administração municipal trabalha na recuperação das cabeceiras das pontes. A que liga as comunidades 25 de Julho com Linha Nova deve ser liberada até quinta-feira. Para as demais não há previsão. As estradas vicinais mais atingidas pelas chuvas ficam nas comunidades de São Bento, Picada Augusta e Sampaio.

“Obras de um ano perdidas”

A prefeita de Sério, Dolores Kunzler, afirma que todo trabalho realizado durante o ano nas estradas foi perdido com as enxurradas. Ela calcula um prejuízo de R$ 1,4 milhão. Destes, R$ 1 milhão em estradas. Ela destaca que o município teve danos em cabeceiras de pontes, pontilhões, bueiros e acessos. O mais acentuado aconteceu em Porongos, onde foi aberta uma fenda de 300 metros.

Venâncio Aires

Cerca de 1,5 mil casas e seis mil pessoas foram atingidas. No meio rural, aproximadamente mil quilômetros de estradas foram afetadas, pontes destruídas e duas estradas gerais interrompidas no fim de semana: a estrada geral entre Linha Saraiva e Linha Leonor e a estrada entre Linha Isabel e Cachoeira Baixa.

O prefeito Airton Artus anunciou ontem um plano emergencial para recuperação de estradas. Ficou definido a prioridade na limpeza de bueiros entupidos, cabeceiras de pontes e estradas interrompidas.