Acidentes com tratores retomam alerta no campo

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Acidentes com tratores retomam alerta no campo

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A morte do agricultor Ernani Bildhauer, 47 anos, na segunda-feira, adverte para a falta de precauções e equipamentos de segurança por parte dos tratoristas. Manutenção feita pelos donos e o pouco cuidado no manuseio são as principais causas de acidentes.

Segundo as concessionárias, os avisos são esclarecidos na venda, mas os operadores ignoram o manual de segurança. Nos últimos anos, aconteceram pelo menos seis acidentes fatais e outros deixaram os tratoristas mutilados.

tratorPara o produtor de Arroio do Meio, Rudinei José Huther, 41 anos, o tobata (pequeno trator) é um dos equipamentos mais perigosos, pois o operador fica atrás, empurrando o equipamento próximo das lâminas. “Se ele cair, os ferros lhe puxam para dentro. Os perigos da lida diária são frequentes”, alerta.

Huther nunca se acidentou no campo, pois segue as orientações. “O cuidado perto de barrancos ou morros devem ser redobrados”, avisa.

As famílias rurais de Santa Clara do Sul, Arroio do Meio, Forquetinha, Colinas e Progresso contam suas histórias que servem de alerta.

Últimos casos

Março de 2011 – Ernani Bildhauer, 47 anos, trafegava de trator pela estrada geral, em Linha 32, Arroio do Meio, quando por volta das 9h saiu da estrada e tombou num perau de cerca de 50 metros. O corpo do agricultor só foi encontrado por moradores cerca de dez horas depois.

Janeiro de 2010 – Em Colinas, o trator operado por Irio Brandt, 67 anos, capotou na barranca de um arroio atirando-o nas águas e esmagando-o em seguida.

Segundo a viúva Edy Brandt, o marido, ao transportar esterco, passava muito próximo do barranco. “Não teve o devido cuidado”, diz.

Julho de 2009 – A agricultora Clair Schweitzer, 50 anos, capotou o trator e morreu esmagada por ele. No mesmo ano, na localidade de Passo do Corvo, João Gerhartd perdeu a perna num acidente com um tobata, que serve para espalhar o esterco no solo.

Após quebrar a barra de segurança, Gerhardt improvisou colocando um prego. Sua calça foi puxada pelo prego, e as lâminas do equipamento deceparam metade de sua perna. O prego colocado no lugar da barra de segurança não quebrou e o motor continuou a funcionar.

Julho de 2005 – Tailor Klein deixou de participar do aniversário dos sobrinhos para transportar troncos de eucalipto no domingo do dia 31 de julho de 2005. Morador de Picada Santa Clara, Santa Clara do Sul, ele puxava a quinta tora, quando não conseguiu frear nem fazer a marcha do veículo que descia o terreno em declive.

O trator Massey Ferguson, ano 1985, de 60 toneladas, capotou após colidir numa nogueira derrubando Tailor e lhe atingindo a cabeça com a roda traseira.

Segundo o filho Maico Klein, 26 anos, estudante de Tecnologia na Agroindústria, a manutenção dos três tratores da família era feita pelo pai. “Faltou renovação do maquinário e equipamentos de segurança”, conta. Os tratores da família eram velhos demais, um deles tinha 60 anos de uso.

A mãe da vítima, Lorci Terezinha Klein, 70 anos, ficou viúva dois anos depois. “Seu pai não se conformava com a morte do filho. Ainda não acredito que eles se foram”, lamenta.

Maio de 1991 – Em Progresso, Paulo Nestor Arend rebocou sozinho um trator pequeno com outro maior, quando caiu entre os dois. Segundo a viúva Isolete Batisti, 55 anos, seu marido perfurou a veia aorta – principal artéria do sistema circulatório – e teve o crânio esmagado por um dos tratores. “Foi morte instantânea”, conta.

Tratores novos mais seguros

A maioria dos familiares das vítimas diz que a manutenção dos tratores deve ser feita por profissionais e não pelos tratoristas. Os relatos apontam a negligência para lidar com os equipamentos, principalmente em terrenos perigosos.

O agricultor de Forqueta Baixa, Werno Steffens trabalha há 30 anos no campo e nesta safra opera um trator tracionado de R$ 69 mil por meio do Programa Federal Mais Alimento.

Para ele, a compra proporcionou mais segurança. “Mesmo com tração nas quatro rodas tem que ter cuidado”, diz. O agricultor pagará o trator com juro fixo de 2% ao ano. “Vale a pena renovar a frota.”

Segundo o gerente de vendas Fábio Niediedt, o auxílio federal que isenta os tratores de impostos impulsionou as vendas. O trator de 80CV que custaria R$ 105 mil, com o programa custa R$ 75,8 mil.

Segundo ele, mesmo sendo novo, é preciso cuidados básicos para operá-lo. “Mesmo com o teto de proteção, se deve usar o cinto de segurança”, alerta. Niediedt afirma que existe a entrega técnica, quando o distribuidor durante um dia explica os sistemas de segurança ao proprietário.

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