Liderança Indesejada

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Liderança Indesejada

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Gustavo Adolfo 1 - Lateral vertical - Final vertical

A falta de um trabalho preventivo ao uso de drogas ilícitas é um dos fatores que, em 2010, colocou Lajeado no topo de apreensões. Segundo dados da Secretaria Estadual da Justiça e dos Direitos Humanos, foram 242 registros.

Ao comparar as apreensões com o número de habitantes, os índices são piores. Nesta média, a cidade está na frente, inclusive, de cidades da região metropolitana.

drogasPara o promotor e coordenador do Fórum Municipal da Drogadição, Sérgio Diefembach, os números confirmam a falta de um programa eficaz na prevenção ao uso de entorpecentes e no tratamento do usuário.

Sobre o Fórum, que existe há quatro anos, o promotor alega que é preciso um trabalho a longo prazo para alcançar resultados.

Diefenbach alerta para a concretude dos dados, pois não são científicos. “Eles mostram só os flagrantes e não o número de usuários”, ressalta. Aproveita para elogiar o trabalho dos órgãos de segurança. “Aqui o combate às drogas é muito intenso e isso contribui para o alto numero de apreensões”, reforça.

O tenente-coronel Antônio Scussel, do Comando Regional de policiamento Ostensivo (CRPO) do Vale do Taquari, diz que a liderança é fruto do monitoramente contínuo dos pontos de tráfico de drogas, que facilita a detenção e as operações especiais. “Isto será mais intensificado”, adianta.

Perfil dos Usuários

De acordo com Scussel, os usuários encontrados são de diversas profissões e classes sociais, desde pedreiros até advogados, e com idades que variam, entre 15 a 35 anos.

Ele lembra que a maioria das apreensões não acarreta prisão, pois a lei prevê penas educativas e prestação de serviços, o que motiva a recorrência dos usuários.

No entanto, alguns fatores podem levar à prisão, como o local da abordagem, a quantidade de droga apreendida, e os antecedentes do usuário. “Cada caso tem uma análise individual”, diz.

Comunidade com medo

Um dos pontos mais críticos está na Rua Osvaldo Aranha, próximo a Escola Infantil Risque e Rabisque, no bairro Centro. Segundo uma agente de saúde, que mora próximo ao local, e trabalha diariamente naquela região, o uso de drogas é deliberado em qualquer hora do dia. “Eles nos intimidam. Tenho medo de andar por aqui”, confessa. As ruas Marechal Deodoro e Borges de Medeiros, também no Centro, são outros pontos tumultuados. Um aposentado, que mora há 45 anos nas imediações, reclama do barulho e dos assaltos, principalmente, pelos usuários de crack. Ele se sente preso em casa, e inclusive deixou de realizar atividades rotineiras com medo de ser abordado, mas demonstra sensibilidade. “É triste ver estas crianças destruírem-se”, lamenta.

Detenções levam a traficantes

Segundo o delegado de investigações da Polícia Civil, José Romaci Reis, o aumento no número de detenções auxilia no combate ao tráfico de drogas. Ele conta que todos os usuários levados até a delegacia são interrogados, e delatam o traficante e o local onde foi realizada a compra. “Infelizmente, por medo de represálias, muitos não revelam nada”, lamenta.

Reis conta que o trabalho de investigação é essencial para o alto número de apreensões. Nesta semana foi realizada uma ação que cumpriu quatro mandados de prisão a traficantes e de busca e apreensão na cidade. Dois foram pegos.

Falta punição aos usuários

Penas educativas e de prestação de serviços comunitários, aplicadas aos usuários detidos com drogas, desagradam autoridades da segurança pública. Segundo Scussel, é preciso uma punição maior ao usuário de drogas. “Como vamos combater o tráfico se ele é alimentado deliberadamente pelo usuário”, questiona.

Scussel diz que é preciso diferenciar os usuários, e que são necessárias penas variadas. Para ele, existem dependentes cujo problema é de saúde, e outros que consomem a droga de forma consciente e esporádica. “Alguns merecem atenção especial, outros deveriam ser presos”, defende.

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