Andreza encerra produção após 40 anos

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Andreza encerra produção após 40 anos

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Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Uma das maiores empresas do município encerrará suas atividades no dia 6 de maio. O anúncio foi feito na manhã de ontem pelos diretores da Calçados Andreza S/A.

Os 525 funcionários souberam da notícia antes de iniciarem suas atividades. Todos serão demitidos. Conforme uma delas, Carla Schmitt, o dia todo foi de choro e lamentações.

andrezaCarla veio para Santa Clara do Sul há dez anos em busca de trabalho na Andreza. “Vim sem nada com as mãos abanando (sic)”, emociona-se. Ela logo conseguiu ser contratada e economizando construiu uma casa. Suas duas irmãs e o marido também trabalham na empresa. Ela não sabe onde trabalhará.

Seu colega há dez anos, Antenor Nunes, indignado criticou a falta de incentivo do governo estadual. Ele veio de Novo Hamburgo e deverá voltar para a sua cidade em busca de um trabalho no segmento.

O diretor Wolnei Piacini afirma que a empresa não será fechada, apenas a área produtiva. A outra filial, na Bahia, seguirá com as atividades devido aos incentivos estaduais e federais que receberam.

Piacini destaca que desde 2010 a empresa tentou se adaptar à velocidade do mercado interno, mas não conseguiu. “Resolvemos parar a produção.”

Segundo o diretor, alguns funcionários da área administrativa serão recontratados mais tarde e outros do setor da produção com melhor desempenho foram indicados para trabalharem na Calçados Beira Rio, instalada ao lado da Andreza.

Planejamento do município para os empregos

O prefeito Kohlrauch cita que o município não está preocupado, mas atento quanto às demissões. Ele planeja envolver essas pessoas no programa de incentivo à agricultura, em que a administração municipal repassa R$ 30 mil para novos investidores na área.

Para ele, os funcionários da Calçados Andreza representam mão de obra qualificada e conseguirão recolocação rápida no mercado. “Apostamos na diversificação da economia.”

Os reflexos do fechamento da empresa serão notados nos cofres públicos em 2013. Mas segundo o prefeito a perda dos R$ 21 milhões em valor adicionado da Andreza será suprida pelos R$ 100 milhões previstos pela Beira Rio.

A venda dos 30%

Em junho de 2010, a empresa vendeu 30% de sua capacidade produtiva. Os quatro prédios – cinco mil metros quadrados de área construída – a partir da rua 9 de Fevereiro passaram a ser de propriedade da Calçados Beira Rio.

Depois da venda o foco da Andreza se voltou para o mercado interno com as marcas Wolp, Mormaii e Puma. Na Bahia, fabricava a marca Puma com quatro mil pares diários, e em Santa Clara do Sul, confeccionava as marcas Wolp e Mormaii com 2,3 mil pares por dia.

Nos prédios vendidos funcionava a linha de exportação e o depósito. Os funcionários desses setores foram demitidos e recontratados pela Beira Rio.

Com 40 anos de atividade a empresa é a maior de Santa Clara do Sul. Em anos anteriores teve mais de mil funcionários, hoje reduzidos a 700 e nos próximos dias passará por um remanejamento.

O que a empresa representa

Conforme Kohlrauch, a empresa era importante para cidade por sua economia e história.

Em abril, a empresa completou 40 anos de atividade no município. Ela representou 17% do valor adicionado em 2010. Segundo o prefeito, desde 2010 ela ameaçava encerrar as atividades, mas tentou mais um ano.

Em 2002, a Calçados Andreza representou 38% do valor adicionado do município e em 2004 mantinha 1.232 funcionários. “O município deve parte do seu desenvolvimento à empresa.”

Os prédios que ainda eram de domínio da empresa ficaram paralisados, não há acordos de vendas.

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